A Era dos Relacionamentos Fast-Food

novembro 26, 2009 por admin  
Arquivado em Destaques, Life Style, Sociedade

Messenger, Twiter, Orkut, Facebook, Linkedin. Atualmente, vivemos cercados de profiles por todos os lados. Nestes cardápios humanos, também conhecidos como sites de relacionamentos, nos deparamos diariamente com o espetáculo deprimente da exposição exacerbada de vidas, muitas vezes em poses ridículas. Tudo em prol de se arrebanhar a maior quantidade de amigos, fãs, seguidores, etc. Conhecer gente, se relacionar, ter um milhão de amigos, antes uma obsessão adolescente, virou uma competição neurótica que independe de sexo, idade, crença ou classe social.  Hoje, para ser alguém é preciso estar em rede, conectado, plugado, ligado, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Não podemos mais acordar sem dar uma olhada em nossos e-mails no Iphone. Não conseguimos dormir sem antes jogar conversa fora no MSN. Não nos permitimos ir à praia descansar sem levar o notebook e o modem 3G. Não podemos ir a um boteco sem deixar o celular em cima da mesa. Hoje em dia, não basta viver é preciso estar on-line sempre. Tornamo-nos pobres vampiros sedentos por gente. Necessitamos consumir pessoas para elevar nossa auto-estima, para parecermos mais novos, bem sucedidos, felizes. Reféns da nossa própria carência, do medo insuportável de estar sozinho, da vontade de parecer mais do que ser, expomos nossas vidas de forma exacerbada, sem nenhum critério ou bom senso.

Ironia do destino ou não, parece que quanto mais disponíveis on-line estamos, mais sozinhos off-line nos sentimos. Atualmente, conhecer pessoas tornou-se muito fácil. Tão fácil que nem nos preocupamos mais em cultivarmos relacionamentos verdadeiros, seja na vida real, seja na virtual. Afinal, caso aquela pessoa que conhecemos ontem em www.qualquercoisa.com.br apresente qualquer problema é possível substituí-la em um passe de mouse.

A era das relações fast-food está transformando o ser humano em artigo banal, substituível, descartável, ausente de sentimentos e alheio ao que realmente é importante. Às vezes me pergunto: Quando será que vamos aprender a dar valor àquilo que realmente tem valor?

Texto enviado por:
Vanina Machado
Jornalista, especialista em marketing e gestão de pessoas.
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Entre o Estado e o Livre Mercado

novembro 19, 2009 por admin  
Arquivado em Destaques, Política

Dando continuidade ao artigo: Apagão político, gostaria de expor alguns fatos e idéias a cerca de um tema que desperta a paixão política de vários brasileiros. Afinal, devemos apoiar nossa economia na mão do Estado ou na mão invisível do livre mercado?

Adam Smith em A riqueza das nações defendeu a ampla liberdade do mercado sem a intervenção do Estado. Ele dizia que a própria interação dos indivíduos ordenaria o funcionamento do comércio. Por outro lado, países que se apoiaram fortemente sobre essas premissas sentiram um forte baque quando a crise econômica despontou. Diga-se de passagem, a Islândia simplesmente faliu.

Já países que possuem sua base em uma economia estatal acabam criando monopólio e em muitas vezes misturam interesses políticos com os rendimentos da empresa.

Diante desse quadro o que fazer? Acredito que devamos utilizar um pouco de cada coisa e temperar bastante com parcerias público-privadas, as famosas PPPs.

Tendo em visto isso, creio que deva ficar na mão do Estado o controle de nossas reservas naturais e recursos básicos como saúde, educação e segurança. Em contrapartida, cabe a iniciativa privada desenvolver as outras áreas. Porém, isso deve acontecer com a chancela do governo através dos órgãos reguladores. Se deixarmos o próprio mercado se regular, provavelmente o interesse exclusivo do lucro se sobrepujará ao interesse da prestação de serviço que privilegia a sociedade. Um exemplo disso é o que normalmente ocorre em licitações para recapeamentos de autopistas onde a empresa ganhadora presta um serviço de péssima qualidade para que no próximo ano as estradas estejam novamente destruídas e ela possa ser recontratada.

Entretanto, na outra mão temos o problema do mau-gerenciamento público que por muitas vezes ocorre pelo fato de políticos ocuparem cargos que deveriam ser técnicos e pela limitadíssima visão de implementação de metas de governo e não de nação.

Isso está começando a mudar, pois com a popularização da internet, está ficando cada vez mais fácil ao cidadão verificar e cobrar nos sites do governo a aplicação dos princípios constitucionais da administração pública. Para os que não a conhecem são os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Enfim, apesar de muita gente pedir uma menor intervenção do estado para poder privatizar tudo, temos que lembrar que não é a atuação do estado que tem que ser menor. É o serviço do Estado que tem que ser melhor. E este só será quando tivermos um povo instruído e que cobre. Infelizmente, ainda estamos num patamar aonde é muito comum pessoas instruídas confundirem a ineficiência da gestão do Estado com a sua função de ser.

Eduardo Marques

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Apagão político

novembro 19, 2009 por admin  
Arquivado em Destaques, Política

Que oportuno foi ao PSDB e a certos segmentos da mídia o apagão que deixou sem energia metade do país na última semana.   A falha que gerou o blecaute deve ser investigada e medidas devem ser tomadas a fim de se evitar novas surpresas. Entretanto, o que se vê na mídia é uma supervalorização do tema com a finalidade explicita de expor politicamente a administração do governo petista.

O que me deixa chateado com tudo isso é o jogo interesseiro de ambas as partes. Tanto da direita como da esquerda.  De um lado o governo fala que nada de importante aconteceu, quando de fato aconteceu. De outro, a oposição age como um urubu que quer destrinchar o tema até os ossos.

Enquanto isso, milhares de cidadãos (que realmente se preocupam com o país) acabam abraçando ideais de um lado ou de outro na ilusória esperança de que algum esteja correto.  Partidários de esquerda e direita se digladiam verbalmente pelos fóruns na internet como se ambos não desejassem um país melhor.  O que todos nós precisamos entender é que nem só de estado ou livre mercado, se vive hoje em dia.

Eduardo Marques

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