A pluralidade das religiões

fevereiro 7, 2010 por admin  
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A Era das grandes matrizes religiosas acabou!

Há alguns anos atrás, quase todos os brasileiros eram católicos. Nasciam em famílias católicas e acabavam por herdar a fé dos seus antecessores.  A regra era ter uma unidade de pensamento religioso.  Porém, os anos passaram e hoje nos deparamos com outra situação.  Tente achar um católico praticante ao seu redor. Com certeza, você terá muito mais dificuldades do que há 40 anos.

Com a ampliação da educação e do maior acesso a outras fontes de conhecimento, muitas pessoas começaram a buscar as suas próprias respostas.  Apesar de ser mais evidente hoje em dia, Isso não é um louro do final do século XX. Na verdade, começou em 1517 quando Martin Lutero, desgostoso dos rumos de Roma, publicou as suas noventa e cincos teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg, Alemanha.  Hoje, só do cristianismo, existem mais de três mil variações segundo a World Christian Encyclopedia. Também, segundo a mesma enciclopédia, existem mais de dez mil religiões no mundo, sendo que muitas são derivações diretas do próprio cristianismo e islamismo. Isso nos leva a observar que cada vez mais as pessoas estão optando por escolher no que querem acreditar ao invés de aceitar os credos pelas circunstâncias. Numa analogia com os sistemas econômicos, abandonamos o Fordismo para adotar o modelo personalizável do Starbucks.

Em um país com menos resistência e maior aceitação, estamos nos tornando uma nação multi-religiosa. Para fator de comparação, em 1970, segundo o IBGE, 92% das pessoas no Brasil eram católicas, 6% protestantes, 1% não possuía religião e tínhamos 1% de outros credos. Hoje lendo o livro Microtendências do americano Mark Penn (2007), deparei-me com uma estatística interessante a qual diz que os umbandistas do Brasil correspondem a vinte milhões de pessoas. Isso é uma vez e meia o número de todos os judeus no mundo, o que me leva a crer que é a nossa perspectiva que marginaliza certas religiões que não fazem parte das grandes matrizes religiosas do mundo ocidental como o Cristianismo, Islamismo e o próprio Judaísmo.

A capacidade de unir as pessoas sob o guarda-chuva de uma única idéia religiosa está diminuindo e é uma tendência que parece não ter volta. O futuro das religiões será cada vez mais o reflexo da nossa própria intelectualidade.

Uma ótima animação para refletir:

Eduardo Marques
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Comportamento como forma de amor

janeiro 10, 2010 por admin  
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Às vezes me pego pensando na efetividade da parábola do Bom Samaritano, em que Cristo ensina o Amar ao próximo como a si mesmo. Para os que não sabem, essa é uma bela passagem do Novo Testamento onde a compaixão e a caridade são mencionadas.

A parábola é a seguinte:

“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.

Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.

Entretanto, dentro em pouco surge um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.

Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.

Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.

Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.”

Se vocês pararem para ver, nesse e em outros trechos do Evangelho o verbo Amar está mais para um comportamento do que para um sentimento. Ao ajudar o enfermo, o Samaritano agiu com compaixão. Exercitou um principio moral. Ele não passou simplesmente a amar (na forma de sentimento) o próximo.

comportamento_internoIsso pode parecer simples, mas na verdade muda e muito a concepção de entender a Bíblia que muitos têm. Vários religiosos acreditam que é preciso amar (na concepção de sentimento) o próximo. E muitos sem mesmo te conhecer dizem: Eu te amo em Cristo. Bem, podem até ter a boa intenção, mas na verdade não me amam. Se amassem de verdade agiriam com comportamentos de amor não com palavras bonitas. Afinal, intenção sem ação não é nada.

Outro ótimo exemplo vem da epístola 13 de Paulo que diz:

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha”.

Em todas essas afirmações o Amor é mostrado como comportamento.

Sentimos amor (sentimento) por nossa família e amigos, mas é muito difícil sentir amor por um inimigo ou alguém que nos cometeu muito mal. Independente disso é possível agir com amor para com eles.

