Pressa de que?
maio 23, 2010 por admin
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Todo dia ouço alguém comentando e até reclamando da aceleração do tempo. Tomo por mim, até os anos 80 eu conseguia acompanhar a velocidade do tempo. De lá pra cá, principalmente depois do ano 2000 a coisa desandou. Estes últimos 10 anos voaram. Quase não dá para acreditar que já se passaram 10 anos do século 21. Todos comentam que estão sentindo a aceleração do tempo e esta aceleração está afetando o seu dia-a-dia, a sua vida social e familiar. Dizem que esta aceleração está pressionando, forçando a acelerarmos junto com o tempo para dar conta de fazer o que fazíamos antes, tranquilamente, num mesmo período de tempo.
Acompanhando os comentários sobre a aceleração do tempo vem as possíveis explicações para o fato e a negação de que esta aceleração seja real. Dizem os cientistas que os relógios não disseram nada a respeito e continuam, atomicamente, marcando os minutos de sempre e que a nossa percepção da realidade, neste caso, está enganada.
Para justificar este ponto de vista usam explicações psicológicas das mais variadas. Uns especulam sobre a “novidade e a repetição dos eventos” e exemplificam falando que quando a gente vai a um lugar desconhecido pela primeira vez, demora um tempão pra chegar lá e das vezes seguintes a gente vai rapidinho. No relógio marcam os mesmos minutos, todas as vezes, mas a nossa sensação de tempo muda. A explicação é uma verdade. A repetição dos eventos muda a nossa sensação pessoal de tempo. Concordo.
Outra explicação boa é da idade do observador. Pra um bebê de um ano de vida. Um ano é uma vida inteira. Já aos dois anos, um ano é só meia vida. E aos 10 anos de idade, 1 ano é só 10% da vida que ele já viveu. Aos 40 anos, 1 ano é 1/40 avos da nossa vida. A idade, realmente, muda a nossa perspectiva com relação ao tempo. Os mais jovens sentiriam o tempo passar mais lentamente e os mais velhos sentiriam o tempo mais rápido. Mas pergunta pra uma criança o que ela acha disso? Elas também sentem que o tempo está voando.
Eu, pessoalmente, chego a pensar que fomos nós quem aceleramos as rotinas diárias e, sem perceber, projetamos esta aceleração na nossa percepção do tempo.
Neste caso, teríamos uma percepção falsa coletiva, ou melhor, artificial, criada pela aceleração do movimento que impusemos ao mundo moderno. Nós criamos máquinas e mais máquinas para fazer tudo mais rápido. Imediatamente, instantaneamente, se possível. Carros, aviões, computadores, celulares. Pensou, chegou.
Antigamente precisávamos de muito mais tempo para realizar as tarefas. Se alguém queria registrar uma imagem, precisava de tempo para pintar um quadro. Hoje nós temos câmeras digitais que registram centenas de imagens em instantes.
As distâncias que eram percorridas em dias ou semanas hoje são percorridas em alta velocidade. Atravessamos o mundo de lado a lado em horas!
A comunicação pessoal que era por carta, através dos correios hoje é imediata por e-mails, MSN, SKYPE, etc.
A informação que demorou muitos séculos para se organizar, hoje é produzida e distribuída em alta velocidade. Nós aceleramos o mundo. E, talvez, agora, estejamos nos sentindo atropelados pela velocidade que imprimimos à sociedade.
A “imediatice” das coisas, decretou a morte da pausa. Esperar uma resposta, uma carta, esperar um execução de tarefa se tornou sinônimo de tempo perdido, de lerdeza, de ineficiência, de improdutividade.
A natureza tem seu movimento natural de ação, pausa e resultado. É na pausa que a transformação acontece. Coloca-se a semente na terra e pausa para germinação. Sova-se a massa do pão e pausa para a massa crescer. A pausa é o que marca o final de uma fase e o começo de outra. É o período de descanso, de comemoração da etapa terminada, de descanso para se começar uma nova fase.
