Brasília de Arruda, Roriz ou dos brasileiros?
Brasília é uma cidade singular de difícil comparação com qualquer outra no país. Seja por seus defeitos ou acertos, a sua distância das outras capitais ou o seu alto padrão de vida, a capital do País sempre respirou um ar diferente. Independente disso, ela se assemelha quando o assunto é corrupção. O verdadeiro mal generalizado desse País.
Às vésperas de completar cinqüenta anos, a cidade presenciou o seu maior escândalo político na esfera regional até então. Para uma maior compreensão dos que são de fora, a cidade possui dois universos distintos com uma pequena intersecção entre eles.
Há a esfera Federal e a esfera Distrital. A primeira é formada por funcionários públicos provenientes de todo o país que trabalham nos órgãos governamentais da federação e que possuem uma excelente qualidade de vida. A elite política dessa esfera é eleita por todos os brasileiros a cada quatro anos. Já a segunda, é formada pela composição distrital. Homens e mulheres provenientes em sua maioria dos estados de Minas Gerais, Goiás e do nordeste brasileiro. Eles formam o grosso dos habitantes do DF. Assim como os primeiros, esses homens e mulheres vivem na cidade sob a direção do Governo do Distrito Federal.
O Governo do DF por muitos anos foi conduzido (se não me engano foram quatro mandatos) por Joaquim Roriz. Político populista que fez do entorno de Brasília uma grande favela, ficou conhecido por fazer um governo direcionado a amigos. Encheu a máquina pública de parceiros (para não dizer comparsas) e governou o DF como quem comandava uma fazenda.
Após anos de desgovernança, cedeu lugar a José Roberto Arruda. Este, perdoado pelos brasilienses no caso do painel do Senado, aparecia como uma esperança de um rumo melhor à Brasília que até então assistia a uma luta desenfreada entre o PMDB e o PT a cada eleição. Eleito, Arruda enxugou as secretarias e desfez a maioria dos cabides de empregos de Roriz. Com a ajuda do vice-governador Paulo Octávio, transformou a gerência fazendária herdada de Roriz em uma administração empresarial.
Porém, o que parecia bom demais para ser verdade foi descortinado recentemente pela Polícia Federal. Ao que tudo indica, Arruda conseguiu apoio da base governista anterior (fiel a Roriz, como quem é temente a Deus) na base da compra de votos. O agora conhecido Mensalão do DEM do DF.
Isso nos remete a uma indagação. Até quando ficaremos quietos? Por décadas e décadas não só em Brasília, mas em todo o país, os governantes que deveriam direcionar nossa nação ao desenvolvimento são conhecidos por se apropriar do dinheiro público. Reclamamos e depois de um tempo as coisas continuam como se nada tivesse acontecido.
Uma reforma política é necessária e devemos lutar por isso. A democracia no Brasil ainda é defeituosa. Os estudantes que invadiram a Câmara Legislativa devem continuar lá, pois é indignante saber que de vinte e quatro deputados, somente cinco não foram mencionados pela PF na Operação Pandora. Se há alguma esperança na Câmara Legislativa do DF, ela está nas mãos de Chico Leite, Erika Kokay, Cabo Patrício, Paulo Tadeu e Reguffe.
Acorda Brasil!
Eduardo Marques
Entre o Estado e o Livre Mercado
Dando continuidade ao artigo: Apagão político, gostaria de expor alguns fatos e idéias a cerca de um tema que desperta a paixão política de vários brasileiros. Afinal, devemos apoiar nossa economia na mão do Estado ou na mão invisível do livre mercado?
Adam Smith em A riqueza das nações defendeu a ampla liberdade do mercado sem a intervenção do Estado. Ele dizia que a própria interação dos indivíduos ordenaria o funcionamento do comércio. Por outro lado, países que se apoiaram fortemente sobre essas premissas sentiram um forte baque quando a crise econômica despontou. Diga-se de passagem, a Islândia simplesmente faliu.
Já países que possuem sua base em uma economia estatal acabam criando monopólio e em muitas vezes misturam interesses políticos com os rendimentos da empresa.
Diante desse quadro o que fazer? Acredito que devamos utilizar um pouco de cada coisa e temperar bastante com parcerias público-privadas, as famosas PPPs.