Só temos que nos lembrar que a nossa natureza animal é egoísta. Primeiro pensamos instintivamente em sobreviver e depois em procriar. Dedicar espaço ao próximo sem pensar em benefícios costuma ser um pouco antinatural. Só que a natureza é fantástica! Ao ter que viver em sociedade nos deparamos com questões que nos moldam e que nos fazem aprender, evoluir e a construir o que seremos amanhã.

Estamos em um estágio evolutivo em que, se não aprendermos a amar o próximo, não conseguiremos viver bem em sociedade. Agir com amor deve ser um comportamento que devemos ensinar a todos para  que um dia, enfim, possamos ter um mundo mais justo e belo para se viver.

Bom 2010 para todos!

Eduardo Marques

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Deus x Religião

outubro 7, 2009 por admin  
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Desde a infância luto incessantemente com minhas dúvidas a respeito da existência ou não de Deus.  E nesta busca para responder a essa pergunta, encontrei respostas muito pessoais e cada um deve tirar a sua própria conclusão, mas neste estudo nada cientifico, uma outra questão me incomodou. O fato de existirem tantas religiões e diferentes credos, até mesmo divisões dentro delas, e o mundo continuar a ser tão carente de paz e amor, me fez questionar a necessidade de termos essas religiões. A conclusão que cheguei é que em verdade, elas são o câncer da sociedade, alimentando rivalidades, guerras, desunião, instigando os fiéis a lutar por mais afiliações a esta ou aquela religião; sempre com o mote da evangelização.

O "castigo divino" é largamente usado pelas religiões

O "castigo divino" é muito usado pelas religiões como forma de controle pelo temor

Desde muito pequeno, fui e sou muito questionador e critico, e simplesmente não me satisfaz apenas ouvir e aceitar o que dizem, sempre há um porquê a ser respondido, sempre haverá uma pergunta a ser feita. Assim me pergunto porquê o Padre ou Pastor ou Rabino, ou qualquer outro lider espiritual pode me dizer o que fazer da minha vida, será que Deus tem ouvidos apenas para esses iluminados?  Se temos um só Deus, porque a mensagem é diferente para Cristãos, Judeus e Muçulmanos?  A conlusão parece óbvia.  As mensagens que eles transmitem são mensagens deles e não de Deus, daí tanta divergência.

Descobri que devemos buscar nossas próprias respostas, perguntar diretamente a Deus que reside em seu coração e é único e onipresente, onisciente em voce, irmão.  Não há necessidade de rituais, de regras, de orações decoradas, apenas diga com a voz do coração, e a resposta será imedata, personalizada e única.

Um abraço a todos!

Artigo escrito por: José Luiz Pimentel de Assumpção – São José dos Campos – SP

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Deus existe?

setembro 8, 2009 por admin  
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Essa é uma pergunta que muitos não têm coragem de se fazer, mas que é extremamente importante para nos entendermos.

Deus existe? Se existe o que é? Por que é? Para tentar responder, convido-lhe a voltar ao passado.

Até pouco tempo, por volta de três mil anos atrás, todo o planeta era politeísta. Civilizações e tribos criavam deuses diferentes para cada ocasião. Esses deuses costumavam personificar os comportamentos e necessidades de cada povo. Hoje ilustram a sua mitologia, como podemos ver nos ricos exemplos das culturas grega e egípcia.

Culto ao Deus Aton

Culto ao Deus Aton

Ainda a três mil anos atrás, para ser mais preciso em 1346 a.c, Amen-hotep IV se tornou faraó do Egito.  Após cinco anos, já como Akhenaton, aboliu o panteão dos deuses egípcios e instituiu o culto ao Deus único Aton.  Isso pode parecer pouca coisa, mas talvez tenha sido ele o criador da idéia do monoteísmo.

Sua tentativa de comandar o Egito sobre a égide de um Deus único sofreu ataques que culminaram em sua morte.  Cem anos após a tentativa fracassada de Akhenaton, viria a terra Moisés. Personagem bíblico que também proveio do Egito, unificou os judeus e os moldou durante os quarenta anos no deserto ao pensamento de um deus único.  Este foi o período necessário para extirpar o pensamento politeísta que até então estava enraizado nos hebreus.  Com uma nova geração de seguidores, tomou Canaã.

