Religião: Consumo
abril 16, 2009 por admin
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Texto de Frei Betto publicado no Jornal O Dia 01/04/01
AYoung & Rubicam, uma das maiores agências de publicidade do mundo, divulgou a lista das 10 grifes mais famosas:
- Coca-Cola,
- Disney,
- Nike,
- BMW,
- Porsche,
- Mercedes-Benz,
- Adidas,
- Rolls-Royce,
- Calvin Klein e
- Rolex.
A Fitch, consultoria londrina de design, no ano passado realçou o caráter divino dessas marcas, assinalando que, aos domingos, as pessoas preferem o shopping à missa ou ao culto.
Em favor de sua tese, a empresa evocou dois exemplos: desde 1991, aproximadamente 12 mil pessoas celebraram núpcias nos parques da DisneyWorld, e estão virando moda os féretros marca Harley, nos quais são enterrados os motoqueiros fissurados em produtos Harley Davidson.
A tese não carece de lógica. Ainda engatinhando, a Revolução Industrial descobriu que as pessoas não querem apenas o necessário. Se dispõem de poder aquisitivo, adoram ostentar o supérfluo. A publicidade veio ajudar o supérfluo a impor- se como necessário.
Se chego à casa de um amigo de ônibus, meu valor é inferior ao de quem chega de BMW. Isso vale para a camisa que visto ou o relógio que trago no pulso. Não sou eu, pessoa humana, que faço uso do objeto. É o produto, revestido de fetiche, que me imprime valor, aumentando a minha cotação no mercado das relações sociais.
O pecado original dessa nova religião é que, ao contrário das tradicionais, ela não é altruísta, é egoísta; não favorece a solidariedade, e sim a competitividade; não faz da vida dom, mas posse.
E o que é pior: acena com o paraíso na Terra e manda o consumidor para a eternidade completamente desprovido de todos os bens que acumulou deste lado da vida.
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Demorô comentou sex, 17th abr 2009 9:50
Falam que, na verdade, a marca mais amada do mundo é a Harley Davidson. Porque mesmo que a sua marca não tenha tanto valor quando comparada as outras, é a marca com o maior número de tatuagens no mundo.