Reflexões sobre a Mídia no caso Nardoni
Nessa última semana enxergamos o desfecho jurídico de um dos casos mais polemizados pelos meios de comunicação no Brasil. O caso Nardoni, como ficou conhecido, se destacou por colocar em foco o assassinato de uma criança.
Por mais execrável que seja o crime, se torna incompreensível a demasiada cobertura da mídia e a exaltação emocional de populares a cerca do caso. Na verdade, a emoção dos últimos somente ocorreu devido aos préstimos do primeiro.
Em um país onde infelizmente crimes hediondos ocorrem regularmente, triste é constatar que as pessoas só se revoltam quando a TV se debruça sobre algo de forma oportuna. Como um amigo meu bem comentou, esse se tornou o nosso caso O.J Simpson.
O que devemos nos perguntar é: – O que fez com que a TV e os jornais de todo o país escolhessem este crime em detrimento dos outros crimes semelhantes que ocorrem todo dia?
Resposta: Aconteceu na classe média brasileira.
No Brasil, aprendemos a conviver com as misérias à nossa porta, porém, nunca dentro de nossas casas. A divulgação de grande parte dos crimes hediondos que ocorrem em nosso país é feita nos jornais de periferia. Nesses periódicos, casos de decapitação e corpos nos esgotos são fatos comuns. Só que isso não costuma ser notícia em grandes veículos porque ocorre quase que exclusivamente com as classes menos favorecidas da nossa sociedade.
Entretanto, quando crimes desse quilate aparecem nas classes média e alta, o nosso status quo se estremece e faz com que o nada saudável equilíbrio aparente de nossa precária sociedade se veja em cheque. Vale lembrar que segundo relatório da ONU publicado no último dia 19 de março de 2010, essa distorção de valores sociais, entre pobres e ricos, é a segunda maior do mundo, ficando atrás somente da África do Sul (que já teve um Apartheid).
Seria muito mais proveitoso se a mídia utilizasse de sua força que nos emociona para promover uma necessária mudança de valores em nossa sociedade. Porém, ao invés disso, sai ano entra ano e ela continua a nos escandalizar com mais casos como os do Nardoni, Suzane Von Richthofen e o do assassino do cartunista Glauco.
Eduardo Marques



