O novo capitalismo na era digital
Alguém discorda que a Inovação é a grande saída para construirmos uma economia criativa? Os Tech inovadores têm como mantra “O que você está fazendo pode mudar o mundo ou começar uma nova economia?” É a cultura da geração da generosidade, do movimente-se primeiro e do corra riscos!
Nada novo. Surpreso? A inovação da máquina a vapor criou o capitalismo. Um pouco depois entre 1896 e 1930 nasceram 1.800 fabricantes de carros, sobreviveram apenas três empresas e redesenharam a era industrial! Tanto os inventivos a vapor, como os fundadores da indústria automobilística tinham o sonho de mudar o mundo!
E neste momento, no apogeu da democracia das redes sociais, da inteligência universal e do livre mercado, fundamos a Cyber Humanidade, a Humanidade 4.0! É o espírito pioneiro se renovando, o mundo como um vilarejo, a era do supere-se e a era dos inovadores sociais – pessoas para as quais o outro é um valor em si!
Ingressamos na “Ilha Utopia” de Thomas More? Que em 1516 escreveu que um dia existirá um mundo onde a não violência é possível, com prosperidade para todos em uma democracia universal, protegendo todas as diferenças e criando outras! Onde o lucro não será nada além do que uma obrigação, e não uma finalidade! Na ilha dissolvem-se as diferenças e fomenta-se a igualdade, eliminando por completo o conflito de suas potenciais possibilidades de materialização!
Ou decolamos na Hiperdemocracia de Jacques Atalli? Uma economia de mercado em que cada qual se mede em relação ao outro? Uma economia do altruísmo? O outro lhe possibilitará compreender que o amor por outrem, e portanto por si mesmo, é a condição da sobrevivência da humanidade? Pois quando mais se dá, mais se recebe, com o mantra – Se eu compartilho, eu não fico sem!
Ou embarcamos na “Aldeia Global” de Marshall Mc Luhan que previu que o mundo no século XXI seria maravilhoso, uma espécie de “aldeia global”, com todos os seres falando a mesma lingua. Ou vivemos, num mundo onde a liberdade individual é um direito natural e inalienável como disse a quase 200 anos John Locke no livro “Tratado do Governo”.
Olhe em volta, a inovação digital é o motor da proliferação do capitalismo criativo do empreendedorismo da nova era! Da vitória do gosto pelo novo, pela paixão pela descoberta. Bem vindo a era do empreendedorismo digital e da democracia das redes sociais com abundância, velocidade e gratuidade!
Começou timido, com Ebay, Google, Orkut, Linkendin, Buscapé, Uol, Netscape, Paypal, Ning, YouTube, Slideshare, Digg, Blogger, Twitter, Deli.cio.us entre outros! No ínicio era a Wikipedia e sua revolução Francesa digital, mas na multiplicação colaborativa nascem sites como Digg, StumbleUpon,Wetpaint, Hype Machine, e Twine, e um exemplo notável de um coletivismo-emergente, uma nova forma de valorizar a ação comunitária e uma espécie de socialismo digital.
A arena é povoada por novos empreendedores digitais com o Addict-o-match , The Filter e Collecta! Que são as naus da web semântica 3.0. Use ferramentas para empreender de igual para igual com os Tiranosauro rex do capitalismo primitivo! Conheça o inventivo conceito de Cloud Computing, e sua “deselitização” dos custos de TI e sirva-se de Joyent, Mosso ou da queridíssima Brasileira Locaweb. Use as apresentações de Animoto, escreva como Machado de Assis com Zemanta. Venda como crommoncraft!
Posicione sua marca como um portal use e abuse de Frontpageslideshow. Utilize o design sensorial que poderá salvar o mundo no Inhabit. Solte o verbo no Podcast Gengibre. Veja como anda sua influência no Twitter no Twinfluence. Deleite-se e aprenda no Twitter, seguindo cientistas, pensadores e filósofos! Ou apenas faça parte da idiocracia seguindo técnicos de futebol ou senadores corruptos!
No Slideshare aprenda todo dia! Engaje sua audiência com Cover it live. Compartilhe documentos com Docstoc ou Scribd. Reveja as metas da sua empresa em KPI Library Navegue nas empresas Brasileiras da economia criativa como Videolog Tv, Ouvi Permission Ad Network, Gaia Creative, Trend Innovation, Camisetaria, Coletivu e Just Mail.