Mas no mundo atual não há pausas, intervalos ou descanso. As cidades não param, o transito não para, as fábricas não param e nos orgulhamos de nossa produção incessante, não observando o ritmo natural das coisas, ou melhor, atropelando o ritmo natural como se as pausas fossem falhas na produção, retardo nos resultados, ineficiência. E sem intervalos o tempo fica intermitente, incessante, simplesmente não para nunca, não finaliza, não recomeça, se mostra imperativo num eterno continuum. A pausa é o período necessário para o amadurecimento, mas o mundo moderno não chega a amadurecer. A gente come verde, come cru, come frio, come em pé e engata um movimento no outro como uma máquina, sem interrupção.
Uma das intenções com relação às máquinas era que colocando as máquinas para trabalhar por nós, teríamos mais tempo livre para o lazer, a família, os hobbies, o prazer. Mas o que está acontecendo é que não funcionou assim. Hoje além de termos que correr para acompanhar a velocidade das máquinas, elas, também, roubaram a cena doméstica.
Nós passamos grande parte do nosso dia trabalhando para, em última análise, poder consumir. E consumimos, comprando TVs modernas e grandes, comprando assinatura de TVs a cabo, comprando notebooks, comprando celulares, comprando videogames, internet. Isto quando conseguimos decidir qual equipamento comprar, pois todo dia lançam o melhor, o mais novo, o mais moderno, o mais eficaz e não querendo ficar para trás comprando um equipamento que ficará obsoleto em 6 meses nos angustiamos para acompanhar a velocidade do mercado. Não podemos esquecer de mencionar aqui os automóveis, que tem o modelo do ano seguinte lançado em abril do ano corrente. No segmento automobilístico, o futuro chega antes. Bom slogan.
Finalmente, depois de tudo comprado, chega a hora de desfrutar do nosso conforto merecido e nos momentos de descanso em casa com a família, nos retiramos, nos apartamos dos demais e vamos para o nosso computador “de última geração” e nele criamos personagens que habitam e se relacionam com outros personagens nos mundos virtuais, e, inconscientemente, quase sem notar, acabamos trocando vida real por vida virtual, ou seja, vida real por arremedo de vida.
E se não fosse isto, ruim o suficiente, dedicamos o tempo – que seria para o convívio com a família, com os amigos, com as pessoas, com os nossos animais de estimação – para os objetos, as máquinas, as coisas.
Mas o mal não para por aí. Estes mesmos objetos de desejo acabaram se transformando em nossos fiscais e cobradores, em nossos bedéis. Por nos acompanharem, em todos os momentos, são utilizados para nos sinalizar os compromissos com suas agendas e bips, nos encontrar onde quer que estejamos, nos chamar ao trabalho, interromper nossos poucos intervalos, nossas raras pausas, nossos breves momentos de descanso. Onde quer que estejamos somos encontrados e convocados a fazer, a cumprir, a realizar tarefas sem parar, exatamente como as máquinas que criamos.
Parece uma epidemia. As demandas se aglomeram à alta velocidade e os “fazedores”, com suas listas de tarefas em punho, se somam aos milhares, enquanto tentam cumprir uma agenda cada dia mais apertada e corrida na ilusão de ser alguém na vida, numa vida sonhada para se realizar num futuro distante que só irá se concretizar se sacrificarmos o nosso presente. Então, sacrificamos o dia de hoje para “sermos alguém” amanhã, como se hoje não fossemos nada, nada além de máquinas humanas cumpridoras de demandas.
Não sejamos tão negativos, algumas vezes chega o dia em que finalmente somos considerados “alguém na vida” e quando este dia chega, somos importantes demais, ocupados demais, indispensáveis demais e, então, não podemos estar com quem amamos “porque não dá tempo”.
Acabamos criando uma armadilha e ficamos presos nela.
A falta de tempo nos angustia, nos pressiona, nos faz sofrer, e se há um momento em que o tempo desacelera violentamente, é quando estamos sentindo dor, quando estamos sofrendo. Aí o tempo não passa. Fica parado naquela dor. Eis o mecanismo de homeostase para esta loucura. O equilíbrio se torna mais necessário, mais duro quando o desequilíbrio está grande.
