O momento em que vivemos

Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.

Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você.  O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens.  Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.

A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos.  Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.

Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.

Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.

Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?

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Adeus General Motors

junho 20, 2009 por admin  
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Texto por Michael Moore – Traduzido do original em Inglês (Goodbye, GM by Michael Moore)
1  Junho de 2009 – www.michaelmoore.com

Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?

gm_dead É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros?

Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada.

Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.

Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

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5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.

Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.

Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.

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Dinheiro e Poder

junho 15, 2009 por admin  
Arquivado em Destaques, Política, Sociedade

Levanta-se a questão de que dinheiro não é a raiz dos problemas, mas o poder. Uma tentativa interessante de alterar o foco dos problemas concretos para um lado mais abstrato ainda não totalmente esclarecido.
(O que é poder? Várias definições, vários níveis, nada concreto)

A primeira forma de analisar a jogada é que o dinheiro causa problemas em todos os níveis da esfera humana, seja na macroeconomia mundial até a microeconomia familiar. Já o poder não tem um padrão. Mesmo o poder dos pais acima dos filhos por hierarquia está hoje desvirtuado. Isso mostra que o poder é volátil e relativo às condições do ambiente, portanto não é uma causa, mas conseqüência.

Sistema Poder e Dinheiro:
Poder e dinheiro para existir é preciso que haja consenso. Se uma pessoa consente em ceder seu poder à outra, então temos a acumulação de poder. Poder corrompe, portanto teremos abuso de poder assim que as condições de ambiente falarem mais alto (ex: para ter mordomias e tempo livre, as antigas sociedades viviam com trabalho escravo. Em uma cidade a população escrava expressivamente superior a considerada cidadã, como exemplo, Roma).

Assim que o poder demanda mais poder, ele precisa de ferramentas. Vem o dinheiro como ferramenta de acumulação e abuso de poder. Hoje, o sistema dinheiro e poder está tão sofisticado que nem notamos sua presença, mas esta evidente: Temos “obrigações” a realizar. Obrigações nada mais são que você ceder o seu poder pessoal a alguém, direta ou indiretamente.

Sendo o poder volátil, mas transferível, temos que destacar que o problema não está na existência do poder, mas na sua concessão. Para melhor visualização, tomem cada ser humano como se fossem unidades natas com 10 de poder. Se alguém no mundo (como presidentes, generais, juízes etc.) tem hoje 1000 de poder, é porque pelo menos 1000 pessoas cederam 1 de poder para ele.

A necessidade de poder:
O poder só é necessário em condições de escassez. Para que alguns pudessem ter mais que outros foi necessário a arquitetagem e uso do poder. Não dinheiro, mas recursos.

Inicialmente terras férteis, arvores e cursos de água foram objeto de lutas entre humanos, devido a sua falta de conhecimento sobre o tamanho do mundo, por condições limitantes geográficas (como habitantes de regiões cercadas de água que temiam ir alem e “cair no limite da terra”) ou climáticas (geadas, glaciação), por sua falta de tecnologia avançada que permitiria novas possibilidades.

Esse principio de escassez norteou a mente humana por centenas de milhares de anos, ate que ele começasse a viver em cidades e iniciar a gestação da civilização, ha aproximadamente 10 mil anos atrás.

O que são 10 mil anos de estruturação civil evolutiva perto de quase 200 mil anos vivendo a deriva da natureza em cavernas? Esse conceito de escassez está fortemente programado em nossa mente, e com o passar dos tempos fomos apenas o sofisticando para servir melhor aos interesses dos sistemas sociais.

Dinheiro hoje:
Hoje temos o dinheiro, antiguíssima invenção que permitiu o controle dos recursos por uma crescente sociedade humana para que não as esgotasse permanentemente. Sinto dizer aos amantes do dinheiro que ela está obsoleta, e atualmente atrasando o próximo passo da civilização. Temos hoje a tecnologia avançada, que nos permite ir ate onde muitos sequer sonham, mesmo sendo contemporâneo delas.

A analogia do impacto do dinheiro na sociedade atual:
“Estamos atualmente a andar montado em lombos de jegues, quando poderíamos estar cortando os céus em um F-22.”

Establishment:
Sempre que algo se organiza e tem certa estabilidade na vida humana, temos a tendência de mantê-lo como está e negamo-nos a mudá-lo. Na sociedade não é diferente, sendo um sistema humano, a sociedade tende a lutar contra mudanças, mesmo sabendo de seus benefícios, mesmo sabendo que sem mudança haverá serias conseqüências.

