Oct 24, 2011
Por acreditar que os valores sociais devem sempre sobressair aos interesses econômicos, me considerei em grande parte da minha vida, como um cidadão cujo ideário político fosse o de esquerda. Hoje, percebo que isso foi moldado em parte pelo pensamento geopolítico da segunda metade do século XX; que evidenciou um mundo dividido entre Esquerda e Direita. Algo bem ilustrado na disputa global entre Capitalismo versus Socialismo que hoje estudamos nos livros de história.
Ao associar que a visão de esquerda carregava consigo os mesmos ideais que eu, depositei nessa linha de pensamento a possibilidade de que ela poderia trazer justiça social ao nosso país. E assim, em 2002, votei em Lula. Dava uma chance para que a dita esquerda fizesse diferença em um país que por séculos se viu dirigido por uma elite que transparecia ter mais interesse na perpetuação do poder do que na resolução dos problemas sociais.
Acontece que o mundo se renova constantemente e observá-lo pelas lentes gastas do passado, acaba por distorcê-lo. Os desafios do novo século devem ser encarados por uma nova forma de ver o mundo. Bem longe da dualidade marginal que sempre nos acompanhou.
Os termos “Capitalismo” e “Socialismo”, despidos dos preconceitos impostos pelo longo uso das lentes, podem ser percebidos por desenvolvimento econômico e justiça social. Ocorre que acostumados com as velhas lentes e direcionados pelo pensamento dualista, muitas pessoas só conseguem enxergar: Ganância e Autoritarismo quando deparadas com os termos citados.
Afinal, ganância e autoritarismo são inerentes ao ser ou a sistemas? É CLARO QUE É AO SER! Na verdade podemos ter desenvolvimento econômico sem ganância e alcançar o bem estar social. Depositar a culpa nos sistemas é abster quem os controla.
Por mais claro que isso seja, ainda é difícil de ser percebido para quem se acostumou a olhar o mundo com as lentes do passado. Tais pessoas não conseguem perceber que o mundo não é e nem deve ser dividido em polaridades. A forma como fazemos política deve ser revista.
Quando observo pessoas que ainda carregam o estereótipo de que “comunistas comem criancinhas” e quando ouço chavões como “Quem bate cartão, não vota em patrão” do PCO, me decepciono com a maneira atrasada de como observamos e exercemos a política no Brasil.
Devemos nos unir para resolver problemas e não defender bandeiras. Muitas pessoas não conseguiram compreender quando viram jovens se manifestando contra a corrupção sem carregar bandeiras ideológicas na Esplanada nas últimas manifestações. Eles estão assim como eu, decepcionados não com o sistema e sim com as pessoas por trás dele.
E então? Por quanto tempo você continuará a olhar o mundo através de suas antigas lentes?
Eduardo Marques