Se a vida fosse um carro acelerado, eu diria que a desaceleração pode se dar de três jeitos: Antevendo os fatos, os obstáculos, o motorista reduziria a velocidade antes do choque causado pelo desequilíbrio que esta alta velocidade trás, ou seja, reduziria a velocidade antes de comprometer a saúde física, emocional, familiar, psicológica. Outra opção é deixar para frear em cima da hora, numa emergência, como no caso de um infarto, de um câncer ou divórcio. E a ultima opção, seria o próprio choque. O famoso “não parou por bem, parou por mal.” Nas horas em que paramos em decorrência de um choque de realidade, como quando o filho se envolve no narcotráfico ou ocorre uma enchente, um desabamento, um terremoto e imediatamente a vida muda de perspectiva e o que é realmente importante volta a cena. As pessoas, as vidas, o alimento, o abrigo tudo volta ao seu tamanho real.
Todas estas perspectivas são lógicas e plausíveis. Mas será que, realmente, explicam a sensação de aceleração do tempo?
Será que tudo não passa de uma percepção alterada da realidade, motivada pelo nosso estilo de vida acelerado? Aceitar isto é aceitar que nós aceleramos o tempo, ou melhor, que nós criamos o tempo, pois o tempo do relógio, da rotação e da translação dos astros não é tempo, é movimento e só existe a concepção do tempo na mente humana.
O relógio é o movimento dos ponteiros, o dia é o movimento da Terra ao redor do seu eixo, o ano é o movimento da Terra ao redor do Sol, as horas são frações deste movimento. São pequenos movimentos. E o tempo? O que é o tempo? Imaginação?
Se o tempo é uma criação mental nossa em relação ao movimento. E a aceleração ou desaceleração são atributos do movimento, uma movimentação nossa, uma aceleração imprimida nas nossas atividades diárias, na nossa sociedade, no nosso mundo atual poderia estar impregnando a nossa criação mental chamada tempo. Sendo assim, o tempo pode ser pessoal e coletivo, circunstancial e não haveria relógio no mundo que conseguisse marcar a sensação de tempo que estamos sentindo coletivamente.
Nesta linha de pensamento, se nós aceleramos os movimentos com toda a nossa tecnologia e isto influenciou a nossa percepção do tempo. Desacelerando a velocidade dos nossos movimentos, “o tempo passaria mais devagar”. Se não fizéssemos nada, passássemos o dia descansando, a sensação de tempo mudaria e o dia seria lento, lento. É assim que acontece? As suas férias demoram uma eternidade? O seu domingo, jogado no sofá, vendo TV, não acaba nunca? E não sei quanto a você, mas os meus fins de semana parecem horas, as minhas semanas não passam de 3 dias e os meus meses não chegam a duas semanas e meia. Um mês de férias não dá nem pra começar.
Se o tempo não desacelera quando eu desacelero, ele existiria, então, como uma instância independente? Será que o tempo é apenas uma sensação mental ou ele existe de alguma forma? E se existe, ele está com pressa de que, pra correr tanto?
Se o tempo existe independente de mim e todos sentem que ele está acelerado, negar isto não é saudável. Negar a percepção de uma “realidade” cria confusão. Será que é apenas um descompasso, uma incapacidade dos nossos relógios de mensurarem a dimensão na qual, nós humanos percebemos o tempo? Tornar as máquinas mais eficientes talvez fosse o caminho para sincronizar o tempo do relógio com o tempo da percepção humana. Os nossos relógios que servem para medir o tempo nos dizem que 60 minutos demoram 60 minutos para passar.
A minha mente, que também tem um” relóginho” pessoal não concorda com isto. No “relóginho” da minha mente, 60 minutos estão passando em 40. O mais provável é que o relógio físico esteja certo. E o meu acelerado. Então, quem acelerou fui eu, mesmo que eu esteja parada, sem fazer nada, assistindo TV. Se não são, então, os meus movimentos físicos que aceleram ou desaceleram o meu relóginho mental, que movimento meu faz isto?
