Deus x Religião
outubro 7, 2009 por admin
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Desde a infância luto incessantemente com minhas dúvidas a respeito da existência ou não de Deus. E nesta busca para responder a essa pergunta, encontrei respostas muito pessoais e cada um deve tirar a sua própria conclusão, mas neste estudo nada cientifico, uma outra questão me incomodou. O fato de existirem tantas religiões e diferentes credos, até mesmo divisões dentro delas, e o mundo continuar a ser tão carente de paz e amor, me fez questionar a necessidade de termos essas religiões. A conclusão que cheguei é que em verdade, elas são o câncer da sociedade, alimentando rivalidades, guerras, desunião, instigando os fiéis a lutar por mais afiliações a esta ou aquela religião; sempre com o mote da evangelização.

O "castigo divino" é muito usado pelas religiões como forma de controle pelo temor
Desde muito pequeno, fui e sou muito questionador e critico, e simplesmente não me satisfaz apenas ouvir e aceitar o que dizem, sempre há um porquê a ser respondido, sempre haverá uma pergunta a ser feita. Assim me pergunto porquê o Padre ou Pastor ou Rabino, ou qualquer outro lider espiritual pode me dizer o que fazer da minha vida, será que Deus tem ouvidos apenas para esses iluminados? Se temos um só Deus, porque a mensagem é diferente para Cristãos, Judeus e Muçulmanos? A conlusão parece óbvia. As mensagens que eles transmitem são mensagens deles e não de Deus, daí tanta divergência.
Descobri que devemos buscar nossas próprias respostas, perguntar diretamente a Deus que reside em seu coração e é único e onipresente, onisciente em voce, irmão. Não há necessidade de rituais, de regras, de orações decoradas, apenas diga com a voz do coração, e a resposta será imedata, personalizada e única.
Um abraço a todos!
Artigo escrito por: José Luiz Pimentel de Assumpção – São José dos Campos – SP
Visão medieval cristã do riso
junho 13, 2009 por admin
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O riso é motivo de interesse dos homens desde antigos tempos. Aristóteles na Grécia antiga, foi o primeiro filósofo a tratar sobre o tema, observando que o homem é o único animal que ri.
Para Alberti (1999, p. 66), a Idade Média foi um período marcado pela enorme influência eclesiástica cristã sobre o comportamento do povo. O riso era reconhecido como próprio do homem, conforme afirmado por Aristóteles; mas em geral censurado sob o argumento de que Jesus não teria rido em sua vida terrena. Porém, isso é contraditório, pois se Jesus foi o grande modelo humano, o riso torna-se estranho ao homem, ou pelo menos ao homem cristão.
Uma resposta a isso seria que o humor tende a profanar o sagrado. No fundo do nosso ser, rimos dos nossos medos e das nossas crenças. Piadas sobre santos, o paraíso e o inferno são comuns entre os cristãos simples que não se vêem pecando ao pensar e rir sobre o sobrenatural.
O humor questiona as verdades absolutas, os dogmas e as autoridades que as encarnam. Com isso, sofrem a resistência dos que interpretam os textos sagrados e falam em Nome de Deus.
Na obra “O Nome da Rosa” de ECO, verificamos a posição de um eclesiástico medieval, chamado Jorge Burgos, sobre o riso e a sua tentativa de negar às pessoas o acesso a um livro que seria de autoria de Aristóteles, que classificaria o riso como algo sublime:
O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa carne. É o folguedo para o camponês, a licença para o embriagado, mesmo a igreja em sua sabedoria concedeu o momento da festa, do carnaval, da feira, essa ejaculação diurna que descarrega os humores e retém de outros desejos e de outras ambições [...] Mas desse modo o riso permanece coisa vil, defesa para os simples, mistério dessacralizado para a plebe. Elegei o rei dos tolos, perdei-vos na liturgia do asno e do porco, representai as vossas saturnais de cabeça para baixo [...] Mas aqui afunção do riso é invertida, elevada à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz dele objeto da filosofia, e de pérfida teologia [...]
(ECO, 2003, p. 454-455).
A Igreja Católica Romana, que detinha o controle do poder e do conhecimento na Europa medieval, temia o riso, pois ele liberta o indivíduo do medo do demônio. Se o homem tiver a liberdade de rir, o que o impedirá de afrontar a autoridade instituída e, no limite, o próprio Deus, com o seu riso? Assim, a religião encontra refúgio no temor.
Paradoxalmente, o crente ama e teme a divindade; aceita-a e voluntariamente submete-se. O que muitas vezes pode vir a se tornar terror. Como escapar de um Deus onipresente e onisciente? O temor é, portanto, fundamental, e quem ri tende a não temer.
O riso libera o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria. Que o riso é próprio do homem é sinal do nosso limite de pecadores. O riso distrai, por alguns instantes o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. E deste livro poderia nascer a nova e destrutiva aspiração a destruir a morte através da libertação do medo.
(ECO, 2003, p. 455).