Tendo em visto isso, creio que deva ficar na mão do Estado o controle de nossas reservas naturais e recursos básicos como saúde, educação e segurança. Em contrapartida, cabe a iniciativa privada desenvolver as outras áreas. Porém, isso deve acontecer com a chancela do governo através dos órgãos reguladores. Se deixarmos o próprio mercado se regular, provavelmente o interesse exclusivo do lucro se sobrepujará ao interesse da prestação de serviço que privilegia a sociedade. Um exemplo disso é o que normalmente ocorre em licitações para recapeamentos de autopistas onde a empresa ganhadora presta um serviço de péssima qualidade para que no próximo ano as estradas estejam novamente destruídas e ela possa ser recontratada.
Entretanto, na outra mão temos o problema do mau-gerenciamento público que por muitas vezes ocorre pelo fato de políticos ocuparem cargos que deveriam ser técnicos e pela limitadíssima visão de implementação de metas de governo e não de nação.
Isso está começando a mudar, pois com a popularização da internet, está ficando cada vez mais fácil ao cidadão verificar e cobrar nos sites do governo a aplicação dos princípios constitucionais da administração pública. Para os que não a conhecem são os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Enfim, apesar de muita gente pedir uma menor intervenção do estado para poder privatizar tudo, temos que lembrar que não é a atuação do estado que tem que ser menor. É o serviço do Estado que tem que ser melhor. E este só será quando tivermos um povo instruído e que cobre. Infelizmente, ainda estamos num patamar aonde é muito comum pessoas instruídas confundirem a ineficiência da gestão do Estado com a sua função de ser.
Eduardo Marques
Apagão político
Que oportuno foi ao PSDB e a certos segmentos da mídia o apagão que deixou sem energia metade do país na última semana. A falha que gerou o blecaute deve ser investigada e medidas devem ser tomadas a fim de se evitar novas surpresas. Entretanto, o que se vê na mídia é uma supervalorização do tema com a finalidade explicita de expor politicamente a administração do governo petista.
O que me deixa chateado com tudo isso é o jogo interesseiro de ambas as partes. Tanto da direita como da esquerda. De um lado o governo fala que nada de importante aconteceu, quando de fato aconteceu. De outro, a oposição age como um urubu que quer destrinchar o tema até os ossos.
Enquanto isso, milhares de cidadãos (que realmente se preocupam com o país) acabam abraçando ideais de um lado ou de outro na ilusória esperança de que algum esteja correto. Partidários de esquerda e direita se digladiam verbalmente pelos fóruns na internet como se ambos não desejassem um país melhor. O que todos nós precisamos entender é que nem só de estado ou livre mercado, se vive hoje em dia.
Eduardo Marques
A ameaça evangélica
Outro dia ao “zapear” pelos canais de televisão contabilizei nada menos do que dez programas evangélicos sendo transmitidos ao mesmo tempo. Apesar de não concordar com o que é pregado, compreendo que as palavras expostas na TV possam aliviar as dores de milhares de corações desamparados pelo Brasil.
Entretanto, o que me preocupa em relação a essas pregações é o poder concedido pela sua audiência (composta em sua maioria por fiéis que esquecem a razão para abraçar a fé), aos seus lideres. Poder esse que há anos deixou de se limitar ao campo religioso para abraçar a política. Com uma quantidade crescente de seguidores, os lideres neo-pentecostais, sejam eles bispos ou pastores, ganham cada vez mais espaço na política por se utilizar do voto adquirido nos seus palanques midiáticos.
Gostaria de destacar que o dizimo em tais programas é extensamente solicitado para a aquisição de novas igrejas e para mais inserções nas grades televisivas. A Igreja Universal do Reino de Deus, uma bem sucedida empresa, digo Igreja, despontou como modelo para outras como a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Internacional da Graça, a Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra.
Cada vez mais tais igrejas ganham espaço na mídia e infelizmente isso em breve se repetirá na política quando suas ovelhas as seguirem nas urnas. Com isso, temas como células-tronco, união civil de homossexuais e outros temas morais se verão barrados por uma nova aliança entre política e religião.