Em comparação tomamos os conselhos médicos. A pessoa vai ao medico e ele alerta: “Seu estilo de vida, sua alimentação e seus hábitos vão lhe levar a morte em meses! Mude-os o quanto antes!”
As estatísticas mostram que 1 em 10 mudam, mesmo sabendo do risco de morte.

[O por quê que isso acontece necessita toda uma análise psicológica que não cabe aqui nesse momento, mas se for demandado poderá ser postado futuramente]

Temos essa resistência contra mudanças. Criamos à preguiça, o conformismo, as desculpas, e achamos melhor ficar do jeito que está e lidar com as terríveis conseqüências (e lá ficar reclamando e se flagelando e pedindo a deuses misericórdia) do que se auto motivar, enfrentar o comodismo e encarar a mudança. Não queremos pisar fora da zona de conforto sozinhos, que dirá em grupo.

Pra piorar, através do estabelecimento de poderes de alto nível, temos uma resistência ainda maior em mudanças. A esse poder estabelecido, que normatiza e resiste a mudanças damos o nome de Establishment.

Mudança:
A mudança então cabe a 1% de determinados que não se opõem a mudança, alias, vêem na mudança o desafio faltante em sua vida e o acham excitante. Infelizmente esse tipo de pessoa é raro, mas foi esse tipo o responsável por todas as grandes mudanças na sociedade atualmente. A isso se dá o nome de Teoria do 1%. Às vezes se consegue arrastar mais pessoas, porem geralmente o restante das pessoas só se unirão ao 1% assim que virem que o “barco realmente andou”.

Texto por: Silvio Furtado – São Luis, MA
http://www.thezeitgeistmovement.com/

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Nação Fast Food

junho 14, 2009 por admin  
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Nação Fast Food (Fast Food Nation, EUA, 2006), é a adaptação do livro homônimo de Eric Schlosser, que trata sobre os riscos à saúde pública e ao meio ambiente provocados pela indústria do Fast food. O diretor Richard Linklater assina um roteiro com vários dramas paralelos que envolvem desde jovens funcionários da fictícia rede Mickey´s de Fast food a imigrantes mexicanos ilegais.

Apesar de contar com um elenco bem hollywoodiano, com participações de Ethan Hawke, Bruce Willis, Paul Dano, Greg Kinnear e Avril Lavigne, o filme trás uma forte dose de crítica a sociedade de consumo americana via cultura do Fast food. A película descortina a corrupção de um sistema degradante e nos sensibiliza com as condições expostas nos matadouros.

Veja o trailer

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Visão medieval cristã do riso

junho 13, 2009 por admin  
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O riso é motivo de interesse dos homens desde antigos tempos. Aristóteles na Grécia antiga, foi o primeiro filósofo a tratar sobre o tema, observando que o homem é o único animal que ri.

Para Alberti (1999, p. 66), a Idade Média foi um período marcado pela enorme influência eclesiástica cristã sobre o comportamento do povo. O riso era reconhecido como próprio do homem, conforme afirmado por Aristóteles; mas em geral censurado sob o argumento de que Jesus não teria rido em sua vida terrena. Porém, isso é contraditório, pois se Jesus foi o grande modelo humano, o riso torna-se estranho ao homem, ou pelo menos ao homem cristão.

Uma resposta a isso seria que o humor tende a profanar o sagrado. No fundo do nosso ser, rimos dos nossos medos e das nossas crenças. Piadas sobre santos, o paraíso e o inferno são comuns entre os cristãos simples que não se vêem pecando ao pensar e rir sobre o sobrenatural.

O humor questiona as verdades absolutas, os dogmas e as autoridades que as encarnam. Com isso, sofrem a resistência dos que interpretam os textos sagrados e falam em Nome de Deus.

Na obra “O Nome da Rosa” de ECO, verificamos a posição de um eclesiástico medieval, chamado Jorge Burgos, sobre o riso e a sua tentativa de negar às pessoas o acesso a um livro que seria de autoria de Aristóteles, que classificaria o riso como algo sublime:

O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa carne. É o folguedo para o camponês, a licença para o embriagado, mesmo a igreja em sua sabedoria concedeu o momento da festa, do carnaval, da feira, essa ejaculação diurna que descarrega os humores e retém de outros desejos e de outras ambições [...] Mas desse modo o riso permanece coisa vil, defesa para os simples, mistério dessacralizado para a plebe. Elegei o rei dos tolos, perdei-vos na liturgia do asno e do porco, representai as vossas saturnais de cabeça para baixo [...] Mas aqui afunção do riso é invertida, elevada à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz dele objeto da filosofia, e de pérfida teologia [...]
(ECO, 2003, p. 454-455).