Trabalhou demais, veja a Torrel Eifel, a Ponte de São Francisco em tempo real, lá na Webcams Travel. Então, faça as malas e viaje de uma foma diferente em Singlespotcamping e AirBNB. Colabore contra o aquecimento global e a mudança climática produzindo energia alternativa, comprando e vendendo em Ecotricity, GreenEnergy ou Microgeneration. Adotou o vegetarismo vá no Veggie Trader.
Pinte o sete e exponha e venda seus trabalhos em GiftCardRescue e Drawn. Artesãos ou designers sua feira hyppie é na Etsy, Ponoko ou Spoonflower. Cansou de uma roupa venda no Enjoei.com a releitura dos brechós! Deseja vender as jóias que ganhou do seu ex-namorado vá na Antuérpia digital no site Ex-Boyfriend Jewelry. Precisa alugar algo para seu casamento, festa, reunião, empresa coisas baratas no HireThings! É o mercado das pulgas digitais!
“Nós todos temos algo valioso para dizer” este é o discernimento do site Ether .Vodafone, ABN-Amro, Siemens, Philips e Você estão usando o RedesignMe ou Springspotters para conseguir insigths de inovação, teste de produto e co-creation! Seja um diretor de inovação, dê uma boa idéia na Campbell’s Ideas for Innovation, Dell ou Starbucks. Sensacional! E pagam a você por isso!
Percebe como Open source é libertário, web colaborativa é libertador e a Democracia digital retira a opressão do mundo? Percebe como criamos um capitalismo solidário, criativo e com pitadas do socialismo! Uma nova cultura e economia, a nova propriedade coletiva e descentralização extrema! Sai as fazendas, fabricas coletivas, brocas, picaretas e pás. Entram as apps, scripts, API e redes sociais! Concluiu a Revista Wired!
Inovaçao em massa substituiu a produção em massa! Todos com o objetivo de construir um adorável mundo novo! É o “dot-comunismo” e a tão sonhada humanidade sem barrerira geográficas! Não acredita ainda no socialismo digital? Então, respire! A Replyforall é um site que levanta fundos para caridade, colocando na assinatura do e-mail de internautas anônimos informações sobre entidade filantrópicas! Ou seja, advogados de marcas e seus e-mails maravilhosos!
No Everyday Models e no DOmedia você é um patrocinado. Eles desejam sua atitude! Só cuidado para não sair por aí como um piloto de Fórmula 1. O CrowdSprout é o sindicato moderno dos pais, ele reúne mães que desejam comprar fraldas, cadeira altas, chupetas através de um tipo de leilão online! Pronto, chegou a hora de economizar!
Neighbo é uma plataforma on-line no Reino Unido que congrega os vizinhos, locadores e locatários para ajudar a melhorar questões práticas da vizinhança! Ou Seja, eleições digitais para síndico! E com transparência radical! O c, mm, n é uma iniciativa open source para criar um modelo de green-car! e-engenheiros voluntários trabalhando por um mundo melhor! Qualquer um pode dar uma ideia para se criar um carro menos poluente e mais econômico!
O inventivo Badtimesbootcamp! ajuda desempregados a entrarem em boa forma, não ficarem deprimidos, criarem networking e encontrar um novo emprego em uma rede social! Em tempos de corte de orçamentos a ShortTask ajuda a encontrar trabalhadores qualificados para as empresas que precisam de ajuda com tarefas que são demasiada pequenas para justificar a contratação de um trabalhador.
Então são tempos de união! Vai ajudar? Vivemos ou não a era da cooperação empresarial? Camarada, contamos com você! Percebeu a árvore balançando? Sai a indústria de trabalho pesado e poluidor e entra o trabalho inteligente e comunitário! Em tempos exponenciais onde o consumismo está saturado, inovação e criatividade são as premissas para navegar neste adorável mundo novo! Está em alta pensar sustentável, fica embaixa o luxo, apenas como status!
Há quanto tempo você não faz algo subversivo? Um amigo disse que a educação de sua filha era toda baseada na repetição! Somos macacos amestrados? Eu discordo, veemente! Ora não somos anjos decaídos! Mas no cenário do capitalismo retrógado (com horários fixos, enjaulados em escritórios) não inovamos, não deixamos fluir nossa criatividade não há espaço para a imaginação! Então, que tal fazer algo completamente diferente?