Com Deus como cabo eleitoral, poderão ironicamente nos levar a uma nova Idade das Trevas. Para os que não conhecem, a Idade das Trevas foi o período de declínio cultural observado na Europa entre a queda de Roma à ascensão do Iluminismo no século XVII. Foi nessa parte da história da humanidade em que a fé cega e a política geraram uma estagnação e atraso social de aproximadamente mil anos.
É preciso ter cuidado.
Eduardo Marques
A década do Brasil 2010 – 2020
Que a primeira década do século XXI pertenceu a China, não há dúvidas. Ao entrar na OMC em 2001, colocou mais de um bilhão de trabalhadores no ciclo do consumo mundial e transferiu o eixo da economia no mundo.
Este acontecimento deu início a um mundo multipolar. Nem com novos “11 de setembro” os EUA restabelecerão sua hegemonia.
O fato é que o mundo mudou. Nessa nova variação, outro país começou também a ganhar espaço na política internacional. Apesar de todos os defeitos que ainda possui, o Brasil passou pela grande crise dos bancos com apenas pequenos arranhões enquanto nações desenvolvidas ainda respiram por aparelhos.
Por mais que falem mal do presidente Lula, ele sem dúvida entrará para a história de nossa nação como o responsável pelo Brasil que veremos nos próximos anos. Parafraseando o mesmo em seu mais famoso jargão, “nunca antes na história desse país” o Brasil cresceu tanto. Elogiado lá fora por suas políticas sociais, diplomáticas e de liderança, é visto normalmente por nossa mídia nativa como um simples populista.
A verdade é que no seu governo o cara achou o pré-sal, trouxe a Copa, as Olimpíadas, inseriu o Brasil no G20, incluiu 30 milhões de pessoas na classe média, aumentou as exportações, eliminou a dependência do Brasil com o FMI e se tornou reconhecidamente pelo mundo o representante da nova América Latina.
Na área comercial também faz bonito. Hoje é maior parceiro comercial de todos os países do Cone Sul e tem grande atuação com todos os outros países da América Latina e de língua portuguesa. Se antes os produtos industrializados tinham um maior apelo comercial, hoje são as commodities as cartas da vez. Tendo a maior área de plantação existente, poderemos alimentar o mundo. Com a provável entrada da Petrobras na Opep e com a expansão agrobusinnes, venderemos cada vez mais para o crescente mundo em desenvolvimento que necessita de produtos básicos.
Apesar disso tudo, ainda existem pessoas que não acreditam em nossa expansão pelo simples fato de não concordarem com o governo existente. Ou pior, por não quererem que o sucesso aconteça nessa gestão. Isso me remete ao meu texto anterior sobre a dualidade política. A verdade, meus amigos, é que independente de governo, o importante é crescer e ganhar confiança. Dentro de poucos anos, a política mudará completamente com a verdadeira democracia que virá da internet. Mas isso é assunto para um novo post.
Esqueçam as picuinhas políticas! Essa é a chance de nos unirmos por um ideal real. Sejam as Olimpíadas ou a Copa, essa é a nossa hora de crescer. Eu mesmo fui contra as Olimpíadas. Entretanto, depois de escrever sobre como a Copa seria bom para o país , já consigo ver como o Rio e o Brasil se beneficiarão dos jogos.
Veja também:
- Dualidade Política
- O Desenvolvimento do Brasil para a Copa do Mundo de 2014
- O Rio de Janeiro e as Olímpiadas de 2016
- Palestra do economista Ricardo Amorim na 9º feira de gestão da FAE em Curitiba
- Dados do CIA World Fact book – Parceiros de Importação no Mundo
- Projeto do estádio Beira Rio em Porto Alegre para a Copa do Mundo de 2014
- Projeto do Rio de Janeiro para as Olimpiadas de 2016
Dualidade política

A eterna luta entre Direita X Esquerda
A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo. Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.
Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro. Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses. De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder. É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.
Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.
Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.
Eduardo Marques
O Desenvolvimento do Brasil para a Copa de 2014
Por muitos anos o Brasil foi chamado de o País do Futuro. Este misto de mantra com profecia se enraizou de um jeito na mente do brasileiro que hoje ele o interpreta mais como uma crença do que como uma certeza de que este futuro um dia chegará. Na verdade, muitas barreiras precisam ser ultrapassadas para podermos de fato servir de exemplo ao mundo. Porém, há uma real chance de isso acontecer em curto prazo.
