A revolução do consumidor

junho 14, 2010 por admin  
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O  século  XXI  chegou  e  trouxe  com ele uma mudança radical no modo como fazemos negócios, nos relacionamos em grupo e divulgamos idéias e produtos. Modelos  de  negócios  que  até  o final do século passado funcionavam bem, estão  sendo  colocados em xeque pelos consumidores que não mais querem ser vistos  como  números.  Afinal, o que vem ocorrendo que velhas fórmulas não funcionam mais como antigamente?

A  simples  democratização do conhecimento. Por séculos, os grandes centros urbanos  foram os responsáveis por reunir os pilares: conhecimento e mentes afins,  para  a  produção  da maioria dos avanços artísticos, filosóficos e tecnológicos  que  a nossa sociedade já produziu. Hoje, a internet consegue juntar  de  forma  magistral  a geração e armazenagem de conhecimento com a reunião virtual de pessoas ao redor do mundo.

Neste  novo  contexto, a figura do consumidor passivo do século XX dá lugar ao  cidadão do terceiro milênio, que cada vez mais móvel e conectado, obtêm em  um  clique  informações do que desejar. Assim, nesse novo mundo, velhos modelos  de  negócios tais como algumas profissões,  terão que ser revistas ou simplesmente desaparecerão.

Ao  diminuir  vertiginosamente  a  distância  entre  os “especialistas” e o público,  a internet propiciou ao último a vantagem da informação que antes era  exclusiva  do primeiro. Com essa vantagem, as figuras do vendedor e da publicidade barata simplesmente perdem a força.

Este  novo  cidadão  descobriu  que,  se quiser, tem o poder de aumentar ou destruir  a  reputação de uma marca com extrema facilidade.  De posse dessa noção,  mais  do que nunca ele impõe às empresas de todos os segmentos, que elas   sejam   moralmente   corretas   e   exercitem  sua  responsabilidade socioambiental. Empresas pioneiras, como a Coca-Cola e a brasileira Natura, já entenderam a mensagem e estão se reinventando.

No  livro  Freakonomics  (2005),  de  Steven Levitt, o autor menciona que o moralismo  representa  a  forma  como  as  pessoas  gostariam  que  o mundo funcionasse,  enquanto  a economia representa a forma de como ele realmente funciona.  Se  isso  é verdade, hoje temos a possibilidade real – dentro do aspecto  econômico  atual  -  de  moldarmos o mundo tendo como base valores sociais.

É  o  renascimento da “mão invisível”, de Adam Smith, que orienta o mercado através  da  interação  dos  indivíduos. Com a diminuição da assimetria das informações  -  o  fato  de  alguns saberem mais do que os outros – a idéia cunhada  no  célebre  A  Riqueza  das Nações (1778) ganha mais força do que nunca.

Enfim,  Gutenberg  com  a  criação  da  imprensa  em  1439  lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e na disseminação da  aprendizagem  em  massa. O que nos trouxe ao que somos hoje. Daqui para frente  a  questão  é:  como  você  está colaborando para construir a nossa economia de amanhã?

Fica aqui o desafio.

Eduardo Marques
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O novo capitalismo na era digital

maio 30, 2010 por admin  
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Alguém discorda que a Inovação é a grande saída para construirmos uma economia criativa? Os Tech inovadores têm como mantra “O que você está fazendo pode mudar o mundo ou começar uma nova economia?” É a cultura da geração da generosidade, do movimente-se primeiro e do corra riscos!

Nada novo. Surpreso? A inovação da máquina a vapor criou o capitalismo. Um pouco depois entre 1896 e 1930 nasceram 1.800 fabricantes de carros, sobreviveram apenas três empresas e redesenharam a era industrial! Tanto os inventivos a vapor, como os fundadores da indústria automobilística tinham o sonho de mudar o mundo!

E neste momento, no apogeu da democracia das redes sociais, da inteligência universal e do livre mercado, fundamos a Cyber Humanidade, a Humanidade 4.0! É o espírito pioneiro se renovando, o mundo como um vilarejo, a era do supere-se e a era dos inovadores sociais – pessoas para as quais o outro é um valor em si!

Ingressamos na “Ilha Utopia” de Thomas More?  Que em 1516 escreveu que um dia existirá um mundo onde a não violência é possível, com prosperidade para todos em uma democracia universal, protegendo todas as diferenças e criando outras! Onde o lucro não será nada além do que uma obrigação, e não uma finalidade! Na ilha dissolvem-se as diferenças e fomenta-se a igualdade, eliminando por completo o conflito de suas potenciais possibilidades de materialização!

Ou decolamos na Hiperdemocracia de Jacques Atalli? Uma economia de mercado em que cada qual se mede em relação ao outro? Uma economia do altruísmo? O outro lhe possibilitará compreender que o amor por outrem, e portanto por si mesmo, é a condição da sobrevivência da humanidade? Pois quando mais se dá, mais se recebe, com o mantra – Se eu compartilho, eu não fico sem!