Se não é o meu corpo, seria a minha mente? Será que a mente humana estaria acelerada, teria dado um pulo, avançado em relação às gerações anteriores? Será velocidade, evolução? Pensou, está pronto. Pensamento e movimento juntos.
Se há alguns anos eu não sentia o tempo passar assim, quer dizer que este movimento acelerado da minha mente começou a acontecer recentemente. Então, este “salto evolutivo” estaria acontecendo agora, neste período, nestes últimos translados ao redor do Sol.
Será que a minha mente acelerou e o meu corpo não está dando conta de acompanhar? Será que estes meninos e meninas hiperativos são frutos da evolução da espécie? Alguém chame o Darwin, pra mim, aí, por favor!
Se hiperatividade fosse bom, não teria que tomar remédio pra desacelerar.
Quando caminhamos por um parque, observamos os jardins e detalhes da calçada, vemos as pessoas que passam e sentimos a brisa e o calor do sol. Fazendo o mesmo percurso de moto, as coisas mudam. A medida que aumentamos a velocidade, somos forçados a focar a nossa atenção nos obstáculos que insistem em se aproximar de nós enquanto desviamos deles como num joguinho de videogame. A velocidade imprime pressão ao passeio por conta disto. E, enquanto nos preocupamos com os obstáculos, perdemos de olhar para as flores.
Da mesma forma, vivendo uma vida acelerada, temos a nossa atenção mais direcionada aos obstáculos do que às flores. Isto é o mesmo que dizer que perdemos qualidade de vida. Hoje, a quantidade de eventos, informações, atividades que desfilam na nossa vida em alta velocidade age como obstáculo à qualidade de vida.
Estamos indo mais rápido para onde? Hoje em dia não dá tempo de envelhecer. Por conta de uma vida repetitiva tivemos muito do mesmo e poucas experiências originais e, exatamente, por conta disto ficamos com a sensação de ter vivido pouco, nos sentimos jovens e sedentos por mais vida, mais experiências. E, é cada vez mais freqüente vermos “idosos” ativos, fazendo até paraquedismo. Aos 40 anos nos sentimos, ainda, meninos e meninas.
Mas uma coisa eu sei, acelerando, vamos mais rápidos em direção ao fim, à morte.
Então morremos velhos no corpo e jovens na alma e muitas vezes tendo poucas vezes visto as flores ao longo da estrada. Será isto evolução ou degeneração da qualidade de vida?
Em defesa da qualidade de vida, alguns movimentos “Slow” surgiram pelo mundo afora buscando resgatar uma velocidade sadia para os eventos. Tempo para comer, tempo para dormir, tempo para viver no presente. A aceleração do tempo nos remete sempre a uma busca frustrada pelo futuro. O que queremos parece estar sempre além da linha do horizonte. E precisamos correr para chegar lá antes que o sol se ponha e o horizonte desapareça. Talvez esteja aí, a nossa ilusão. O motivo da nossa aceleração. Tentamos chegar ao futuro antes que ele se torne presente, pois acreditamos que o nosso pote de ouro está lá longe, no final do arco-íris. Ilusão, ilusão, ilusão. Corremos atrás de ilusões, de miragens no deserto, e correndo deixamos de ver as flores e quando percebemos a viagem chegou ao fim e ao invés do pote de ouro, encontramos, ao final do dia, inevitavelmente, a dona morte, nos esperando para irmos dormir.
Afinal de contas, você está com pressa de quê?
Artigo enviado por Lisélia de Abreu Marques
Definindo um novo destino
maio 16, 2010 por admin
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Como um ser altamente social, o ser humano vive se incluindo em grupos a fim de se sentir mais seguro e confortável. Sejam esses grupos religiosos, políticos, de trabalho, ou grupos formados no clube em um fim de semana.
Quando não por fatores geográficos ou de nascença, na maioria das vezes pertencemos a esses grupos por questões exclusivas de afinidade. Mas o que acontece quando você não mais tem afinidade com o grupo a qual pertence? Deve-se sair? Permanecer e acatar as decisões do grupo mesmo não concordando com o que os seus componentes dizem ou tentar mudar as pessoas que dele participam?