A Igreja Católica Romana, que detinha o controle do poder e do conhecimento na Europa medieval, temia o riso, pois ele liberta o indivíduo do medo do demônio. Se o homem tiver a liberdade de rir, o que o impedirá de afrontar a autoridade instituída e, no limite, o próprio Deus, com o seu riso? Assim, a religião encontra refúgio no temor.

Paradoxalmente, o crente ama e teme a divindade; aceita-a e voluntariamente submete-se. O que muitas vezes pode vir a se tornar terror. Como escapar de um Deus onipresente e onisciente? O temor é, portanto, fundamental, e quem ri tende a não temer.

O riso libera o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria. Que o riso é próprio do homem é sinal do nosso limite de pecadores. O riso distrai, por alguns instantes o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. E deste livro poderia nascer a nova e destrutiva aspiração a destruir a morte através da libertação do medo.
(ECO, 2003, p. 455).

Alberti (1999, p. 69), resume a posição da igreja sobre o riso na Idade Média da seguinte maneira: é impossível à religião eliminar o riso; trata-se, portanto, de admiti-lo sob certas condições e de interditá-lo naquilo que pode afrontar a verdade instituída.

A resposta da tradição teológica medieval a este dilema será a diferenciação entre dois gêneros do riso: a laettitia e o gaudum spirituale.

O primeiro se refere à felicidade das coisas terrenas e passageiras, algo negativo, fazia assim com que o homem esquecesse sua missão.

O segundo, em compensação, era a verdadeira felicidade, aquela que atingia sua maior realização após a morte, mas podia ser experimentada ainda em vida, pela contemplação de Deus e de suas criações. A esta última correspondia o riso discreto e mudo que exprimia a felicidade do coração.

ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da FGV, 1999.

ECO, Umberto. O nome da rosa. Lisboa: Difel: 1984.

Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso O Humor na Publicidade de Eduardo de Abreu Marques e André Augusto Ferreira.

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Prevendo o futuro

junho 4, 2009 por admin  
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O acidente do vôo 447 da Air France tomou conta dos noticiários globais nos últimos dois dias.  Como em todo grande acidente, depois da comoção sempre aparece alguém que diz ter tido sonhos premonitórios sobre o evento ocorrido.  Porém, neste caso ocorreu o inverso e graças ao advento da Internet colaborativa, onde a pessoa interage e cria conteúdo, ficou registrado em um tópico de uma comunidade sobre Ufologia e Espiritualidade do Orkut o sonho de um usuário.  No post de 29 de maio o mesmo afirmou ter tido um sonho onde um avião da Air France caia no mar. Vale lembrar que o acidente ocorreu na madrugada do dia 31 de maio.

Isso me fez refletir sobre a nossa percepção de tempo.  Sem cair no critério de se o caso ilustra ou não um exemplo real de sonho premonitório, me coloquei a pensar em como explicar o fenômeno através de uma dedução lógica.

Para mim o tempo não funciona numa linha linear de passado, presente e futuro. Funciona de forma constante e em sincronia. Ao ver desse modo, é possível sim você conseguir ter premonições. Veja o exemplo…

Tudo funciona em sincronia. Olhe o nosso organismo! Ao me ferir com um corte, cada célula trabalha isoladamente para se regenerar. Este fato desencadeia uma onda de ações de outras células que complementam a primeira e produzem as nossas reações de recuperação. Há uma linha de tempo de recuperação, mas as ações são constantes. Um exemplo similar seria o que ocorre quando os planetas do nosso sistema solar completam suas órbitas para manterem o equilíbrio gravitacional que torna a vida possível na Terra. Cada um faz a sua órbita, mas ao entender os seus trajetos, conseguimos prever eclipses e alinhamentos no percurso.

Com o tempo não deve ser diferente. Todos nós fazemos parte de um sistema que funciona em sincronia. Apesar de o nosso livre-arbítrio nos dar “liberdade” para criar nosso destino, este não deve se distanciar muito de uma linha padrão de comportamentos. Sendo assim possível para algumas pessoas conseguir ver ou pressentir o “futuro”.

O fato de algumas pessoas conseguirem prever o futuro nada tem a ver com misticismo ou magia, de crer ou não crer e sim com entender como as coisas funcionam.

Veja aqui a “previsão” postada no Orkut.

Dado interessante: Após a divulgação da previsão, a humilde comunidade passou de 500 para mais de 7000 pessoas em 48h.

Eduardo Marques

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