Ou embarcamos na “Aldeia Global” de  Marshall Mc Luhan que previu que o mundo no século XXI seria maravilhoso, uma espécie de “aldeia global”, com todos os seres falando a mesma lingua. Ou vivemos, num mundo onde a liberdade individual é um direito natural e inalienável como disse a quase 200 anos John Locke no livro “Tratado do Governo”.

Olhe em volta, a inovação digital é o motor da proliferação do capitalismo criativo do empreendedorismo da nova era! Da vitória do gosto pelo novo, pela paixão pela descoberta. Bem vindo a era do empreendedorismo digital e da democracia das redes sociais com abundância, velocidade e gratuidade!
Começou timido, com Ebay, Google, Orkut, Linkendin, Buscapé, Uol, Netscape, Paypal, Ning, YouTube, Slideshare, Digg, Blogger, Twitter, Deli.cio.us entre outros! No ínicio era a Wikipedia e sua revolução Francesa digital, mas na multiplicação colaborativa nascem sites como Digg, StumbleUpon,Wetpaint, Hype Machine, e Twine, e um exemplo notável de um coletivismo-emergente, uma nova forma de valorizar a ação comunitária e uma espécie de socialismo digital.

A arena é povoada por novos empreendedores digitais  com o Addict-o-match , The Filter e Collecta! Que são as naus da web semântica 3.0. Use ferramentas para empreender de igual para igual com os Tiranosauro rex do capitalismo primitivo! Conheça o inventivo conceito de Cloud Computing, e sua “deselitização” dos custos de TI e sirva-se de Joyent, Mosso ou da queridíssima Brasileira Locaweb.  Use as apresentações de Animoto, escreva como Machado de Assis com Zemanta. Venda como crommoncraft!

Posicione sua marca como um portal use e abuse de Frontpageslideshow. Utilize o design sensorial que poderá salvar o mundo no Inhabit. Solte o verbo no Podcast Gengibre. Veja como anda sua influência no Twitter no Twinfluence. Deleite-se e aprenda no Twitter, seguindo cientistas, pensadores e filósofos! Ou apenas faça parte da idiocracia seguindo técnicos de futebol ou senadores corruptos!

No Slideshare aprenda todo dia! Engaje sua audiência com Cover it live. Compartilhe documentos com Docstoc ou Scribd. Reveja as metas da sua empresa em KPI Library Navegue nas empresas Brasileiras da economia criativa como Videolog Tv, Ouvi Permission Ad Network, Gaia Creative, Trend Innovation, Camisetaria, Coletivu e Just Mail.

Trabalhou demais, veja a Torrel Eifel, a Ponte de São Francisco em tempo real, lá na Webcams Travel. Então, faça as malas e viaje de uma foma diferente em Singlespotcamping e AirBNB. Colabore contra o aquecimento global e a mudança climática produzindo energia alternativa, comprando e vendendo em Ecotricity, GreenEnergy ou Microgeneration. Adotou o vegetarismo vá no Veggie Trader.

Pinte o sete e exponha e venda seus trabalhos em GiftCardRescue e Drawn. Artesãos ou designers sua feira hyppie é na Etsy, Ponoko ou Spoonflower. Cansou de uma roupa venda no Enjoei.com a releitura dos brechós! Deseja vender as jóias que ganhou do seu ex-namorado vá na Antuérpia digital no site Ex-Boyfriend Jewelry. Precisa alugar algo para seu casamento, festa, reunião, empresa coisas baratas no HireThings! É o mercado das pulgas digitais!

“Nós todos temos algo valioso para dizer” este é o discernimento do site Ether .Vodafone, ABN-Amro, Siemens, Philips e Você estão usando o RedesignMe ou Springspotters para conseguir insigths de inovação, teste de produto e co-creation! Seja um diretor de inovação, dê uma boa idéia na Campbell’s Ideas for Innovation, Dell ou Starbucks. Sensacional! E pagam a você por isso!

Percebe como Open source é libertário, web colaborativa é libertador e a Democracia digital retira a opressão do mundo? Percebe como criamos um capitalismo solidário, criativo e com pitadas do socialismo! Uma nova cultura e economia, a nova propriedade coletiva e descentralização extrema! Sai as fazendas, fabricas coletivas, brocas, picaretas e pás. Entram as apps, scripts, API e redes sociais! Concluiu a Revista Wired!

Inovaçao em massa substituiu a produção em massa! Todos com o objetivo de construir um adorável mundo novo! É o “dot-comunismo” e a tão sonhada humanidade sem barrerira geográficas! Não acredita ainda no socialismo digital? Então, respire! A Replyforall é um site que levanta fundos para caridade, colocando na assinatura do e-mail de internautas anônimos informações sobre entidade filantrópicas! Ou seja, advogados de marcas e seus e-mails maravilhosos!