Acredito que independente da vestimenta coletiva pela qual compartilhamos idéias e que gostamos de ser identificados, somos seres individuais com valores, defeitos e gostos únicos. Viver sob um padrão comportamental regido por filosofias que não mais fazem sentido é negar quem somos em beneficio de instituições e ideologias que não mais acreditamos.
As instituições religiosas e as ideologias políticas podem nos ser muito úteis em nossa busca individual por respostas filosóficas e na nossa atuação constante de moldadores do mundo. Vivenciá-las certamente enriquece o espírito. Entretanto, temos que ter consciência de que tudo se desenvolve e evolui nesse mundo. Ficar apegado a ideologias e instituições que não acompanharam o desenvolvimento humano das últimas décadas é como ficar apegado a um barco velho que não mais cumpre a sua função e que cedo ou tarde se verá em um museu ou no fundo do mar.
Estamos vivendo em um tempo onde muitas amarras ideológicas estão sendo desfeitas pela rápida democratização das informações e pelas novas formas de se comunicar e se organizar em redes sociais na internet.
Munidos de novas idéias e soluções, o novo cidadão global construirá nos próximos anos um mundo totalmente diferente do que costumávamos viver. O excesso de informações, sensações e contatos que hoje vivenciamos em uma única vida nos coloca em extrema vantagem em relação às gerações que nos antecederam. Se, antes, tínhamos que nos adaptar às instituições concebidas e a um conhecimento limitado e mantido por tradições, hoje as instituições que não se adaptarem e as ideologias que não se renovarem a esse novo homem, aportarão suas embarcações em nossos futuros livros de história.
Eduardo Marques
A Era dos Relacionamentos Fast-Food
novembro 26, 2009 por admin
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Messenger, Twiter, Orkut, Facebook, Linkedin. Atualmente, vivemos cercados de profiles por todos os lados. Nestes cardápios humanos, também conhecidos como sites de relacionamentos, nos deparamos diariamente com o espetáculo deprimente da exposição exacerbada de vidas, muitas vezes em poses ridículas. Tudo em prol de se arrebanhar a maior quantidade de amigos, fãs, seguidores, etc. Conhecer gente, se relacionar, ter um milhão de amigos, antes uma obsessão adolescente, virou uma competição neurótica que independe de sexo, idade, crença ou classe social. Hoje, para ser alguém é preciso estar em rede, conectado, plugado, ligado, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Não podemos mais acordar sem dar uma olhada em nossos e-mails no Iphone. Não conseguimos dormir sem antes jogar conversa fora no MSN. Não nos permitimos ir à praia descansar sem levar o notebook e o modem 3G. Não podemos ir a um boteco sem deixar o celular em cima da mesa. Hoje em dia, não basta viver é preciso estar on-line sempre. Tornamo-nos pobres vampiros sedentos por gente. Necessitamos consumir pessoas para elevar nossa auto-estima, para parecermos mais novos, bem sucedidos, felizes. Reféns da nossa própria carência, do medo insuportável de estar sozinho, da vontade de parecer mais do que ser, expomos nossas vidas de forma exacerbada, sem nenhum critério ou bom senso.
Ironia do destino ou não, parece que quanto mais disponíveis on-line estamos, mais sozinhos off-line nos sentimos. Atualmente, conhecer pessoas tornou-se muito fácil. Tão fácil que nem nos preocupamos mais em cultivarmos relacionamentos verdadeiros, seja na vida real, seja na virtual. Afinal, caso aquela pessoa que conhecemos ontem em www.qualquercoisa.com.br apresente qualquer problema é possível substituí-la em um passe de mouse.
A era das relações fast-food está transformando o ser humano em artigo banal, substituível, descartável, ausente de sentimentos e alheio ao que realmente é importante. Às vezes me pergunto: Quando será que vamos aprender a dar valor àquilo que realmente tem valor?
Texto enviado por:
Vanina Machado
Jornalista, especialista em marketing e gestão de pessoas.
A democratização da comunicação.
A veiculação de informações pelas mídias no Brasil esteve por muito tempo nas mãos de seis redes de televisão e de uma dúzia de jornais e revistas mantidas por velhos grupos de comunicação. Tudo o que assistíamos ou líamos era trazido ao nosso conhecimento por estes grupos.