E você não está na hora de criar, participar, contribuir, ganhar dinheiro e fazer empreendedorismo digital? Crie sua empresa nas horas vagas. Controle a sua vida! Criar um negócio na era digital é sentir-se inserido em um novo mundo! Neste novo mundo, você é o que você compartilha! O conceito de modernidade foi cunhado no século passado! Aprenda mutuamente! Vivemos tempos exponenciais, é o fim da classe média, da carteira assinada e da estabilidade! É a substituição da era do ter pela era do ser!
Os motes do novo século é “Outro mundo é possível?”, “O mundo não é uma mercadoria?” e Você é o que você compartilha!”. Uma dicotomia e dualidade em pleno capitalismo no século XXI ressuscitar conceitos de Karl Max que previu “Tudo que é sólido, desmancha na rede (no ar)” ou “Humanos de todo mundo, nada temos a perder a não ser o que era nosso”. A inovação não é toda a história, mas é uma grande história! Onde não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras!
Por Gil Giardelli (Especialista em mídias digitais, com 11 anos de experiência na era digital. Co-fundador da Gaia Creative, Justmail do Board da Amanaie e Startupi. Coordena os Cursos na ESPM de Ações Inovadoras em Comunicação Digital e Startups, economia criativa e empreendedorismo na era digital)
Artigo Extraído da HSM Online
Pressa de que?
maio 23, 2010 por admin
Arquivado em Destaques, Life Style, Razao x Fé
Todo dia ouço alguém comentando e até reclamando da aceleração do tempo. Tomo por mim, até os anos 80 eu conseguia acompanhar a velocidade do tempo. De lá pra cá, principalmente depois do ano 2000 a coisa desandou. Estes últimos 10 anos voaram. Quase não dá para acreditar que já se passaram 10 anos do século 21. Todos comentam que estão sentindo a aceleração do tempo e esta aceleração está afetando o seu dia-a-dia, a sua vida social e familiar. Dizem que esta aceleração está pressionando, forçando a acelerarmos junto com o tempo para dar conta de fazer o que fazíamos antes, tranquilamente, num mesmo período de tempo.
Acompanhando os comentários sobre a aceleração do tempo vem as possíveis explicações para o fato e a negação de que esta aceleração seja real. Dizem os cientistas que os relógios não disseram nada a respeito e continuam, atomicamente, marcando os minutos de sempre e que a nossa percepção da realidade, neste caso, está enganada.
Para justificar este ponto de vista usam explicações psicológicas das mais variadas. Uns especulam sobre a “novidade e a repetição dos eventos” e exemplificam falando que quando a gente vai a um lugar desconhecido pela primeira vez, demora um tempão pra chegar lá e das vezes seguintes a gente vai rapidinho. No relógio marcam os mesmos minutos, todas as vezes, mas a nossa sensação de tempo muda. A explicação é uma verdade. A repetição dos eventos muda a nossa sensação pessoal de tempo. Concordo.
Outra explicação boa é da idade do observador. Pra um bebê de um ano de vida. Um ano é uma vida inteira. Já aos dois anos, um ano é só meia vida. E aos 10 anos de idade, 1 ano é só 10% da vida que ele já viveu. Aos 40 anos, 1 ano é 1/40 avos da nossa vida. A idade, realmente, muda a nossa perspectiva com relação ao tempo. Os mais jovens sentiriam o tempo passar mais lentamente e os mais velhos sentiriam o tempo mais rápido. Mas pergunta pra uma criança o que ela acha disso? Elas também sentem que o tempo está voando.
Eu, pessoalmente, chego a pensar que fomos nós quem aceleramos as rotinas diárias e, sem perceber, projetamos esta aceleração na nossa percepção do tempo.
Neste caso, teríamos uma percepção falsa coletiva, ou melhor, artificial, criada pela aceleração do movimento que impusemos ao mundo moderno. Nós criamos máquinas e mais máquinas para fazer tudo mais rápido. Imediatamente, instantaneamente, se possível. Carros, aviões, computadores, celulares. Pensou, chegou.
Antigamente precisávamos de muito mais tempo para realizar as tarefas. Se alguém queria registrar uma imagem, precisava de tempo para pintar um quadro. Hoje nós temos câmeras digitais que registram centenas de imagens em instantes.