No Everyday Models e no DOmedia você é um patrocinado. Eles desejam sua atitude! Só cuidado para não sair por aí como um piloto de Fórmula 1. O CrowdSprout é o sindicato moderno dos pais, ele reúne mães que desejam comprar fraldas, cadeira altas, chupetas através de um tipo de leilão online! Pronto, chegou a hora de economizar!

Neighbo é uma plataforma on-line no Reino Unido que congrega os vizinhos, locadores e locatários  para ajudar a melhorar questões práticas da vizinhança! Ou Seja, eleições digitais para síndico! E com transparência radical! O c, mm, n é uma iniciativa open source para criar um modelo de green-car! e-engenheiros voluntários trabalhando por um mundo melhor! Qualquer um pode dar uma ideia para se criar um carro menos poluente e mais econômico!

O inventivo Badtimesbootcamp! ajuda desempregados a entrarem em boa forma, não ficarem deprimidos, criarem networking e encontrar um novo emprego em uma rede social! Em tempos de corte de orçamentos a ShortTask ajuda a encontrar trabalhadores qualificados para as empresas que precisam de ajuda com tarefas que são demasiada pequenas para justificar a contratação de um trabalhador.

Então são tempos de união! Vai ajudar? Vivemos ou não a era da cooperação empresarial? Camarada, contamos com você! Percebeu a árvore balançando? Sai a indústria de trabalho pesado e poluidor e entra o trabalho inteligente e comunitário! Em tempos exponenciais onde o consumismo está saturado, inovação e criatividade são as premissas para navegar neste adorável mundo novo! Está em alta pensar sustentável, fica embaixa o luxo, apenas como status!

Há quanto tempo você não faz algo subversivo? Um amigo disse que a educação de sua filha era toda baseada na repetição! Somos macacos amestrados? Eu discordo, veemente! Ora não somos anjos decaídos! Mas no cenário do capitalismo retrógado (com horários fixos, enjaulados em escritórios) não inovamos, não deixamos fluir nossa criatividade não há espaço para a imaginação! Então, que tal fazer algo completamente diferente?

E você não está na hora de criar, participar, contribuir, ganhar dinheiro e fazer empreendedorismo digital? Crie sua empresa nas horas vagas. Controle a sua vida! Criar um negócio na era digital é sentir-se inserido em um novo mundo! Neste novo mundo, você é o que você compartilha! O conceito de modernidade foi cunhado no século passado! Aprenda mutuamente! Vivemos tempos exponenciais, é o fim da classe média, da carteira assinada e da estabilidade! É a substituição da era do ter pela era do ser!

Os motes do novo século é “Outro mundo é possível?”, “O mundo não é uma mercadoria?” e Você é o que você compartilha!”. Uma dicotomia e dualidade em pleno capitalismo no século XXI  ressuscitar conceitos de Karl Max que previu “Tudo que é sólido, desmancha na rede (no ar)” ou “Humanos de todo mundo, nada temos a perder a não ser o que era nosso”. A inovação não é toda a história, mas é uma grande história! Onde não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras!

Por Gil Giardelli (Especialista em mídias digitais, com 11 anos de experiência na era digital. Co-fundador da Gaia Creative, Justmail do Board da Amanaie e Startupi. Coordena os Cursos na ESPM de Ações Inovadoras em Comunicação Digital e Startups, economia criativa e empreendedorismo na era digital)

Artigo Extraído da HSM Online

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Definindo um novo destino

maio 16, 2010 por admin  
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Como um ser altamente social, o ser humano vive se incluindo em grupos a fim de se sentir mais seguro e confortável. Sejam esses grupos religiosos, políticos, de trabalho, ou grupos formados no clube em um fim de semana.

Quando não por fatores geográficos ou de nascença, na maioria das vezes pertencemos a esses grupos por questões exclusivas de afinidade. Mas o que acontece quando você não mais tem afinidade com o grupo a qual pertence? Deve-se sair? Permanecer e acatar as decisões do grupo mesmo não concordando com o que os seus componentes dizem ou tentar mudar as pessoas que dele participam?

Acredito que independente da vestimenta coletiva pela qual compartilhamos idéias e que gostamos de ser identificados, somos seres individuais com valores, defeitos e gostos únicos. Viver sob um padrão comportamental regido por filosofias que não mais fazem sentido é negar quem somos em beneficio de instituições e ideologias que não mais acreditamos.