Desta forma, a opinião pública nacional era facilmente conduzida (ou porque não dizer induzida) por estes meios. Foi o tempo da comunicação de mão única que hoje está agonizando.
O fato é que os tempos mudaram e com ele os meios de comunicação. Hoje, final da primeira década do século XXI, qualquer pessoa alfabetizada que tenha acesso a um computador pode conseguir informações sobre quase tudo já produzido pela humanidade. Com o advento da Internet 2.0, as mídias sociais se multiplicaram e qualquer um pode criar e divulgar facilmente o que quiser. De vídeos a textos, passando por fotos e áudio, a internet se tornou o meio real de se conectar a humanidade.
Com ela novos costumes e comportamentos foram criados. Se antes esperávamos o Jornal Nacional nos informar o que houve durante o dia, hoje vamos até a notícia que é divulgada em tempo real por sites e pessoas comuns presentes na grande rede que disponibilizam com seus celulares e computadores tudo o que acontece ao redor do planeta.
A comunicação agora acontece em duas vias. Os telespectadores e leitores que eram passivos, hoje produzem conteúdo e disputam espaço com as empresas que outrora monopolizavam o que era divulgado no país.
Não há mais espaço para grandes figurões. A opinião pública cada vez mais será diversificada e pública! Novos meios de se comprar e se comportar já desenham como os próximos anos serão.
Abaixo um vídeo bastante interessante criado por Gustavo Donda e a equipe da TV1, apresentado na 1ª Conferência Web 2.0 sobre a revolução da comunicação e na economia causada pelas mudanças tecnológicas.
Vejo um mundo cada vez mais cheio de Rafinhas…
Detalhe: Este vídeo é de 2007. Não existia Twitter e nem Iphone.
É impossível prever o que virá! Entretanto, de uma coisa estou certo, viveremos em uma era sem igual!
Seja bem-vindo ao novo mundo da comunicação digital!
Poder da televisão
setembro 8, 2009 por admin
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Parte do filme Rede de Intrigas (Network) de 1976 que foi extraído e utilizado para o excelente documentário Zeitgeist Addendum.
A gentileza como forma de destaque
agosto 9, 2009 por admin
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Viver em grupo não é fácil. A não ser que você seja um eremita, é preciso sim prestar contas à sociedade. Da sua posição como cidadão do País ao microcosmo familiar, a sua condição sempre será avaliada pelos que circundam você; quer queira ou não.
Por tanto, por que não fazer do seu dia-a-dia algo mais agradável para todos? O Estresse em qualquer tipo de relacionamento costuma ocorrer quando uma pessoa passa a ser menos receptiva e mais autoritária ao destacar os seus pontos de vista.
Lembrem-se, todos nós somos diferentes e possuímos as nossas próprias formas de pensar. Ir de encontro com idéias adversas às suas sem respeitar os limites sociais para a boa conduta, lhe trará somente dor de cabeça e chateação.
Na maioria das vezes o ser humano é ensinado somente a repetir o que lhe foi ensinado e não a se comportar em situações contrárias.
Por essa razão, nada melhor do que ser receptivo. Saber ouvir ao invés de só falar. Ser gentil com alguém que lhe é caro é fácil. Fazer isso com estranhos e adversários, só o enobrecerá.
Ajude o próximo e estarás ajudando a si mesmo além de transformar o mundo em um lugar mais fraterno.
Viagem: Peru, Bolivia e a cultura Inca
julho 29, 2009 por admin
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As terras que hoje conhecemos como Américas possuem uma história rica e que não deve ser esquecida. Imensas civilizações e diversos conhecimentos tecnológicos foram desenvolvidos por pessoas que viveram aqui muito antes dos primeiros europeus chegarem. Dentre essas pessoas, um grupo em especial sempre me fascinou, os Incas.