As distâncias que eram percorridas em dias ou semanas hoje são percorridas em alta velocidade. Atravessamos o mundo de lado a lado em horas!
A comunicação pessoal que era por carta, através dos correios hoje é imediata por e-mails, MSN, SKYPE, etc.
A informação que demorou muitos séculos para se organizar, hoje é produzida e distribuída em alta velocidade. Nós aceleramos o mundo. E, talvez, agora, estejamos nos sentindo atropelados pela velocidade que imprimimos à sociedade.
A “imediatice” das coisas, decretou a morte da pausa. Esperar uma resposta, uma carta, esperar um execução de tarefa se tornou sinônimo de tempo perdido, de lerdeza, de ineficiência, de improdutividade.
A natureza tem seu movimento natural de ação, pausa e resultado. É na pausa que a transformação acontece. Coloca-se a semente na terra e pausa para germinação. Sova-se a massa do pão e pausa para a massa crescer. A pausa é o que marca o final de uma fase e o começo de outra. É o período de descanso, de comemoração da etapa terminada, de descanso para se começar uma nova fase.
Mas no mundo atual não há pausas, intervalos ou descanso. As cidades não param, o transito não para, as fábricas não param e nos orgulhamos de nossa produção incessante, não observando o ritmo natural das coisas, ou melhor, atropelando o ritmo natural como se as pausas fossem falhas na produção, retardo nos resultados, ineficiência. E sem intervalos o tempo fica intermitente, incessante, simplesmente não para nunca, não finaliza, não recomeça, se mostra imperativo num eterno continuum. A pausa é o período necessário para o amadurecimento, mas o mundo moderno não chega a amadurecer. A gente come verde, come cru, come frio, come em pé e engata um movimento no outro como uma máquina, sem interrupção.
Uma das intenções com relação às máquinas era que colocando as máquinas para trabalhar por nós, teríamos mais tempo livre para o lazer, a família, os hobbies, o prazer. Mas o que está acontecendo é que não funcionou assim. Hoje além de termos que correr para acompanhar a velocidade das máquinas, elas, também, roubaram a cena doméstica.
Nós passamos grande parte do nosso dia trabalhando para, em última análise, poder consumir. E consumimos, comprando TVs modernas e grandes, comprando assinatura de TVs a cabo, comprando notebooks, comprando celulares, comprando videogames, internet. Isto quando conseguimos decidir qual equipamento comprar, pois todo dia lançam o melhor, o mais novo, o mais moderno, o mais eficaz e não querendo ficar para trás comprando um equipamento que ficará obsoleto em 6 meses nos angustiamos para acompanhar a velocidade do mercado. Não podemos esquecer de mencionar aqui os automóveis, que tem o modelo do ano seguinte lançado em abril do ano corrente. No segmento automobilístico, o futuro chega antes. Bom slogan.
Finalmente, depois de tudo comprado, chega a hora de desfrutar do nosso conforto merecido e nos momentos de descanso em casa com a família, nos retiramos, nos apartamos dos demais e vamos para o nosso computador “de última geração” e nele criamos personagens que habitam e se relacionam com outros personagens nos mundos virtuais, e, inconscientemente, quase sem notar, acabamos trocando vida real por vida virtual, ou seja, vida real por arremedo de vida.
E se não fosse isto, ruim o suficiente, dedicamos o tempo – que seria para o convívio com a família, com os amigos, com as pessoas, com os nossos animais de estimação – para os objetos, as máquinas, as coisas.
Mas o mal não para por aí. Estes mesmos objetos de desejo acabaram se transformando em nossos fiscais e cobradores, em nossos bedéis. Por nos acompanharem, em todos os momentos, são utilizados para nos sinalizar os compromissos com suas agendas e bips, nos encontrar onde quer que estejamos, nos chamar ao trabalho, interromper nossos poucos intervalos, nossas raras pausas, nossos breves momentos de descanso. Onde quer que estejamos somos encontrados e convocados a fazer, a cumprir, a realizar tarefas sem parar, exatamente como as máquinas que criamos.