As instituições religiosas e as ideologias políticas podem nos ser muito úteis em nossa busca individual por respostas filosóficas e na nossa atuação constante de moldadores do mundo. Vivenciá-las certamente enriquece o espírito.  Entretanto, temos que ter consciência de que tudo se desenvolve e evolui nesse mundo. Ficar apegado a ideologias e instituições que não acompanharam o desenvolvimento humano das últimas décadas é como ficar apegado a um barco velho que não mais cumpre a sua função e que cedo ou tarde se verá em um museu ou no fundo do mar.

Estamos vivendo em um tempo onde muitas amarras ideológicas estão sendo desfeitas pela rápida democratização das informações e pelas novas formas de se comunicar e se organizar em redes sociais na internet.

Munidos de novas idéias e soluções, o novo cidadão global construirá nos próximos anos um mundo totalmente diferente do que costumávamos viver. O excesso de informações, sensações e contatos que hoje vivenciamos em uma única vida nos coloca em extrema vantagem em relação às gerações que nos antecederam. Se, antes, tínhamos que nos adaptar às instituições concebidas e a um conhecimento limitado e mantido por tradições, hoje as instituições que não se adaptarem e as ideologias que não se renovarem a esse novo homem, aportarão suas embarcações em nossos futuros livros de história.

Eduardo Marques
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A Cauda Longa

abril 19, 2010 por admin  
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Um elegante conceito de se fazer negócios baseado na abundância e na colaboração que põe em cheque a lei da escassez; que por sua vez é o pressuposto dominante que alicerça a teoria econômica lecionada nas universidades de todo o mundo. Bem, por fazer tremer as bases da até então “imutável” lei da oferta e procura, esse livro de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, já pode ser considerado um novo clássico.

O livro parte do principio que a Internet nos libertou e nos forneceu ferramentas (até então limitadas às grandes empresas) para sermos criadores e competidores nesse novo mercado global. Porém, mais do que novos comerciantes com alcance além das nossas cidades, nos abriu espaço para explorarmos as nossas individualidades.

A Cauda LongaPor décadas, várias gerações beberam nas informações e conteúdos que provinham de jornais, TVs e rádios.  Não nos era dado escolher o conteúdo. Adaptávamo-nos ao que vinha desses veículos tornando-os parte de nossas vidas.  Porém, devido à democratização das ferramentas de produção, hoje é possível a qualquer um criar conteúdo e competir com empresas estabelecidas à atenção do consumidor.  Um exemplo disso são os vídeos caseiros que conseguem dividir a atenção de um usuário no Youtube com filmes consagrados.  Atualmente, qualquer um pode ter sua voz na grande rede. Ao se desprender da “Cultura de sucessos” que é imposta pelas indústrias do cinema e música, a pessoa comum pode cultivar e desenvolver os seus gostos pessoais em redes cada vez maiores de pessoas que pensam como ela.

A cauda longa em si aparece no aspecto econômico dessa influência cultural propiciada pela internet através do e-commerce. A famosa Lei de Pareto (também conhecida como princípio 80-20), afirma que 20% dos seus produtos correspondem a 80% de suas vendas. Com base nisso muitas lojas limitam a disponibilização de seus produtos nas prateleiras aos que são mais vendáveis. Aos produtos de sucesso.

cauda longaJá na internet o problema de limite físico de estocagem praticamente não existe. Lojas como a Amazon e o Submarino disponibilizam de tudo e os novos consumidores que antes estavam acostumados a consumir somente os sucessos, agora buscam por coisas mais singulares de acordo com os seus próprios gostos. O que poderia ser difícil encontrar em uma loja de departamento comum se faz acessível em tais sites. Estamos saindo de um mercado de massa para um mercado de nichos. O que nos leva a observar as microtendências atuais. Porém isso é assunto de outro livro…

O importante é que o mundo está ficando mais plural com pessoas que criam, consomem e compartilham ao mesmo tempo. Não há mais papeis definidos. As empresas que não se adaptarem a essa nova realidade se verão engolidas pela maior força democratizante de todos os tempos.

A Cauda Longa
The Long Tail (2006) Chris Anderson

Pesquise aqui no Buscapé

Eduardo Marques

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A competição predatória

abril 18, 2010 por admin  
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O clima de competição predatória e de individualismo entre a sociedade nos dias de hoje é crescente. O capitalismo se alimenta da competição. Sem esse processo o sistema econômico atual estaria morto. A competição estimula o desempenho e melhora a qualidade dos trabalhos, serviços e produtos. Todavia ,quando é predatória como no mundo atual, ou seja, quando considera as metas a serem atingidas mais importantes do que o processo utilizado para atingi-las, torna-se desumana e destrutiva.

A competição predatória anula os valores altruístas da inteligência, anula a humanidade dos competidores. A necessidade do sucesso e o medo do fracasso são constantemente lobotomizados num sistema educacional falho que discrimina, julga e credencia a inteligência por um sistema de provas e notas que não estimula o pensar e vai desde cedo repreendendo o estimulo ao raciocínio critico.