Mil anos depois, nasceria Jesus em berço judeu. Até aquele momento, a Judéia era uma das poucas ilhas monoteístas de um mundo politeísta. O pensamento religioso de então que já tinha dado um pulo imenso ao unificar as divindades em uma entidade, viria a conhecer uma terceira etapa…

Com idéias novas sobre fraternidade e igualdade, o pensar cristão ganhou Roma e se propagou.

Desde então, já se passaram dois mil anos e apesar do desenvolvimento cientifico, o pensamento religioso ocidental quase nada mudou. Muita gente cultua até hoje diversos deuses nas figuras dos santos. Afinal, cada santo serve pra alguma coisa né? Outros veneram um Deus que não entendem, mas que acham certo venerar, pois está escrito em um livro.

O pensamento religioso deve evoluir assim como nosso conhecimento cientifico. Hoje existem muitos ateus porque o pensamento religioso atual não é mais o suficiente para as novas mentes. Porém, isso não quer dizer que não haja a figura de Deus.  Para as novas mentes, o Deus cristão, do céu e inferno, de Adão e Eva, já está na prateleira de mitologias.

deusesPor milênios, em todas as civilizações, esteve inerente a crença em algo superior. A crença nessa(s) entidade(s) só mudava em relação à vestimenta.  O ponto de acordo em quase todas elas está no seu ínfimo. No seu denominador comum que é a personificação de um criador por detrás das cortinas.

Talvez esteja no ser humano essa crença cultural de que há alguém olhando por nós e que cuida do mundo. Ela muda de tempos em tempos de acordo com o avanço do conhecimento. Se ele existe ou não, cabe a nós continuar a busca e adaptá-lo à nossa realidade cientifica. Talvez o encontrando, a gente consiga compreender a nossa própria existência ao entender a roda da evolução na qual estamos todos inseridos.

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O momento em que vivemos

Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.

Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você.  O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens.  Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.

A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos.  Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.

Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.

Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.

Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?

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Visão medieval cristã do riso

junho 13, 2009 por admin  
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O riso é motivo de interesse dos homens desde antigos tempos. Aristóteles na Grécia antiga, foi o primeiro filósofo a tratar sobre o tema, observando que o homem é o único animal que ri.

Para Alberti (1999, p. 66), a Idade Média foi um período marcado pela enorme influência eclesiástica cristã sobre o comportamento do povo. O riso era reconhecido como próprio do homem, conforme afirmado por Aristóteles; mas em geral censurado sob o argumento de que Jesus não teria rido em sua vida terrena. Porém, isso é contraditório, pois se Jesus foi o grande modelo humano, o riso torna-se estranho ao homem, ou pelo menos ao homem cristão.

Uma resposta a isso seria que o humor tende a profanar o sagrado. No fundo do nosso ser, rimos dos nossos medos e das nossas crenças. Piadas sobre santos, o paraíso e o inferno são comuns entre os cristãos simples que não se vêem pecando ao pensar e rir sobre o sobrenatural.

O humor questiona as verdades absolutas, os dogmas e as autoridades que as encarnam. Com isso, sofrem a resistência dos que interpretam os textos sagrados e falam em Nome de Deus.

Na obra “O Nome da Rosa” de ECO, verificamos a posição de um eclesiástico medieval, chamado Jorge Burgos, sobre o riso e a sua tentativa de negar às pessoas o acesso a um livro que seria de autoria de Aristóteles, que classificaria o riso como algo sublime:

O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa carne. É o folguedo para o camponês, a licença para o embriagado, mesmo a igreja em sua sabedoria concedeu o momento da festa, do carnaval, da feira, essa ejaculação diurna que descarrega os humores e retém de outros desejos e de outras ambições [...] Mas desse modo o riso permanece coisa vil, defesa para os simples, mistério dessacralizado para a plebe. Elegei o rei dos tolos, perdei-vos na liturgia do asno e do porco, representai as vossas saturnais de cabeça para baixo [...] Mas aqui afunção do riso é invertida, elevada à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz dele objeto da filosofia, e de pérfida teologia [...]
(ECO, 2003, p. 454-455).