Parece uma epidemia. As demandas se aglomeram à alta velocidade e os “fazedores”, com suas listas de tarefas em punho, se somam aos milhares, enquanto tentam cumprir uma agenda cada dia mais apertada e corrida na ilusão de ser alguém na vida, numa vida sonhada para se realizar num futuro distante que só irá se concretizar se sacrificarmos o nosso presente. Então, sacrificamos o dia de hoje para “sermos alguém” amanhã, como se hoje não fossemos nada, nada além de máquinas humanas cumpridoras de demandas.
Não sejamos tão negativos, algumas vezes chega o dia em que finalmente somos considerados “alguém na vida” e quando este dia chega, somos importantes demais, ocupados demais, indispensáveis demais e, então, não podemos estar com quem amamos “porque não dá tempo”.
Acabamos criando uma armadilha e ficamos presos nela.
A falta de tempo nos angustia, nos pressiona, nos faz sofrer, e se há um momento em que o tempo desacelera violentamente, é quando estamos sentindo dor, quando estamos sofrendo. Aí o tempo não passa. Fica parado naquela dor. Eis o mecanismo de homeostase para esta loucura. O equilíbrio se torna mais necessário, mais duro quando o desequilíbrio está grande.
Se a vida fosse um carro acelerado, eu diria que a desaceleração pode se dar de três jeitos: Antevendo os fatos, os obstáculos, o motorista reduziria a velocidade antes do choque causado pelo desequilíbrio que esta alta velocidade trás, ou seja, reduziria a velocidade antes de comprometer a saúde física, emocional, familiar, psicológica. Outra opção é deixar para frear em cima da hora, numa emergência, como no caso de um infarto, de um câncer ou divórcio. E a ultima opção, seria o próprio choque. O famoso “não parou por bem, parou por mal.” Nas horas em que paramos em decorrência de um choque de realidade, como quando o filho se envolve no narcotráfico ou ocorre uma enchente, um desabamento, um terremoto e imediatamente a vida muda de perspectiva e o que é realmente importante volta a cena. As pessoas, as vidas, o alimento, o abrigo tudo volta ao seu tamanho real.
Todas estas perspectivas são lógicas e plausíveis. Mas será que, realmente, explicam a sensação de aceleração do tempo?
Será que tudo não passa de uma percepção alterada da realidade, motivada pelo nosso estilo de vida acelerado? Aceitar isto é aceitar que nós aceleramos o tempo, ou melhor, que nós criamos o tempo, pois o tempo do relógio, da rotação e da translação dos astros não é tempo, é movimento e só existe a concepção do tempo na mente humana.
O relógio é o movimento dos ponteiros, o dia é o movimento da Terra ao redor do seu eixo, o ano é o movimento da Terra ao redor do Sol, as horas são frações deste movimento. São pequenos movimentos. E o tempo? O que é o tempo? Imaginação?
Se o tempo é uma criação mental nossa em relação ao movimento. E a aceleração ou desaceleração são atributos do movimento, uma movimentação nossa, uma aceleração imprimida nas nossas atividades diárias, na nossa sociedade, no nosso mundo atual poderia estar impregnando a nossa criação mental chamada tempo. Sendo assim, o tempo pode ser pessoal e coletivo, circunstancial e não haveria relógio no mundo que conseguisse marcar a sensação de tempo que estamos sentindo coletivamente.
Nesta linha de pensamento, se nós aceleramos os movimentos com toda a nossa tecnologia e isto influenciou a nossa percepção do tempo. Desacelerando a velocidade dos nossos movimentos, “o tempo passaria mais devagar”. Se não fizéssemos nada, passássemos o dia descansando, a sensação de tempo mudaria e o dia seria lento, lento. É assim que acontece? As suas férias demoram uma eternidade? O seu domingo, jogado no sofá, vendo TV, não acaba nunca? E não sei quanto a você, mas os meus fins de semana parecem horas, as minhas semanas não passam de 3 dias e os meus meses não chegam a duas semanas e meia. Um mês de férias não dá nem pra começar.
Se o tempo não desacelera quando eu desacelero, ele existiria, então, como uma instância independente? Será que o tempo é apenas uma sensação mental ou ele existe de alguma forma? E se existe, ele está com pressa de que, pra correr tanto?