Citarei alguns fatos que me levam a crer nisso:
- Apesar de toda a corrupção enraizada no poder, somos a democracia mais transparente do grupo de economias emergentes que ficou conhecida como BRIC (Brasil, Rússia, China e índia).
- Com a estabilização do real, o planejamento e o investimento se tornaram possíveis e o consumo interno ascendeu vertiginosamente alcançando hoje grandes parcelas dos públicos C, D e E, que outrora eram ignorados.
- A conscientização verde que hoje eclode pelo mundo já faz parte dos nossos hábitos há alguns anos.
O fato é que apesar de estarmos crescendo em alguns aspectos e de começarmos a ter mais destaque internacional, falta-nos ainda um grande ponto. A EDUCAÇÃO. Somente com um ensino forte, teremos um País forte. Por mais que haja exceções, ainda somos identificados pelo carnaval e pelo futebol; pelo jeito fácil e pela informalidade.
Em cinco anos estaremos hospedando um dos maiores eventos esportivos do mundo e com certeza o problema da educação não terá sido resolvido até lá. Entretanto, como uma ironia do nosso maior pecado, não será a razão que nos mudará da posição de melhor país do 3º mundo para uma das últimas posições da categoria de 1º mundo. Será a nossa paixão. Esse sentimento, por muitas vezes irracional que nos leva a cometer atos impensados, fará o Brasil se desenvolver como nunca visto na próxima meia década.
A Copa do Mundo de 2014 é a oportunidade perfeita para toda a nação abraçar um ideal. Não deixaremos de ser o país do futebol e do carnaval e incrivelmente isso não será o problema maior do nosso desenvolvimento. Pelo contrário, abraçando o que nos torna o que somos, iremos desenvolver e, à brasileira, traçar a nossa ascensão. Ao apresentar ao mundo um país moderno, teremos chegado a um ponto sem volta. A atual baixa-estima terá dado lugar a um sentimento confortador de capacidade que ocorre quando há união por um ideal. Daí para frente, a educação que tanto foi ignorada será então valorizada como a ferramenta que nos levará adiante.
O momento em que vivemos
junho 21, 2009 por admin
Arquivado em Destaques, Espiritualidade, Life Style, Mídia, Política, Sociedade
Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.
Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você. O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens. Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.
A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos. Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.
Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.
Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.
Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?
Adeus General Motors
junho 20, 2009 por admin
Arquivado em Destaques, Life Style, Meio ambiente, Mídia, Política, Sociedade
Texto por Michael Moore – Traduzido do original em Inglês (Goodbye, GM by Michael Moore)
1 Junho de 2009 – www.michaelmoore.com
Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.
Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?
É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo.
No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.
Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.
Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros?
Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.
Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?
Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada.
Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:
1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.
Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.
As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.
A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.
Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.
2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.
3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.
4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.
6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade)
7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.
8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.
9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.
Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.
Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.
Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.
Dinheiro e Poder
Levanta-se a questão de que dinheiro não é a raiz dos problemas, mas o poder. Uma tentativa interessante de alterar o foco dos problemas concretos para um lado mais abstrato ainda não totalmente esclarecido.
(O que é poder? Várias definições, vários níveis, nada concreto)
A primeira forma de analisar a jogada é que o dinheiro causa problemas em todos os níveis da esfera humana, seja na macroeconomia mundial até a microeconomia familiar. Já o poder não tem um padrão. Mesmo o poder dos pais acima dos filhos por hierarquia está hoje desvirtuado. Isso mostra que o poder é volátil e relativo às condições do ambiente, portanto não é uma causa, mas conseqüência.
Sistema Poder e Dinheiro:
Poder e dinheiro para existir é preciso que haja consenso. Se uma pessoa consente em ceder seu poder à outra, então temos a acumulação de poder. Poder corrompe, portanto teremos abuso de poder assim que as condições de ambiente falarem mais alto (ex: para ter mordomias e tempo livre, as antigas sociedades viviam com trabalho escravo. Em uma cidade a população escrava expressivamente superior a considerada cidadã, como exemplo, Roma).
Assim que o poder demanda mais poder, ele precisa de ferramentas. Vem o dinheiro como ferramenta de acumulação e abuso de poder. Hoje, o sistema dinheiro e poder está tão sofisticado que nem notamos sua presença, mas esta evidente: Temos “obrigações” a realizar. Obrigações nada mais são que você ceder o seu poder pessoal a alguém, direta ou indiretamente.