Crescemos numa sociedade que tende a ser padronizada, de várias formas, pelo consumo, pela forma de pensar, pela forma de criticar e pela forma de raciocinar é como se fossemos treinados dentro de um modelo padrão.  Nesse modelo fechado somos estimulados a competir por tudo e essa competição tende cada dia mais a ser uma competição fria e racional, onde o emocional é desprezado. As conseqüências? O acelerado crescimento de depressão que caminha na mesma velocidade da evolução social.

A busca incondicional do ser humano por ser o número um é a tendência atual, em muitas situações nem sabemos bem o que buscamos, anulamos nosso emocional, nossa intuição e simplesmente, como robôs, tomamos decisões baseadas em um suposto “padrão”  que nos leva a traçar planos e metas que não necessariamente representem nossa identidade, mas sim o que a sociedade apresenta como a nossa felicidade.

O que se vê é uma comunidade social descaracterizada de personalidade, cada dia mais infeliz no seu interior onde nunca se foi tão útil o uso de mascaras sociais que nos ajudem a demonstrar uma felicidade artificial, ou mesmo a compra dessa felicidade o verdadeiro catalisador do sistema capitalista que através de um consumo superficial e acelerado nos da uma falsa sensação de êxtase transitória.

Pela falta de estímulo ao raciocínio critico, ao pensar , estamos desestimulados a buscar o que realmente nos faça sentir bem. Sempre estamos em busca dos padrões colocados pela sociedade. Construindo uma personalidade vinculada a um perfil de tendência que nos leva a perda do nosso individual e de uma busca pelo auto conhecimento em pró de uma arena predatória que estamos condicionados a estar e sobreviver.

Guilherme Guerato
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Quem sou eu?

abril 8, 2010 por admin  
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Somos gerados no ventre da nossa mãe como se fossemos parte do corpo dela, após o nascimento, temos o cordão umbilical rompido e com o tempo percebemos que existem dois seres, mamãe e eu. Aí identificamos mamãe e dizemos “aquela é mamãe e este sou eu, e logo depois vem a pergunta básica, e “quem sou eu?”

A pergunta básica: “quem sou eu?” move a personalidade a buscar por resposta que satisfaça à pergunta. Usando da “agregação”, a nossa personalidade passa a buscar esta resposta no meio exterior. E através da identificação vai agregando características externas e criando a imagem de quem pensamos ser.

Agrego a nacionalidade e digo que sou brasileiro(a), me identifico com o sexo de nascimento e sou homem ou mulher, me identifico com a região em que nasci e passo a ser carioca, gaúcho(a), baiano(a), etc. Minha raça define se sou branco(a), negro(a), índio(a) ou oriental. A religião que herdei ou adotei passa a me definir também. O nome que me foi dado é a minha bandeira.

Catamos os valores que existiam antes do nosso nascimento e tomamos como sendo nossos valores. Agregamos pensamentos pré-existentes e estes pensamentos nos conectaram a emoções que não eram nossas, mas nós a sentimos e passamos a agregá-las e achar que estes sentimentos somos nós. E passamos a amar um time e a desprezar um inimigo que já existiam antes de nós.

Interior moldado pelo exterior

Interior moldado pelo exterior

Tudo vem de fora e é costurado, digamos assim, como numa colcha de retalhos. E esta colcha de retalhos chamamos de EU.

Este Eu exterior, este “eu” pegado emprestado do meio, é o que chamo de personalidade.

A personalidade é aquilo que é perguntado na hora que vamos preencher um cadastro: nome, endereço, idade, sexo, estado civil, nacionalidade, naturalidade, raça, cor dos olhos, cor do cabelo, escolaridade, etc.

Geralmente quando ouvimos a pergunta “Quem é você?” respondemos usando nosso cadastro: meu nome é tal, sou homem/mulher, tenho tantos anos, sou formado em tal curso, sou casado/solteiro, torço pelo time tal e assim vai.

A pergunta “quem sou eu?” continua sem resposta, mas nosso cadastro serve como uma resposta fácil e imediata e nos acostumamos a identificar a nós mesmos por ele e nos acomodamos com esta resposta. Ao tentarmos nos definir sem usá-lo ficamos mudos. Tente pra ver. “Quem é você? Responda sem usar o cadastro – “Eu sou…” Vou dar uns minutinhos para você se autodefinir… e aí, como foi? Quer tentar mais um pouquinho? Não é fácil não é?

A personalidade tenta responder esta pergunta dia após dia da sua vida. E vai agregando conceitos externos um após o outro, e assim que consegue uma nova identificação, comemora até perceber que esta nova identificação com um conceito ou valor externo não satisfaz à pergunta, e insatisfeita, a personalidade parte em busca de outra identificação. Nem é preciso dizer que ela está constantemente insatisfeita. Percebemos isto observando nossos desejos.