Se o tempo existe independente de mim e todos sentem que ele está acelerado, negar isto não é saudável. Negar a percepção de uma “realidade” cria confusão. Será que é apenas um descompasso, uma incapacidade dos nossos relógios de mensurarem a dimensão na qual, nós humanos percebemos o tempo? Tornar as máquinas mais eficientes talvez fosse o caminho para sincronizar o tempo do relógio com o tempo da percepção humana. Os nossos relógios que servem para medir o tempo nos dizem que 60 minutos demoram 60 minutos para passar.
A minha mente, que também tem um” relóginho” pessoal não concorda com isto. No “relóginho” da minha mente, 60 minutos estão passando em 40. O mais provável é que o relógio físico esteja certo. E o meu acelerado. Então, quem acelerou fui eu, mesmo que eu esteja parada, sem fazer nada, assistindo TV. Se não são, então, os meus movimentos físicos que aceleram ou desaceleram o meu relóginho mental, que movimento meu faz isto?
Se não é o meu corpo, seria a minha mente? Será que a mente humana estaria acelerada, teria dado um pulo, avançado em relação às gerações anteriores? Será velocidade, evolução? Pensou, está pronto. Pensamento e movimento juntos.
Se há alguns anos eu não sentia o tempo passar assim, quer dizer que este movimento acelerado da minha mente começou a acontecer recentemente. Então, este “salto evolutivo” estaria acontecendo agora, neste período, nestes últimos translados ao redor do Sol.
Será que a minha mente acelerou e o meu corpo não está dando conta de acompanhar? Será que estes meninos e meninas hiperativos são frutos da evolução da espécie? Alguém chame o Darwin, pra mim, aí, por favor!
Se hiperatividade fosse bom, não teria que tomar remédio pra desacelerar.
Quando caminhamos por um parque, observamos os jardins e detalhes da calçada, vemos as pessoas que passam e sentimos a brisa e o calor do sol. Fazendo o mesmo percurso de moto, as coisas mudam. A medida que aumentamos a velocidade, somos forçados a focar a nossa atenção nos obstáculos que insistem em se aproximar de nós enquanto desviamos deles como num joguinho de videogame. A velocidade imprime pressão ao passeio por conta disto. E, enquanto nos preocupamos com os obstáculos, perdemos de olhar para as flores.
Da mesma forma, vivendo uma vida acelerada, temos a nossa atenção mais direcionada aos obstáculos do que às flores. Isto é o mesmo que dizer que perdemos qualidade de vida. Hoje, a quantidade de eventos, informações, atividades que desfilam na nossa vida em alta velocidade age como obstáculo à qualidade de vida.
Estamos indo mais rápido para onde? Hoje em dia não dá tempo de envelhecer. Por conta de uma vida repetitiva tivemos muito do mesmo e poucas experiências originais e, exatamente, por conta disto ficamos com a sensação de ter vivido pouco, nos sentimos jovens e sedentos por mais vida, mais experiências. E, é cada vez mais freqüente vermos “idosos” ativos, fazendo até paraquedismo. Aos 40 anos nos sentimos, ainda, meninos e meninas.
Mas uma coisa eu sei, acelerando, vamos mais rápidos em direção ao fim, à morte.
Então morremos velhos no corpo e jovens na alma e muitas vezes tendo poucas vezes visto as flores ao longo da estrada. Será isto evolução ou degeneração da qualidade de vida?
Em defesa da qualidade de vida, alguns movimentos “Slow” surgiram pelo mundo afora buscando resgatar uma velocidade sadia para os eventos. Tempo para comer, tempo para dormir, tempo para viver no presente. A aceleração do tempo nos remete sempre a uma busca frustrada pelo futuro. O que queremos parece estar sempre além da linha do horizonte. E precisamos correr para chegar lá antes que o sol se ponha e o horizonte desapareça. Talvez esteja aí, a nossa ilusão. O motivo da nossa aceleração. Tentamos chegar ao futuro antes que ele se torne presente, pois acreditamos que o nosso pote de ouro está lá longe, no final do arco-íris. Ilusão, ilusão, ilusão. Corremos atrás de ilusões, de miragens no deserto, e correndo deixamos de ver as flores e quando percebemos a viagem chegou ao fim e ao invés do pote de ouro, encontramos, ao final do dia, inevitavelmente, a dona morte, nos esperando para irmos dormir.
Afinal de contas, você está com pressa de quê?