A Igreja Católica Romana, que detinha o controle do poder e do conhecimento na Europa medieval, temia o riso, pois ele liberta o indivíduo do medo do demônio. Se o homem tiver a liberdade de rir, o que o impedirá de afrontar a autoridade instituída e, no limite, o próprio Deus, com o seu riso? Assim, a religião encontra refúgio no temor.

Paradoxalmente, o crente ama e teme a divindade; aceita-a e voluntariamente submete-se. O que muitas vezes pode vir a se tornar terror. Como escapar de um Deus onipresente e onisciente? O temor é, portanto, fundamental, e quem ri tende a não temer.

O riso libera o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria. Que o riso é próprio do homem é sinal do nosso limite de pecadores. O riso distrai, por alguns instantes o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. E deste livro poderia nascer a nova e destrutiva aspiração a destruir a morte através da libertação do medo.
(ECO, 2003, p. 455).

Alberti (1999, p. 69), resume a posição da igreja sobre o riso na Idade Média da seguinte maneira: é impossível à religião eliminar o riso; trata-se, portanto, de admiti-lo sob certas condições e de interditá-lo naquilo que pode afrontar a verdade instituída.

A resposta da tradição teológica medieval a este dilema será a diferenciação entre dois gêneros do riso: a laettitia e o gaudum spirituale.

O primeiro se refere à felicidade das coisas terrenas e passageiras, algo negativo, fazia assim com que o homem esquecesse sua missão.

O segundo, em compensação, era a verdadeira felicidade, aquela que atingia sua maior realização após a morte, mas podia ser experimentada ainda em vida, pela contemplação de Deus e de suas criações. A esta última correspondia o riso discreto e mudo que exprimia a felicidade do coração.

ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da FGV, 1999.

ECO, Umberto. O nome da rosa. Lisboa: Difel: 1984.

Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso O Humor na Publicidade de Eduardo de Abreu Marques e André Augusto Ferreira.

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Prevendo o futuro

junho 4, 2009 por admin  
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O acidente do vôo 447 da Air France tomou conta dos noticiários globais nos últimos dois dias.  Como em todo grande acidente, depois da comoção sempre aparece alguém que diz ter tido sonhos premonitórios sobre o evento ocorrido.  Porém, neste caso ocorreu o inverso e graças ao advento da Internet colaborativa, onde a pessoa interage e cria conteúdo, ficou registrado em um tópico de uma comunidade sobre Ufologia e Espiritualidade do Orkut o sonho de um usuário.  No post de 29 de maio o mesmo afirmou ter tido um sonho onde um avião da Air France caia no mar. Vale lembrar que o acidente ocorreu na madrugada do dia 31 de maio.

Isso me fez refletir sobre a nossa percepção de tempo.  Sem cair no critério de se o caso ilustra ou não um exemplo real de sonho premonitório, me coloquei a pensar em como explicar o fenômeno através de uma dedução lógica.

Para mim o tempo não funciona numa linha linear de passado, presente e futuro. Funciona de forma constante e em sincronia. Ao ver desse modo, é possível sim você conseguir ter premonições. Veja o exemplo…

Tudo funciona em sincronia. Olhe o nosso organismo! Ao me ferir com um corte, cada célula trabalha isoladamente para se regenerar. Este fato desencadeia uma onda de ações de outras células que complementam a primeira e produzem as nossas reações de recuperação. Há uma linha de tempo de recuperação, mas as ações são constantes. Um exemplo similar seria o que ocorre quando os planetas do nosso sistema solar completam suas órbitas para manterem o equilíbrio gravitacional que torna a vida possível na Terra. Cada um faz a sua órbita, mas ao entender os seus trajetos, conseguimos prever eclipses e alinhamentos no percurso.

Com o tempo não deve ser diferente. Todos nós fazemos parte de um sistema que funciona em sincronia. Apesar de o nosso livre-arbítrio nos dar “liberdade” para criar nosso destino, este não deve se distanciar muito de uma linha padrão de comportamentos. Sendo assim possível para algumas pessoas conseguir ver ou pressentir o “futuro”.

O fato de algumas pessoas conseguirem prever o futuro nada tem a ver com misticismo ou magia, de crer ou não crer e sim com entender como as coisas funcionam.