Desejamos ser ricos, desejamos ter um carrão, desejamos status, desejamos poder, desejamos um cônjuge, desejamos filhos, desejamos uma profissão, desejamos aumentar nosso cadastro, na ilusão de responder à pergunta “quem sou eu?” através dele. Mas o nosso cadastro não somos nós. O cadastro pode responder ao verbo estar, mas não ao verbo ser. Estou casado, estou estudando, estou morando… , mas o verbo “estar” não é permanente. O verbo “estar” é um viajante de passagem. Buscamos por algo permanente, algo que não acabe, algo infinito, algo que é.

O nosso corpo é, sem dúvida passageiro e apesar disto é uma das identificações mais fortes que temos. Quando nascemos recebemos um corpo de presente, é o nosso passaporte pra este mundo. É o nosso “AVATAR”. Eu comparo o corpo a um carro. Este corpo, recebemos de presente, todos nós. Cada um recebe um. Novinho em folha. 0 Km. Vem com as características da montadora, com cor, modelo e tamanho já pré-definidos no DNA. Alguns vem com itens de serie a mais, outros a menos. O tipo de veiculo vai influenciar o piloto. Tem carros de corrida, tem caminhões, tem carros para transporte, tem carros de luxo, utilitários, todo tipo de carro pra todo tipo de piloto e missão. E como não podia deixar de ser, nós, os motorista/almas recebemos este carro/corpo e logo em seguida agregamos ao que pensamos ser nós mesmos e pensamos: “Meu corpo sou eu”.

A personalidade é apegada a toda a sua imensa coleção. Olha para o cadastro e para todas as idéias e emoções que colecionou e diz a si mesma: “isto sou eu”. Qualquer coisa que a personalidade entender como perda na sua coleção vai soar como uma amputação, como risco de morte.

Mas a vida é feita de muitas “perdas”. Perdas de coisas que tomamos como nossas e como nós mesmos. “Perdemos” um emprego, “perdemos” um endereço, “perdemos” dinheiro, “perdemos” status, perdemos “um cargo”, “perdemos” saúde, juventude e sofremos como se parte de nós mesmos tivesse sido arrancada.

Por ignorar quem realmente somos nos apegamos a um monte de coisas externas que absolutamente não somos nós e acreditamos ser estas coisas. Esta é uma das grandes ilusões dessa vida. Na verdade ninguém é quem ou o que pensa que é.

A essência humana não é uma coleção de identificações com coisas inanimadas provenientes do mundo fora de nós, não é sequer o nosso corpo, que recebemos ao nascer aqui. A essência humana, a verdadeira resposta para a pergunta “quem sou eu?” não pode ser respondida por identificação ou por agregação de idéias vindas do meio exterior.

A resposta a esta pergunta está no mundo interior e não no mundo exterior. A resposta é pessoal e intransferível porque somos únicos e não é o mundo lá fora quem vai nos dizer quem somos. Paremos de procurar a resposta onde ela não está e a insatisfação, a frustração vão sumir. Comecemos a usar os verbos corretamente: “Eu estou médico”, “eu estou policial”, “eu estou doente”, “eu estou bandido”, “eu estou casado”, “eu estou ignorante”, etc.

Numa vida que é passageira, nada é para sempre, nada é absoluto. As pessoas lutam arduamente para transformar em eterno o que é transitório, numa luta sem chance de vitória. Há pessoas que fazem plásticas atrás de plásticas em busca de uma juventude eterna, de uma beleza eterna, de uma magreza eterna. A vida é como água, ela flui, ela passa. Não dá para segurá-la entre os dedos; se a represar ela evapora e se a confinar ela estagna e apodrece.

E nesta vida passageira, todos se perguntam “quem sou eu?” E imagino que Mário Quintana estava entretido, a indagar-se destas questões fundamentais quando disse que “A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.” Seguindo esta linha de raciocínio, quem seria, então, esse “eu” que pergunta “quem sou eu?” e de quantos eus é feito um ser humano? Tantos quantos forem as camadas de consciência, de fora para dentro, até o EU central, seria a resposta. Imagino que se quem perguntasse fosse o eu-personalidade, – o eu externo – o cadastro satisfaria como resposta, mas não satisfaz, logo a pergunta deve estar sendo feita de um outro lugar, de um “eu” mais profundo, eu suponho. Imagino que quem pergunta é um “eu” que não passa e que pergunta incessantemente “quem sou eu?” para lembrar à personalidade que somos mais do que uma colcha de retalhos do mundo.

