Ideias moldam o mundo

A escravidão capitalista

A escravidão capitalista

mai 2, 2009

Texto por Guilherme Guerato – Brasília/DF.

Quando na escola estudamos sobre a escravidão que foi vivida por diversos povos em diferentes nações e épocas, ficamos alarmados com tal situação de servidão e humilhação que seres humanos eram submetidos. Darwin na sua expedição pelo mundo, quando de passagem pelo Brasil em uma fazenda no Rio de Janeiro, dizia se sentir enojado pela escravidão que era obrigado a presenciar. Na verdade Darwin não sabia que o novo sistema econômico que estava surgindo no mundo seria a verdadeira escravidão: o Capitalismo.

A escravidão era dura e simples, pessoas eram vendidas como mercadorias e eram exploradas para trabalhar em troca de uma pobre alimentação e uma moradia em condições precárias. Era abominável e chocante a forma como tratavam as pessoas. O mundo mudou, se industrializou, passando por duas grandes eras industriais iniciadas na Inglaterra e então veio o sistema de produção.

Porém, duas grandes guerras no último século mudaram a estrutura político social conhecida no planeta.  Saia de cena a Inglaterra (como nação dominante) para a ascensão de dois eixos apoiados em  dois regimes econômicos distintos. O primeiro denominado  “eixo do mal” comandado pela antiga União Soviética mais alguns países mundo a fora como Cuba e Coréia do Norte formavam seu alicerce. Do outro lado, tínhamos os Estados Unidos da América e os seus aliados da OTAN.

A URSS tinha um sistema falho e corrupto, pois está no ser humano sempre querer competir e buscar por algo mais. O que o Estado oferecia não era o confortável e nem o mínimo para se sentir bem, o básico oferecido costumava passar próximo à linha do limite para a necessidade. Já os aliados, viam o capitalismo se expandir, pois convencia pessoas de que a chave para felicidade naquele mundo pós guerra era o consumo. Movidos pelos EUA, a globalização veio como um tsunami atingindo quase todas as nações no planeta e acabou por desmantelar a antiga URSS em diversos países sujeitos ao regime capitalista.

Estava tudo claro e fácil, para um domínio absoluto de um sistema que quando desdobrado não passava de um sistema de escravidão mais eficiente. O ser humano vendeu sua alma não no sentido religioso, mas no sentido da sua consciência ser contaminada pela ligação da felicidade ao valor monetário. As questões morais, sociais e familiares, vêm perdendo importância a cada dia. O que nos torna mais frios e mais sujeitos a nos corromper por esse sistema, que nos ludibria vendendo o bem estar através do consumo.

Esse consumo não é apenas de bens materiais, mas de pessoas, do ser humano individual. O sistema se alimenta da sua produção que se transforma em consumo, é cíclico. Na verdade estamos vivendo uma escravidão muito bem estrutura e disfarçada, mas que é muito mais cruel que o velho sistema conhecido. Sua identidade, seu bem estar pelas coisas mais simples, seus valores vão se perdendo a cada dia, a cada dia que mergulhamos mais e mais nesse funil.

Quanto tempo vamos girar nesse sistema? Difícil dizer, talvez não dependa de nos responder isso, mas sim do planeta.  Saber quanto mais tempo ele suportará esse sistema que não consome apenas as pessoas, mas também os recursos disponíveis que promovem a sustentabilidade da vida.

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