Sendo o poder volátil, mas transferível, temos que destacar que o problema não está na existência do poder, mas na sua concessão. Para melhor visualização, tomem cada ser humano como se fossem unidades natas com 10 de poder. Se alguém no mundo (como presidentes, generais, juízes etc.) tem hoje 1000 de poder, é porque pelo menos 1000 pessoas cederam 1 de poder para ele.
A necessidade de poder:
O poder só é necessário em condições de escassez. Para que alguns pudessem ter mais que outros foi necessário a arquitetagem e uso do poder. Não dinheiro, mas recursos.
Inicialmente terras férteis, arvores e cursos de água foram objeto de lutas entre humanos, devido a sua falta de conhecimento sobre o tamanho do mundo, por condições limitantes geográficas (como habitantes de regiões cercadas de água que temiam ir alem e “cair no limite da terra”) ou climáticas (geadas, glaciação), por sua falta de tecnologia avançada que permitiria novas possibilidades.
Esse principio de escassez norteou a mente humana por centenas de milhares de anos, ate que ele começasse a viver em cidades e iniciar a gestação da civilização, ha aproximadamente 10 mil anos atrás.
O que são 10 mil anos de estruturação civil evolutiva perto de quase 200 mil anos vivendo a deriva da natureza em cavernas? Esse conceito de escassez está fortemente programado em nossa mente, e com o passar dos tempos fomos apenas o sofisticando para servir melhor aos interesses dos sistemas sociais.
Dinheiro hoje:
Hoje temos o dinheiro, antiguíssima invenção que permitiu o controle dos recursos por uma crescente sociedade humana para que não as esgotasse permanentemente. Sinto dizer aos amantes do dinheiro que ela está obsoleta, e atualmente atrasando o próximo passo da civilização. Temos hoje a tecnologia avançada, que nos permite ir ate onde muitos sequer sonham, mesmo sendo contemporâneo delas.
A analogia do impacto do dinheiro na sociedade atual:
“Estamos atualmente a andar montado em lombos de jegues, quando poderíamos estar cortando os céus em um F-22.”
Establishment:
Sempre que algo se organiza e tem certa estabilidade na vida humana, temos a tendência de mantê-lo como está e negamo-nos a mudá-lo. Na sociedade não é diferente, sendo um sistema humano, a sociedade tende a lutar contra mudanças, mesmo sabendo de seus benefícios, mesmo sabendo que sem mudança haverá serias conseqüências.
Em comparação tomamos os conselhos médicos. A pessoa vai ao medico e ele alerta: “Seu estilo de vida, sua alimentação e seus hábitos vão lhe levar a morte em meses! Mude-os o quanto antes!”
As estatísticas mostram que 1 em 10 mudam, mesmo sabendo do risco de morte.
[O por quê que isso acontece necessita toda uma análise psicológica que não cabe aqui nesse momento, mas se for demandado poderá ser postado futuramente]
Temos essa resistência contra mudanças. Criamos à preguiça, o conformismo, as desculpas, e achamos melhor ficar do jeito que está e lidar com as terríveis conseqüências (e lá ficar reclamando e se flagelando e pedindo a deuses misericórdia) do que se auto motivar, enfrentar o comodismo e encarar a mudança. Não queremos pisar fora da zona de conforto sozinhos, que dirá em grupo.
Pra piorar, através do estabelecimento de poderes de alto nível, temos uma resistência ainda maior em mudanças. A esse poder estabelecido, que normatiza e resiste a mudanças damos o nome de Establishment.
Mudança:
A mudança então cabe a 1% de determinados que não se opõem a mudança, alias, vêem na mudança o desafio faltante em sua vida e o acham excitante. Infelizmente esse tipo de pessoa é raro, mas foi esse tipo o responsável por todas as grandes mudanças na sociedade atualmente. A isso se dá o nome de Teoria do 1%. Às vezes se consegue arrastar mais pessoas, porem geralmente o restante das pessoas só se unirão ao 1% assim que virem que o “barco realmente andou”.
Texto por: Silvio Furtado – São Luis, MA
http://www.thezeitgeistmovement.com/