Alberti (1999, p. 69), resume a posição da igreja sobre o riso na Idade Média da seguinte maneira: é impossível à religião eliminar o riso; trata-se, portanto, de admiti-lo sob certas condições e de interditá-lo naquilo que pode afrontar a verdade instituída.
A resposta da tradição teológica medieval a este dilema será a diferenciação entre dois gêneros do riso: a laettitia e o gaudum spirituale.
O primeiro se refere à felicidade das coisas terrenas e passageiras, algo negativo, fazia assim com que o homem esquecesse sua missão.
O segundo, em compensação, era a verdadeira felicidade, aquela que atingia sua maior realização após a morte, mas podia ser experimentada ainda em vida, pela contemplação de Deus e de suas criações. A esta última correspondia o riso discreto e mudo que exprimia a felicidade do coração.
ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da FGV, 1999.
ECO, Umberto. O nome da rosa. Lisboa: Difel: 1984.
Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso O Humor na Publicidade de Eduardo de Abreu Marques e André Augusto Ferreira.
Espiritualidade, religiosidade e o fim do mundo
abril 12, 2009 por admin
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Sempre me perguntei o porquê de existir tantas religiões no mundo. O fato de seguir uma crença como verdade incontestável sempre foi algo que nunca consegui fazer, o que já me levou a criticar e discutir muito sobre isso. Porém, nunca deixei de pensar a respeito e de buscar a resposta para essa questão.
Essa busca de espiritualidade pelo ser humano através das várias religiões me fez compreender a necessidade das mesmas, tal como me fez entender as diversas interpretações sobre a vida e o destino do homem na Terra.
O homem é a espécie dominante do planeta. Um trajeto evolutivo que começou a quatro milhões de anos atrás e que culminou na nossa espécie a apenas 150 mil anos. Bem, em termos de tempo e de história do planeta, isso é um segundo, porém nesse segundo demos um salto enorme de consciência e nos tornamos juntos com a natureza, construtores dos espaços que atuamos.
Assim construímos as nossas vilas, cidades e países. Só que tudo isso aconteceu através de muita dor e sofrimento. Através de guerras que muitas vezes foram motivadas por ambições individuais.
Para que o mundo de hoje se tornasse realidade, fomos repetindo estes padrões de ação em escalas cada vez maiores. Ok. É exatamente aqui que quero entrar para explicar o meu ponto de vista e iniciar a discussão.
Seguindo essa lógica, me pergunto:
- Para onde estamos caminhando? Existe um destino?
Bem, um destino que conhecemos e que é propagado por diversas religiões e credos é o do Fim do Mundo. Ontem, ao assistir ao filme Presságio com Nicolas Cage, me deparei com mais uma versão cinematográfica sobre o assunto e me propus a pensar sobre o que isso representa para a humanidade.
Afinal, existe algo de real sobre isso? Porque tantas religiões, profetas e pessoas alertam para um fim eminente? Cheguei à seguinte conclusão:
Imagine que você é um profeta do ano 100 DC. Um estudioso do seu povo e do seu tempo e que realmente se importa com as pessoas.
Através da observação e análise você percebe que a humanidade é um grupo heterogêneo composto de diversas individualidades em graus diferenciados de consciência; que por serem seres sociais sentem a necessidade de estarem incluídos em grupos. Percebe também, que para alcançar destaque no grupo, os indivíduos agem egoisticamente e por muitas vezes menosprezam outros componentes. Pois bem, a partir desse ponto você compreende que o homem sempre estará em guerra enquanto não mudar esse comportamento. Afinal, isto é um resquício da auto preservação. Motor evolucionário que nos trouxe até aqui.
Um sábio dessa época conseguiria ver o futuro, pois perceberia esse comportamento se repetindo em escalas maiores até atingir a destruição total da humanidade. Seja isso influenciado por algo extra material, seja por conclusão própria. A pergunta é:
- O que ele faz para mudar isso? Se hoje em dia, com todas as evidências ainda é difícil convencer as pessoas, imagina em um mundo bárbaro?
O profeta usa o medo, pois o oculto trás temor e gera respeito. Só assim, consegue atrair a atenção de um publico indolente que é ignorante em sua essência. Tenta mudar o homem com as ferramentas que possui. Utiliza de símbolos e rituais para moldar o homem a uma realidade mais fraterna.
Hoje não é diferente. Ainda temos ignorantes e indolentes em nossas sociedades, daí a necessidade de ainda existirem essas igrejas neo-pentecostais a utilizar de toda a simbologia milenar cristã para incutir, nas mentes que ainda não compreendem por si só, que o amor para com o próximo é a peça fundamental para vivermos em paz.
A religião é apenas um caminho para se chegar à espiritualidade que nasce na nossa alma, na busca do encontro de nós mesmos.
O fim do mundo chegará para aqueles que não quiserem ouvir o chamado que partiu da própria humanidade consciente que quer se tornar adulta e seguir o caminho que lhe compete. O caminho de co-criadora de um mundo melhor.


