Comportamento como forma de amor
janeiro 10, 2010 por admin
Arquivado em Destaques, Espiritualidade, Sociedade
Às vezes me pego pensando na efetividade da parábola do Bom Samaritano, em que Cristo ensina o Amar ao próximo como a si mesmo. Para os que não sabem, essa é uma bela passagem do Novo Testamento onde a compaixão e a caridade são mencionadas.
A parábola é a seguinte:
“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.
Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.
Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.
Entretanto, dentro em pouco surge um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.
Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.
Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.
Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.”
Se vocês pararem para ver, nesse e em outros trechos do Evangelho o verbo Amar está mais para um comportamento do que para um sentimento. Ao ajudar o enfermo, o Samaritano agiu com compaixão. Exercitou um principio moral. Ele não passou simplesmente a amar (na forma de sentimento) o próximo.
Isso pode parecer simples, mas na verdade muda e muito a concepção de entender a Bíblia que muitos têm. Vários religiosos acreditam que é preciso amar (na concepção de sentimento) o próximo. E muitos sem mesmo te conhecer dizem: Eu te amo em Cristo. Bem, podem até ter a boa intenção, mas na verdade não me amam. Se amassem de verdade agiriam com comportamentos de amor não com palavras bonitas. Afinal, intenção sem ação não é nada.
Outro ótimo exemplo vem da epístola 13 de Paulo que diz:
“O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha”.
Em todas essas afirmações o Amor é mostrado como comportamento.
Sentimos amor (sentimento) por nossa família e amigos, mas é muito difícil sentir amor por um inimigo ou alguém que nos cometeu muito mal. Independente disso é possível agir com amor para com eles.
Só temos que nos lembrar que a nossa natureza animal é egoísta. Primeiro pensamos instintivamente em sobreviver e depois em procriar. Dedicar espaço ao próximo sem pensar em benefícios costuma ser um pouco antinatural. Só que a natureza é fantástica! Ao ter que viver em sociedade nos deparamos com questões que nos moldam e que nos fazem aprender, evoluir e a construir o que seremos amanhã.
Estamos em um estágio evolutivo em que, se não aprendermos a amar o próximo, não conseguiremos viver bem em sociedade. Agir com amor deve ser um comportamento que devemos ensinar a todos para que um dia, enfim, possamos ter um mundo mais justo e belo para se viver.
Bom 2010 para todos!
Eduardo Marques
A religião como um caminho
maio 17, 2009 por admin
Arquivado em Destaques, Espiritualidade
Por muito tempo me considerei um ferrenho crítico das religiões ocidentais. Não conseguia entender como as pessoas podiam acreditar piamente em coisas tão simbólicas e recheadas de mitologia como as demonstradas no Antigo e Novo Testamento. Não me parecia certo entregar a vida a uma Igreja desatualizada e a pregadores, que se mostravam despreparados.
Com o tempo essa minha visão mudou. Não, não fui catequizado nem convertido. Apenas abri os meus olhos para um entendimento mais universal do ser humano.
A vida é dura e por muitas vezes o caminho a traçar não é nada fácil. O que não deixa de ser belo e admirável, diga-se de passagem. Porém, nessa corrida pela sobrevivência, o egoísmo e a vontade individual de se sobressair a qualquer custo dessa jornada nos moldaram como somos. Egoístas. Isso foi necessário em grande parte do nosso percurso. A diferença agora é que não temos mais predadores e nem escassez de alimentos. A mudança que devemos ter como meta daqui para frente é a mudança da mente. E é nesse ponto em que as religiões entram. Em geral, todas falam de amor, de perdão, de mudança de comportamento e de fraternidade. Os exemplos são os mais variados.
Agora você me pergunta, porque então devemos seguir a religião para alcançar a mudança interior? Na verdade, nós necessariamente não precisamos. Se conseguirmos entender através da razão o valor que cada pessoa possui e que todos merecem ter uma vida digna e prospera, teremos alcançado um novo estágio como humanos.
Teremos destruído o egoísmo que não é mais útil para desenvolvermos outros sentidos. Porém a razão é só um caminho. Existem outros que apesar de diferentes, levam para o mesmo fim. Cada um ao seu modo, com seus símbolos e mitos que não são nada mais do que uma forma de se comunicar. Devemos respeitar as pessoas que buscam os seus caminhos nas mais diferentes religiões porque um dia todos conseguirão compreender que o futuro dos homens é a paz, não somente porque a religião diz e sim porque somente assim restabeleceremos a harmonia com a Terra mais uma vez.
Eduardo Marques