Lisélia de Abreu Marques – Brasília/DF
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Poder e mediocridade

abril 3, 2010 por admin  
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Estamos em mais um ano eleitoral e em breve a mesma lengalenga dos discursos simplistas e ilusórios voltará à tona em um coral formado por oportunistas e aproveitadores. Esses verdadeiros vampiros acostumados a sugar dos cofres públicos verbas que serviriam para estruturar nossa nação, serão os protagonistas de várias inserções nas grades televisivas e em toscos “santinhos” que em breve você receberá.

Mas de onde eles aparecem?

Castelo do deputado Edmar Moreira

Na verdade, tenho certeza que você sabe bem de onde eles surgem. Estão ao nosso redor, são colegas e conhecidos que em sua maioria, medíocres, anseiam por poder.  Provindos de uma sociedade onde os valores morais são facilmente substituídos por injeções de satisfação passageira, eles buscam no poder, acesso fácil aos prazeres mundanos.  Com a credencial que o cargo os outorga se sentem senhores acima da lei.  Esquecem que a sua principal finalidade seria servir os que o colocaram em tal posição.

Deixam-se levar pela leviandade presente nessa mesma sociedade em que teriam que consertar.  No final, perdem a importantíssima oportunidade que lhes foi concedida e retardam cada vez mais o amadurecimento de nosso povo.

Já o povo, creditando ao destino seu sofrimento, age passivo, pois sabe que em seu intimo poderia estar fazendo a mesma coisa se tivesse a oportunidade.  Agora lhe pergunto; como mudar então esse ciclo presente a centenas de anos em nosso país?

Agindo com razão e esquecendo as paixões que facilmente são alimentadas por discursos ideológicos que movimentam as massas nesse período. A solução está nas pessoas. Não nos partidos ou ideologias. O comportamento ilibado deve ser a vitrine da pessoa pública que pede para colaborar com a construção de uma nação. Desconfie de soluções miraculosas e de retóricas ensaiadas.  A vida pessoal de quem anseia um cargo de poder deve ser analisada. Ele não fará no seio do poder coisas diferentes do que já fez em sua vida particular.

Hoje em dia é fácil encontrar nas câmaras legislativas de todo o país, políticos com acusações de assassinato, extorsão, roubo e abuso de poder.  Em breve, esses mesmos políticos e outros que anseiam por substituí-los, estarão a pedir o seu voto. Cabe somente a você, mudar o rumo de como se faz política no Brasil. Se ausentar é colaborar com a manutenção do status quo. Como diria o dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Abaixo um vídeo para não se perder a esperança

Eduardo Marques

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Reflexões sobre a Mídia no caso Nardoni

março 28, 2010 por admin  
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Nessa última semana enxergamos o desfecho jurídico de um dos casos mais polemizados pelos meios de comunicação no Brasil. O caso Nardoni, como ficou conhecido, se destacou por colocar em foco o assassinato de uma criança.

Por mais execrável que seja o crime, se torna incompreensível a demasiada cobertura da mídia e a exaltação emocional de populares a cerca do caso. Na verdade, a emoção dos últimos somente ocorreu devido aos préstimos do primeiro.

Curiosos e jornalistas em frente ao forum

Curiosos e jornalistas em frente ao forum

Em um país onde infelizmente crimes hediondos ocorrem regularmente, triste é constatar que as pessoas só se revoltam quando a TV se debruça sobre algo de forma oportuna.  Como um amigo meu bem comentou, esse se tornou o nosso caso O.J Simpson.

O que devemos nos perguntar é: – O que fez com que a TV e os jornais de todo o país escolhessem este crime em detrimento dos outros crimes semelhantes que ocorrem todo dia?

Resposta: Aconteceu na classe média brasileira.

No Brasil, aprendemos a conviver com as misérias à nossa porta, porém, nunca dentro de nossas casas. A divulgação de grande parte dos crimes hediondos que ocorrem em nosso país é feita nos jornais de periferia. Nesses periódicos, casos de decapitação e corpos nos esgotos são fatos comuns. Só que isso não costuma ser notícia em grandes veículos porque ocorre quase que exclusivamente com as classes menos favorecidas da nossa sociedade.

Entretanto, quando crimes desse quilate aparecem nas classes média e alta, o nosso status quo se estremece e faz com que o nada saudável equilíbrio aparente de nossa precária sociedade se veja em cheque.  Vale lembrar que segundo relatório da ONU publicado no último dia 19 de março de 2010, essa distorção de valores sociais, entre pobres e ricos, é a segunda maior do mundo, ficando atrás somente da África do Sul (que já teve um Apartheid).

Seria muito mais proveitoso se a mídia utilizasse de sua força que nos emociona para promover uma necessária mudança de valores em nossa sociedade. Porém, ao invés disso, sai ano entra ano e ela continua a nos escandalizar com mais casos como os do Nardoni, Suzane Von Richthofen e o do assassino do cartunista Glauco.