Artigo enviado por Lisélia de Abreu Marques
Definindo um novo destino
maio 16, 2010 por admin
Arquivado em Destaques, Life Style, Política, Razao x Fé, Sociedade
Como um ser altamente social, o ser humano vive se incluindo em grupos a fim de se sentir mais seguro e confortável. Sejam esses grupos religiosos, políticos, de trabalho, ou grupos formados no clube em um fim de semana.
Quando não por fatores geográficos ou de nascença, na maioria das vezes pertencemos a esses grupos por questões exclusivas de afinidade. Mas o que acontece quando você não mais tem afinidade com o grupo a qual pertence? Deve-se sair? Permanecer e acatar as decisões do grupo mesmo não concordando com o que os seus componentes dizem ou tentar mudar as pessoas que dele participam?
Acredito que independente da vestimenta coletiva pela qual compartilhamos idéias e que gostamos de ser identificados, somos seres individuais com valores, defeitos e gostos únicos. Viver sob um padrão comportamental regido por filosofias que não mais fazem sentido é negar quem somos em beneficio de instituições e ideologias que não mais acreditamos.
As instituições religiosas e as ideologias políticas podem nos ser muito úteis em nossa busca individual por respostas filosóficas e na nossa atuação constante de moldadores do mundo. Vivenciá-las certamente enriquece o espírito. Entretanto, temos que ter consciência de que tudo se desenvolve e evolui nesse mundo. Ficar apegado a ideologias e instituições que não acompanharam o desenvolvimento humano das últimas décadas é como ficar apegado a um barco velho que não mais cumpre a sua função e que cedo ou tarde se verá em um museu ou no fundo do mar.
Estamos vivendo em um tempo onde muitas amarras ideológicas estão sendo desfeitas pela rápida democratização das informações e pelas novas formas de se comunicar e se organizar em redes sociais na internet.
Munidos de novas idéias e soluções, o novo cidadão global construirá nos próximos anos um mundo totalmente diferente do que costumávamos viver. O excesso de informações, sensações e contatos que hoje vivenciamos em uma única vida nos coloca em extrema vantagem em relação às gerações que nos antecederam. Se, antes, tínhamos que nos adaptar às instituições concebidas e a um conhecimento limitado e mantido por tradições, hoje as instituições que não se adaptarem e as ideologias que não se renovarem a esse novo homem, aportarão suas embarcações em nossos futuros livros de história.
Eduardo Marques
Dilma e Serra em: A Democracia no Brasil
Em breve milhões de brasileiros comparecerão obrigatoriamente nas modernas urnas eletrônicas com tecnologia de biometria encomendadas pelo TSE para “celebrar” a festa da democracia.
A frase acima bem que poderia ser a sinopse de um filme de ficção de segunda, mas não é. Em outubro deste ano teremos, sim, que decidir entre praticamente dois candidatos o posto de presidente do país. Mas quem os colocou lá? Chegaram de forma democrática?
É de conhecimento geral que o presidente Lula decidiu e em um passe de mágica fez Dilma a candidata do PT. Afinal, quem dentro do partido discutiria com o cara mais popular do Brasil? Independente da sua pouca experiência e conhecida falta de carisma e educação, Dilma foi escolhida como a sucessora na presidência pelo partido.
Do outro lado da disputa temos José Serra. Governador do estado de São Paulo que não quer largar o osso do poder, tenta mais uma vez ser presidente do Brasil. Quem o colocou dessa vez como candidato do PSDB à presidência? Te garanto que não foram os membros ou filiados do seu partido no âmbito nacional que o escolheram. Foi ele mesmo! Na dúvida, pergunte ao Aécio que ele te conta.
Agora sim está montado o palco maior da nossa festa democrática. Dois candidatos sem nenhum carisma e presos aos seus aliados políticos que os apóiam e suportam. Muito provavelmente um deles será o próximo presidente do Brasil. E quando lá chegar, montará seus ministérios com aquela velha partilha pornográfica entre os partidos vencedores que o apoiaram. E assim, novamente entupirão órgãos que deveriam ser exclusivamente de técnicos com personalidades medíocres afundadas nos jogos de poder.
Essa é a democracia no Brasil! Vamos festejar o país do carnaval, do penta, da dentadura, da cesta de alimentos e do vale-pão. A demagogia e a propaganda aliada a nossa baixa instrução completam o show.
Eduardo Marques



