A democratização da comunicação.
A veiculação de informações pelas mídias no Brasil esteve por muito tempo nas mãos de seis redes de televisão e de uma dúzia de jornais e revistas mantidas por velhos grupos de comunicação. Tudo o que assistíamos ou líamos era trazido ao nosso conhecimento por estes grupos.
Desta forma, a opinião pública nacional era facilmente conduzida (ou porque não dizer induzida) por estes meios. Foi o tempo da comunicação de mão única que hoje está agonizando.
O fato é que os tempos mudaram e com ele os meios de comunicação. Hoje, final da primeira década do século XXI, qualquer pessoa alfabetizada que tenha acesso a um computador pode conseguir informações sobre quase tudo já produzido pela humanidade. Com o advento da Internet 2.0, as mídias sociais se multiplicaram e qualquer um pode criar e divulgar facilmente o que quiser. De vídeos a textos, passando por fotos e áudio, a internet se tornou o meio real de se conectar a humanidade.
Com ela novos costumes e comportamentos foram criados. Se antes esperávamos o Jornal Nacional nos informar o que houve durante o dia, hoje vamos até a notícia que é divulgada em tempo real por sites e pessoas comuns presentes na grande rede que disponibilizam com seus celulares e computadores tudo o que acontece ao redor do planeta.
A comunicação agora acontece em duas vias. Os telespectadores e leitores que eram passivos, hoje produzem conteúdo e disputam espaço com as empresas que outrora monopolizavam o que era divulgado no país.
Não há mais espaço para grandes figurões. A opinião pública cada vez mais será diversificada e pública! Novos meios de se comprar e se comportar já desenham como os próximos anos serão.
Abaixo um vídeo bastante interessante criado por Gustavo Donda e a equipe da TV1, apresentado na 1ª Conferência Web 2.0 sobre a revolução da comunicação e na economia causada pelas mudanças tecnológicas.
Vejo um mundo cada vez mais cheio de Rafinhas…
Detalhe: Este vídeo é de 2007. Não existia Twitter e nem Iphone.
É impossível prever o que virá! Entretanto, de uma coisa estou certo, viveremos em uma era sem igual!
Seja bem-vindo ao novo mundo da comunicação digital!
A ameaça evangélica
Outro dia ao “zapear” pelos canais de televisão contabilizei nada menos do que dez programas evangélicos sendo transmitidos ao mesmo tempo. Apesar de não concordar com o que é pregado, compreendo que as palavras expostas na TV possam aliviar as dores de milhares de corações desamparados pelo Brasil.
Entretanto, o que me preocupa em relação a essas pregações é o poder concedido pela sua audiência (composta em sua maioria por fiéis que esquecem a razão para abraçar a fé), aos seus lideres. Poder esse que há anos deixou de se limitar ao campo religioso para abraçar a política. Com uma quantidade crescente de seguidores, os lideres neo-pentecostais, sejam eles bispos ou pastores, ganham cada vez mais espaço na política por se utilizar do voto adquirido nos seus palanques midiáticos.
Gostaria de destacar que o dizimo em tais programas é extensamente solicitado para a aquisição de novas igrejas e para mais inserções nas grades televisivas. A Igreja Universal do Reino de Deus, uma bem sucedida empresa, digo Igreja, despontou como modelo para outras como a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Internacional da Graça, a Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra.
Cada vez mais tais igrejas ganham espaço na mídia e infelizmente isso em breve se repetirá na política quando suas ovelhas as seguirem nas urnas. Com isso, temas como células-tronco, união civil de homossexuais e outros temas morais se verão barrados por uma nova aliança entre política e religião.

Com Deus como cabo eleitoral, poderão ironicamente nos levar a uma nova Idade das Trevas. Para os que não conhecem, a Idade das Trevas foi o período de declínio cultural observado na Europa entre a queda de Roma à ascensão do Iluminismo no século XVII. Foi nessa parte da história da humanidade em que a fé cega e a política geraram uma estagnação e atraso social de aproximadamente mil anos.
É preciso ter cuidado.
Eduardo Marques
Dualidade política

A eterna luta entre Direita X Esquerda
A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo. Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.
Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro. Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses. De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder. É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.
Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.
Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.
Eduardo Marques
Poder da televisão
setembro 8, 2009 por admin
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Parte do filme Rede de Intrigas (Network) de 1976 que foi extraído e utilizado para o excelente documentário Zeitgeist Addendum.