Veja aqui a “previsão” postada no Orkut.

Dado interessante: Após a divulgação da previsão, a humilde comunidade passou de 500 para mais de 7000 pessoas em 48h.

Eduardo Marques

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A religião como um caminho

maio 17, 2009 por admin  
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Por muito tempo me considerei um ferrenho crítico das religiões ocidentais. Não conseguia entender como as pessoas podiam acreditar piamente em coisas tão simbólicas e recheadas de mitologia como as demonstradas no Antigo e Novo Testamento. Não me parecia certo entregar a vida a uma Igreja desatualizada e a pregadores, que se mostravam despreparados.

Com o tempo essa minha visão mudou. Não, não fui catequizado nem convertido. Apenas abri os meus olhos para um entendimento mais universal do ser humano.

A vida é dura e por muitas vezes o caminho a traçar  não é nada fácil. O que não deixa de ser belo e admirável, diga-se de passagem. Porém, nessa corrida pela sobrevivência, o egoísmo e a vontade individual de se sobressair a qualquer custo dessa jornada nos moldaram como somos. Egoístas. Isso foi necessário em grande parte do nosso percurso. A diferença agora é que não temos mais predadores e nem escassez de alimentos.  A mudança que devemos ter como meta daqui para frente é a mudança da mente.  E é nesse ponto em que as religiões entram. Em geral, todas falam de amor, de perdão, de mudança de comportamento e de fraternidade. Os exemplos são os mais variados.

Agora você me pergunta, porque então devemos seguir a religião para alcançar a mudança interior? Na verdade, nós necessariamente não precisamos.  Se conseguirmos entender através da razão o valor que cada pessoa possui e que todos merecem ter uma vida digna e prospera, teremos alcançado um novo estágio como humanos.

Teremos destruído o egoísmo que não é mais útil para desenvolvermos outros sentidos.  Porém a razão é só um caminho. Existem outros que apesar de diferentes, levam para o mesmo fim. Cada um ao seu modo, com seus símbolos e mitos que não são nada mais do que uma forma de se comunicar. Devemos respeitar as pessoas que buscam os seus caminhos nas mais diferentes religiões porque um dia todos conseguirão compreender que o futuro dos homens é a paz, não somente porque a religião diz e sim porque somente assim restabeleceremos a harmonia com a Terra mais uma vez.

Eduardo Marques

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Religião: Consumo

abril 16, 2009 por admin  
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Texto de Frei Betto publicado no Jornal O Dia 01/04/01

AYoung & Rubicam, uma das maiores agências de publicidade do mundo, divulgou a lista das 10 grifes mais famosas:

  • Coca-Cola,
  • Disney,
  • Nike,
  • BMW,
  • Porsche,
  • Mercedes-Benz,
  • Adidas,
  • Rolls-Royce,
  • Calvin Klein e
  • Rolex.

A Fitch, consultoria londrina de design, no ano passado realçou o caráter divino dessas marcas, assinalando que, aos domingos, as pessoas preferem o shopping à missa ou ao culto.

Em favor de sua tese, a empresa evocou dois exemplos: desde 1991, aproximadamente 12 mil pessoas celebraram núpcias nos parques da DisneyWorld, e estão virando moda os féretros marca Harley, nos quais são enterrados os motoqueiros fissurados em produtos Harley Davidson.

A tese não carece de lógica. Ainda engatinhando, a Revolução Industrial descobriu que as pessoas não querem apenas o necessário. Se dispõem de poder aquisitivo, adoram ostentar o supérfluo. A publicidade veio ajudar o supérfluo a impor- se como necessário.

Se chego à casa de um amigo de ônibus, meu valor é inferior ao de quem chega de BMW. Isso vale para a camisa que visto ou o relógio que trago no pulso. Não sou eu, pessoa humana, que faço uso do objeto. É o produto, revestido de fetiche, que me imprime valor, aumentando a minha cotação no mercado das relações sociais.

O pecado original dessa nova religião é que, ao contrário das tradicionais, ela não é altruísta, é egoísta; não favorece a solidariedade, e sim a competitividade; não faz da vida dom, mas posse.