Ao olhar a nossa história, conseguimos até a entender que não foi muito difícil para os portugueses desestabilizar as várias tribos indígenas que haviam aqui. Afinal, elas não chegaram a desenvolver grupos organizados com avanços sociais em grande escala. O que nunca entendi foi como que alguns espanhóis conseguiram dizimar uma das civilizações mais avançadas que já existiu na América do Sul.
Motivado por minha namorada, coloquei uma mochila nas costas e juntos, nos mandamos para a Bolívia, onde iniciamos a nossa viagem. Falar da Bolívia é falar de um passado rico e de um presente pobre. Contrastes que refletem a história latino-americana. O País mais necessitado do nosso subcontinente é também um dos mais abastados em recursos naturais e que hoje sofre uma mudança necessária nas mãos do presidente Evo Morales. Essa mudança que diga-se de passagem é fundamental, foi questionada pela minoria branca que vive em Santa Cruz de La Sierra (que recentemente organizou um golpe para desbancar o presidente e declarar a autonomia do distrito). Problemas internos à parte, a Bolívia ainda engatinha enquanto outras nações sul-americanas começam a se erguer.
Devido a problemas na fronteira com o Peru, permanecemos somente um dia neste belo País.
O que era pra ser um mochilão para absorver os ares do passado se tornou uma aula em tempo real das políticas do presente. Chegando ao Peru, fomos informados de que várias estradas ao sul do país estavam sendo bloqueadas por manifestantes contrários à política neoliberal do presidente peruano Alan Garcia. Este fato por si só tornou o que seria uma simples viagem de La Paz a Cusco em um martírio de 15 horas. Devido às constantes manifestações, permanecemos em Cusco a maioria do tempo. Viagens a Nazca, Ica e outras cidades mais distantes se tornaram impossíveis. Porém, diferente do que se possa imaginar, ficar todo esse tempo em Cusco não foi perda de tempo.
Cusco é uma antiga cidade inca que permaneceu povoada até os dias de hoje. O que faz dela a cidade habitada mais velha do continente.
Apesar de 90% do seu povo pertencer à matriz indígena, a religião predominante na cidade é a católica. O que é visível pelas lindíssimas Igrejas e catedrais que enriquecem a arquitetura da cidade.
O sincretismo religioso criou uma cultura singular que ao mesmo tempo exalta os antecedentes e idolatra os santos cristãos. Um fato curioso é que várias Igrejas da cidade foram construídas sobre antigos templos Incas (Técnica de dominação). Destaque para o Templo do Sol que foi substituído pelo Convento de Santo Domingo. Como na arquitetura local, os nativos possuem as raízes incas expostas em costumes e na fisionomia, mas o espírito na doutrina de Paulo.
Porém, o que mais me fascinou estava por vir. A famosa Trilha Inca de 45 km pelas terras altas do sul do Peru. Aconselho a todos. Apesar do cansaço e dos efeitos da altitude (dá-lhe folha de coca), foi a melhor parte da viagem. Poder se desprender um pouco do mundo e caminhar numa trilha que é mais velha do que o Brasil visitando sítios arqueológicos no caminho não é uma coisa que você faz todo dia. A recompensa ocorre no quarto dia com a chegada na antiga capital dos Incas, Machu Pichu.

Estamos de volta!
julho 29, 2009 por admin
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Depois de um mês sem atualizações, o Pensar 21 volta com tudo.
De férias no trabalho e com uma mochila nas costas, o administrador deste site e sua namorada noiva, embarcaram para os Andes a fim de conhecer mais sobre a cultura Inca.
Uma viagem memorável com direito a quatro dias de Trilha pelas montanhas até chegar a Machu Picchu, renovou as energias e forneceu o gás necessário para iniciarmos um 2º semestre mais produtivo e cheio de novos questionamentos para serem tratados aqui.
Um abraço a todos!
O momento em que vivemos
junho 21, 2009 por admin
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Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.
Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você. O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens. Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.
A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos. Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.
Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.
Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.
Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?
Adeus General Motors
junho 20, 2009 por admin
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Texto por Michael Moore – Traduzido do original em Inglês (Goodbye, GM by Michael Moore)
1 Junho de 2009 – www.michaelmoore.com
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros?
Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?
Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada.
Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.