Eduardo Marques

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A pluralidade das religiões

fevereiro 7, 2010 por admin  
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A Era das grandes matrizes religiosas acabou!

Há alguns anos atrás, quase todos os brasileiros eram católicos. Nasciam em famílias católicas e acabavam por herdar a fé dos seus antecessores.  A regra era ter uma unidade de pensamento religioso.  Porém, os anos passaram e hoje nos deparamos com outra situação.  Tente achar um católico praticante ao seu redor. Com certeza, você terá muito mais dificuldades do que há 40 anos.

Com a ampliação da educação e do maior acesso a outras fontes de conhecimento, muitas pessoas começaram a buscar as suas próprias respostas.  Apesar de ser mais evidente hoje em dia, Isso não é um louro do final do século XX. Na verdade, começou em 1517 quando Martin Lutero, desgostoso dos rumos de Roma, publicou as suas noventa e cincos teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg, Alemanha.  Hoje, só do cristianismo, existem mais de três mil variações segundo a World Christian Encyclopedia. Também, segundo a mesma enciclopédia, existem mais de dez mil religiões no mundo, sendo que muitas são derivações diretas do próprio cristianismo e islamismo. Isso nos leva a observar que cada vez mais as pessoas estão optando por escolher no que querem acreditar ao invés de aceitar os credos pelas circunstâncias. Numa analogia com os sistemas econômicos, abandonamos o Fordismo para adotar o modelo personalizável do Starbucks.

Em um país com menos resistência e maior aceitação, estamos nos tornando uma nação multi-religiosa. Para fator de comparação, em 1970, segundo o IBGE, 92% das pessoas no Brasil eram católicas, 6% protestantes, 1% não possuía religião e tínhamos 1% de outros credos. Hoje lendo o livro Microtendências do americano Mark Penn (2007), deparei-me com uma estatística interessante a qual diz que os umbandistas do Brasil correspondem a vinte milhões de pessoas. Isso é uma vez e meia o número de todos os judeus no mundo, o que me leva a crer que é a nossa perspectiva que marginaliza certas religiões que não fazem parte das grandes matrizes religiosas do mundo ocidental como o Cristianismo, Islamismo e o próprio Judaísmo.

A capacidade de unir as pessoas sob o guarda-chuva de uma única idéia religiosa está diminuindo e é uma tendência que parece não ter volta. O futuro das religiões será cada vez mais o reflexo da nossa própria intelectualidade.

Uma ótima animação para refletir:

Eduardo Marques
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Comportamento como forma de amor

janeiro 10, 2010 por admin  
Arquivado em Destaques, Razao x Fé, Sociedade

Às vezes me pego pensando na efetividade da parábola do Bom Samaritano, em que Cristo ensina o Amar ao próximo como a si mesmo. Para os que não sabem, essa é uma bela passagem do Novo Testamento onde a compaixão e a caridade são mencionadas.

A parábola é a seguinte:

“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.

Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.

Entretanto, dentro em pouco surge um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.

Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.

Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.

Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.”

Se vocês pararem para ver, nesse e em outros trechos do Evangelho o verbo Amar está mais para um comportamento do que para um sentimento. Ao ajudar o enfermo, o Samaritano agiu com compaixão. Exercitou um principio moral. Ele não passou simplesmente a amar (na forma de sentimento) o próximo.

comportamento_internoIsso pode parecer simples, mas na verdade muda e muito a concepção de entender a Bíblia que muitos têm. Vários religiosos acreditam que é preciso amar (na concepção de sentimento) o próximo. E muitos sem mesmo te conhecer dizem: Eu te amo em Cristo. Bem, podem até ter a boa intenção, mas na verdade não me amam. Se amassem de verdade agiriam com comportamentos de amor não com palavras bonitas. Afinal, intenção sem ação não é nada.

Outro ótimo exemplo vem da epístola 13 de Paulo que diz:

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha”.

Em todas essas afirmações o Amor é mostrado como comportamento.

Sentimos amor (sentimento) por nossa família e amigos, mas é muito difícil sentir amor por um inimigo ou alguém que nos cometeu muito mal. Independente disso é possível agir com amor para com eles.

Só temos que nos lembrar que a nossa natureza animal é egoísta. Primeiro pensamos instintivamente em sobreviver e depois em procriar. Dedicar espaço ao próximo sem pensar em benefícios costuma ser um pouco antinatural. Só que a natureza é fantástica! Ao ter que viver em sociedade nos deparamos com questões que nos moldam e que nos fazem aprender, evoluir e a construir o que seremos amanhã.

Estamos em um estágio evolutivo em que, se não aprendermos a amar o próximo, não conseguiremos viver bem em sociedade. Agir com amor deve ser um comportamento que devemos ensinar a todos para  que um dia, enfim, possamos ter um mundo mais justo e belo para se viver.

Bom 2010 para todos!

Eduardo Marques

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