Globo X Record
Nos últimos dias a guerra velada entre as duas maiores emissoras de televisão do Brasil finalmente se tornou pública e foi aos tribunais. A verdade é que por muitos anos a Globo deteve o monopólio da comunicação do Brasil. Com um alcance maior do que o dos Correios, a empresa dos Irmãos Marinho esteve presente na vida dos brasileiros de norte a sul do país do Bom dia Brasil à novela das 8. Contudo, a partir da compra da Record pela Igreja Universal, a rede de televisão que estava falida se desenvolveu rapidamente e começou a preocupar a Globo.
O problema é que nesta disputa, ninguém está limpo. A Globo possui um passado questionável e a sua posição em questões políticas é visível. Porém, a Record não é uma rede isenta e imparcial. Por trás da empresa há um pensamento religioso preconceituoso que claramente quer difundir sua fé de forma unilateral.
Não nego que nesta disputa tenho apreciado as acusações feitas contra a Globo (algo que desconheço ter sido feito por alguém, apesar de muita sujeira já ter sido demonstrada pela BBC no clássico documentário Além do Cidadão Kane). Preocupo-me, porém, com a possibilidade de outra rede de televisão nacional ascender com um novo monopólio defendendo a sua visão religiosa.
Se as pretensões de Roberto Marinho se limitavam ao Brasil, as de Edir Macedo (como acabo de ver em sua entrevista na Record) parecem não ter limites. Já possui mais igrejas pelo mundo do que o Brasil em embaixadas e consulados. E, além disso, quer invadir o mundo árabe com a sua fé.
Em relação a essa disputa, parafrasearei o Jornalista Marcelo Cunha da Terra Magazine.
“Nessa, e nessa apenas e por agora, estou com a Globo. Já o estimado leitor, faça a sua escolha. Se o bispo ganha, e ele pode ganhar, logo, logo, não tem mais escolha”.
Não importa quem vença, no final quem perde é você!
Edir Macedo ensinando a pedir dinheiro
A Record respondendo aos ataques globais
Matéria relacionada:
A Globo e você
O momento em que vivemos
junho 21, 2009 por admin
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Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.
Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você. O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens. Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.
A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos. Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.
Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.
Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.
Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?
Adeus General Motors
junho 20, 2009 por admin
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Texto por Michael Moore – Traduzido do original em Inglês (Goodbye, GM by Michael Moore)
1 Junho de 2009 – www.michaelmoore.com
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros?
Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?
Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada.
Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.
Prevendo o futuro
junho 4, 2009 por admin
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O acidente do vôo 447 da Air France tomou conta dos noticiários globais nos últimos dois dias. Como em todo grande acidente, depois da comoção sempre aparece alguém que diz ter tido sonhos premonitórios sobre o evento ocorrido. Porém, neste caso ocorreu o inverso e graças ao advento da Internet colaborativa, onde a pessoa interage e cria conteúdo, ficou registrado em um tópico de uma comunidade sobre Ufologia e Espiritualidade do Orkut o sonho de um usuário. No post de 29 de maio o mesmo afirmou ter tido um sonho onde um avião da Air France caia no mar. Vale lembrar que o acidente ocorreu na madrugada do dia 31 de maio.
Isso me fez refletir sobre a nossa percepção de tempo. Sem cair no critério de se o caso ilustra ou não um exemplo real de sonho premonitório, me coloquei a pensar em como explicar o fenômeno através de uma dedução lógica.
Para mim o tempo não funciona numa linha linear de passado, presente e futuro. Funciona de forma constante e em sincronia. Ao ver desse modo, é possível sim você conseguir ter premonições. Veja o exemplo…
Tudo funciona em sincronia. Olhe o nosso organismo! Ao me ferir com um corte, cada célula trabalha isoladamente para se regenerar. Este fato desencadeia uma onda de ações de outras células que complementam a primeira e produzem as nossas reações de recuperação. Há uma linha de tempo de recuperação, mas as ações são constantes. Um exemplo similar seria o que ocorre quando os planetas do nosso sistema solar completam suas órbitas para manterem o equilíbrio gravitacional que torna a vida possível na Terra. Cada um faz a sua órbita, mas ao entender os seus trajetos, conseguimos prever eclipses e alinhamentos no percurso.
Com o tempo não deve ser diferente. Todos nós fazemos parte de um sistema que funciona em sincronia. Apesar de o nosso livre-arbítrio nos dar “liberdade” para criar nosso destino, este não deve se distanciar muito de uma linha padrão de comportamentos. Sendo assim possível para algumas pessoas conseguir ver ou pressentir o “futuro”.
O fato de algumas pessoas conseguirem prever o futuro nada tem a ver com misticismo ou magia, de crer ou não crer e sim com entender como as coisas funcionam.
