A pluralidade das religiões

fevereiro 7, 2010 por admin  
Arquivado em Destaques, Espiritualidade, Sociedade

A Era das grandes matrizes religiosas acabou!

Há alguns anos atrás, quase todos os brasileiros eram católicos. Nasciam em famílias católicas e acabavam por herdar a fé dos seus antecessores.  A regra era ter uma unidade de pensamento religioso.  Porém, os anos passaram e hoje nos deparamos com outra situação.  Tente achar um católico praticante ao seu redor. Com certeza, você terá muito mais dificuldades do que há 40 anos.

Com a ampliação da educação e do maior acesso a outras fontes de conhecimento, muitas pessoas começaram a buscar as suas próprias respostas.  Apesar de ser mais evidente hoje em dia, Isso não é um louro do final do século XX. Na verdade, começou em 1517 quando Martin Lutero, desgostoso dos rumos de Roma, publicou as suas noventa e cincos teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg, Alemanha.  Hoje, só do cristianismo, existem mais de três mil variações segundo a World Christian Encyclopedia. Também, segundo a mesma enciclopédia, existem mais de dez mil religiões no mundo, sendo que muitas são derivações diretas do próprio cristianismo e islamismo. Isso nos leva a observar que cada vez mais as pessoas estão optando por escolher no que querem acreditar ao invés de aceitar os credos pelas circunstâncias. Numa analogia com os sistemas econômicos, abandonamos o Fordismo para adotar o modelo personalizável do Starbucks.

Em um país com menos resistência e maior aceitação, estamos nos tornando uma nação multi-religiosa. Para fator de comparação, em 1970, segundo o IBGE, 92% das pessoas no Brasil eram católicas, 6% protestantes, 1% não possuía religião e tínhamos 1% de outros credos. Hoje lendo o livro Microtendências do americano Mark Penn (2007), deparei-me com uma estatística interessante a qual diz que os umbandistas do Brasil correspondem a vinte milhões de pessoas. Isso é uma vez e meia o número de todos os judeus no mundo, o que me leva a crer que é a nossa perspectiva que marginaliza certas religiões que não fazem parte das grandes matrizes religiosas do mundo ocidental como o Cristianismo, Islamismo e o próprio Judaísmo.

A capacidade de unir as pessoas sob o guarda-chuva de uma única idéia religiosa está diminuindo e é uma tendência que parece não ter volta. O futuro das religiões será cada vez mais o reflexo da nossa própria intelectualidade.

Uma ótima animação para refletir:

Eduardo Marques
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