Brasília de Arruda, Roriz ou dos brasileiros?
Brasília é uma cidade singular de difícil comparação com qualquer outra no país. Seja por seus defeitos ou acertos, a sua distância das outras capitais ou o seu alto padrão de vida, a capital do País sempre respirou um ar diferente. Independente disso, ela se assemelha quando o assunto é corrupção. O verdadeiro mal generalizado desse País.
Às vésperas de completar cinqüenta anos, a cidade presenciou o seu maior escândalo político na esfera regional até então. Para uma maior compreensão dos que são de fora, a cidade possui dois universos distintos com uma pequena intersecção entre eles.
Há a esfera Federal e a esfera Distrital. A primeira é formada por funcionários públicos provenientes de todo o país que trabalham nos órgãos governamentais da federação e que possuem uma excelente qualidade de vida. A elite política dessa esfera é eleita por todos os brasileiros a cada quatro anos. Já a segunda, é formada pela composição distrital. Homens e mulheres provenientes em sua maioria dos estados de Minas Gerais, Goiás e do nordeste brasileiro. Eles formam o grosso dos habitantes do DF. Assim como os primeiros, esses homens e mulheres vivem na cidade sob a direção do Governo do Distrito Federal.
O Governo do DF por muitos anos foi conduzido (se não me engano foram quatro mandatos) por Joaquim Roriz. Político populista que fez do entorno de Brasília uma grande favela, ficou conhecido por fazer um governo direcionado a amigos. Encheu a máquina pública de parceiros (para não dizer comparsas) e governou o DF como quem comandava uma fazenda.
Após anos de desgovernança, cedeu lugar a José Roberto Arruda. Este, perdoado pelos brasilienses no caso do painel do Senado, aparecia como uma esperança de um rumo melhor à Brasília que até então assistia a uma luta desenfreada entre o PMDB e o PT a cada eleição. Eleito, Arruda enxugou as secretarias e desfez a maioria dos cabides de empregos de Roriz. Com a ajuda do vice-governador Paulo Octávio, transformou a gerência fazendária herdada de Roriz em uma administração empresarial.
Porém, o que parecia bom demais para ser verdade foi descortinado recentemente pela Polícia Federal. Ao que tudo indica, Arruda conseguiu apoio da base governista anterior (fiel a Roriz, como quem é temente a Deus) na base da compra de votos. O agora conhecido Mensalão do DEM do DF.
Isso nos remete a uma indagação. Até quando ficaremos quietos? Por décadas e décadas não só em Brasília, mas em todo o país, os governantes que deveriam direcionar nossa nação ao desenvolvimento são conhecidos por se apropriar do dinheiro público. Reclamamos e depois de um tempo as coisas continuam como se nada tivesse acontecido.
Uma reforma política é necessária e devemos lutar por isso. A democracia no Brasil ainda é defeituosa. Os estudantes que invadiram a Câmara Legislativa devem continuar lá, pois é indignante saber que de vinte e quatro deputados, somente cinco não foram mencionados pela PF na Operação Pandora. Se há alguma esperança na Câmara Legislativa do DF, ela está nas mãos de Chico Leite, Erika Kokay, Cabo Patrício, Paulo Tadeu e Reguffe.
Acorda Brasil!
Eduardo Marques
O momento em que vivemos
junho 21, 2009 por admin
Arquivado em Destaques, Life Style, Mídia, Política, Razao x Fé, Sociedade
Um certo ar de apreensão e descontentamento é percebido na psicoesfera terrestre nos últimos meses. A crise financeira internacional aliada à crescente especulação midiática tem ajudado a desequilibrar emocionalmente milhões de pessoas ao redor do planeta.
Estamos no meio de uma era de mudanças. Mudanças ocasionadas por mim e por você. O comportamento de consumo vem mudando constantemente com o advento da Internet e do modo como adquirimos os bens. Apesar de estarmos consumindo mais, não mais o fazemos como antigamente e isso foi uma machadada em um dos pilares do antigo capitalismo predatório.
A partir de 1825, quando os primeiros trens começaram a cruzar o interior inglês trazendo a produção das fazendas à Londres, as grandes metrópoles ao redor do mundo passaram a consumir em excesso, pois tinham ao seu alcance, uma maior diversidade de produtos. Hoje consumimos artigos fúteis, virtuais e desnecessários simplesmente porque podemos. Se a mudança em 1800 do modelo de fazenda familiar rural para o de consumo urbano representou uma mudança brusca no nosso modo de vida, o que ocorre hoje também entrará nos livros de história.
Portanto não se desespere. Veja e sinta como é fantástico poder estar vivo agora e fazer parte dessa mudança que transformará completamente quem somos. É necessário haver crises. Somente com elas que as mudanças ocorrem.
Em 1534, Lutero publicava sua primeira bíblia em alemão e a divulgava na nascente imprensa européia. Desde então, foi dado ao homem comum à possibilidade de interpretar Deus e de ter acesso a todo tipo de conhecimento que passava a estar impresso em páginas. Hoje, além de termos acesso ao conhecimento dos livros (o que representou o maior avanço tecnológico do milênio passado) temos a possibilidade de criar conhecimento. Qualquer pessoa ao redor do globo tem a possibilidade de divulgar suas idéias e pensamentos pela Internet.
Pense agora na implicação da evolução dessas duas vertentes do comportamento humano. Se o consumo e a imprensa nos trouxeram para o que somos hoje, o que podemos preparar para amanhã?