E o que é pior:
acena com o paraíso na Terra e manda o consumidor para a eternidade completamente desprovido de todos os bens que acumulou deste lado da vida.

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Espiritualidade, religiosidade e o fim do mundo

abril 12, 2009 por admin  
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Sempre me perguntei o porquê de existir tantas religiões no mundo. O fato de seguir uma crença como verdade incontestável sempre foi algo que nunca consegui fazer, o que já me levou a criticar e discutir muito sobre isso.  Porém, nunca deixei de pensar a respeito e de buscar a resposta para essa questão.

Essa busca de espiritualidade pelo ser humano através das várias religiões me fez compreender a necessidade das mesmas, tal como me fez entender as diversas interpretações sobre a vida e o destino do homem na Terra.

O homem é a espécie dominante do planeta. Um trajeto evolutivo que começou a quatro milhões de anos atrás e que culminou na nossa espécie a apenas 150 mil anos. Bem, em termos de tempo e de história do planeta, isso é um segundo, porém nesse segundo demos um salto enorme de consciência e nos tornamos juntos com a natureza, construtores dos espaços que atuamos.

Assim construímos as nossas vilas, cidades e países. Só que tudo isso aconteceu através de muita dor e sofrimento. Através de guerras que muitas vezes foram motivadas por ambições individuais.

Para que o mundo de hoje se tornasse realidade, fomos repetindo estes padrões de ação em escalas cada vez maiores.  Ok. É exatamente aqui que quero entrar para explicar o meu ponto de vista e iniciar a discussão.

Seguindo essa lógica, me pergunto:

- Para onde estamos caminhando? Existe um destino?

Bem, um destino que conhecemos e que é propagado por diversas religiões e credos é o do Fim do Mundo. Ontem, ao assistir ao filme Presságio com Nicolas Cage, me deparei com mais uma versão cinematográfica sobre o assunto e me propus a pensar sobre o que isso representa para a humanidade.

Afinal, existe algo de real sobre isso? Porque tantas religiões, profetas e pessoas alertam para um fim eminente? Cheguei à seguinte conclusão:

Imagine que você é um profeta do ano 100 DC. Um estudioso do seu povo e do seu tempo e que realmente se importa com as pessoas.

Através da observação e análise você percebe que a humanidade é um grupo heterogêneo composto de diversas individualidades em graus diferenciados de consciência; que por serem seres sociais sentem a necessidade de estarem incluídos em grupos. Percebe também, que para alcançar destaque no grupo, os indivíduos agem egoisticamente e por muitas vezes menosprezam outros componentes.  Pois bem, a partir desse ponto você compreende que o homem sempre estará em guerra enquanto não mudar esse comportamento. Afinal, isto é um resquício da auto preservação. Motor evolucionário que nos trouxe até aqui.

Um sábio dessa época conseguiria ver o futuro, pois perceberia esse comportamento se repetindo em escalas maiores até atingir a destruição total da humanidade. Seja isso influenciado por algo extra material, seja por conclusão própria.  A pergunta é:

- O que ele faz para mudar isso?  Se hoje em dia, com todas as evidências ainda é difícil convencer as pessoas, imagina em um mundo bárbaro?

O profeta usa o medo, pois o oculto trás temor e gera respeito. Só assim, consegue atrair a atenção de um publico indolente que é ignorante em sua essência.  Tenta mudar o homem com as ferramentas que possui. Utiliza de símbolos e rituais para moldar o homem a uma realidade mais fraterna.

Hoje não é diferente. Ainda temos ignorantes e indolentes em nossas sociedades,  daí a necessidade de ainda existirem essas igrejas neo-pentecostais a utilizar de toda a simbologia milenar cristã para incutir, nas mentes que ainda não compreendem por si só, que o amor para com o próximo é a peça fundamental para vivermos em paz.

A religião é apenas um caminho para se chegar à espiritualidade que nasce na nossa alma, na busca do encontro de nós mesmos.

O fim do mundo chegará para aqueles que não quiserem ouvir o chamado que partiu da própria humanidade consciente que quer se tornar adulta e seguir o caminho que lhe compete. O caminho de co-criadora de um mundo melhor.

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