Veja aqui a “previsão” postada no Orkut.
Dado interessante: Após a divulgação da previsão, a humilde comunidade passou de 500 para mais de 7000 pessoas em 48h.
Eduardo Marques
A classe média brasileira
No Brasil todos querem ser de direita. Todos querem ter carro, eletrônicos, viajar, consumir e se divertir.
Para ser bem aceito, mostrar que sabe das coisas, o cidadão classe média padrão brasileiro (aquele que vem pré formatado de fábrica), assina a VEJA, reclama do presidente e acha que privatização é a solução do Brasil, além de apontar que a influência do estado deveria ser minima, pois só o investimento privado pode salvar a nação.
Afinal, existe muita corrupção com o dinheiro público não é mesmo?
Não percebem que não é a atuação do Estado que tem que ser menor e sim o serviço do estado que tem que ser melhor.
Lembre-se, a função do estado é servir o povo e isso não é necessariamente o foco da iniciativa privada, que visa o interesse próprio acima do bem coletivo.
O pessoal tende a confundir a ineficiencia do estado tendo como base o modo como ele está sendo aplicado nesta epoca com a sua real utilidade.
No final nas contas, quem manda no estado é o próprio capital, o interesse privado pois tudo é feito pensando nas empresas.
Um simples exemplo disso:
A matriz de transporte brasileira é baseada em rodovias porque foi preciso agradar as empresas de borracha, as industrias automotivas que iriam se instalar no país e outras empresas americanas e europeias no passado. Se o Estado realmente se importasse com o povo, teria instituido um sistema ferroviario que é muito mais lógico e inteligente para as nossas proporções.
O problema do nosso estado é que ele pensa muito mais no dinheiro do que no desenvolvimento.
A verdade é que é muito mais facil culpar o estado, ir na onda, tirando o foco do articulador-raiz do problema que é o poder desenfreado da iniciativa privada aliada à corrupção criada pelos membros responsáveis pelo estado.
LOST
Lost é considerado por muitos críticos a melhor séria de televisão da atualidade. Compartilho dessa idéia e explicarei porque este seriado de suspense/drama e porque não dizer ficção cientifica, conseguiu angariar tantos fãs ao redor do mundo.
Diferentemente de outras séries e novelas, Lost não é *Mainstream, não foi feito para todos.
J. J. Abrams e Damon Lindelof, criadores da série, apostaram alto quando decidiram contar de forma intrigante a história de um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha do pacifico. Ao invés de abordar os problemas de relacionamento, base comum a quase toda novela/seriado, resolveram colocar o telespectador como um dos personagens. Simplesmente perdido numa trama cheia de mistérios.
O que encanta ao começar a assistir a primeira temporada de LOST é que ao invés de você saber o que acontece no plano maior das ações (como ocorre no cinema, quando você assiste o vilão indo pegar a mocinha desprevenida), você sabe exatamente a mesma coisa que o personagem no momento. Está tão “perdido” como ele. Além de explorar esse lado, os produtores utilizaram de muita filosofia para construir os personagens, algo que ficou evidenciado nos nomes de alguns, vide John Locke, Desmond Hume e Rousseau.
Entretanto, no decorrer das temporadas os mistérios que outrora fantasiosos se mostram reflexos de desencadeamentos anteriores. O fantasioso dá lugar à cientificidade e assim, a ficção cientifica toma a rédea ao tentar explicar os mistérios criados em cinco temporadas.

Logo de uma das estações de estudo da Dharma Initiative
O mais divertido de assistir Lost talvez não seja o fato de acompanhar a saga e sim, de discutir as teorias criadas por uma imensa comunidade global de fãs do seriado. Hoje, tanto produtores como fãs, criam materiais extras para divertimento e apoio para o telespectador achar as soluções dos mistérios criados. O Lost Experience jogo de realidade alternativa é somente um desses materiais que povoam a internet.
Há até alguns fãs que questionam se os produtores sabem o que estão fazendo , se estão simplesmente enrolando. A verdade é que o seriado já tem data para acabar. Será em maior de 2010 com o término da sexta temporada. Afinal, o seriado é um bem bolado mistério que tem sido resolvido nos últimos cinco anos com maestria incomum em séries televisivas.
Fica aqui a minha sugestão para você continuar assistindo ou começar a assistir a série.
Afinal, “Only fools are enslaved by time and space”
Eduardo Marques
Uma humorada solução para os fãs de LOST
Mais info:
*Mainstream é o pensamento corrente da maioria da população. Inclui tudo que diz respeito a cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa.



