Viagem: Peru, Bolivia e a cultura Inca
julho 29, 2009 por admin
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As terras que hoje conhecemos como Américas possuem uma história rica e que não deve ser esquecida. Imensas civilizações e diversos conhecimentos tecnológicos foram desenvolvidos por pessoas que viveram aqui muito antes dos primeiros europeus chegarem. Dentre essas pessoas, um grupo em especial sempre me fascinou, os Incas.
Ao olhar a nossa história, conseguimos até a entender que não foi muito difícil para os portugueses desestabilizar as várias tribos indígenas que haviam aqui. Afinal, elas não chegaram a desenvolver grupos organizados com avanços sociais em grande escala. O que nunca entendi foi como que alguns espanhóis conseguiram dizimar uma das civilizações mais avançadas que já existiu na América do Sul.
Motivado por minha namorada, coloquei uma mochila nas costas e juntos, nos mandamos para a Bolívia, onde iniciamos a nossa viagem. Falar da Bolívia é falar de um passado rico e de um presente pobre. Contrastes que refletem a história latino-americana. O País mais necessitado do nosso subcontinente é também um dos mais abastados em recursos naturais e que hoje sofre uma mudança necessária nas mãos do presidente Evo Morales. Essa mudança que diga-se de passagem é fundamental, foi questionada pela minoria branca que vive em Santa Cruz de La Sierra (que recentemente organizou um golpe para desbancar o presidente e declarar a autonomia do distrito). Problemas internos à parte, a Bolívia ainda engatinha enquanto outras nações sul-americanas começam a se erguer.
Devido a problemas na fronteira com o Peru, permanecemos somente um dia neste belo País.
O que era pra ser um mochilão para absorver os ares do passado se tornou uma aula em tempo real das políticas do presente. Chegando ao Peru, fomos informados de que várias estradas ao sul do país estavam sendo bloqueadas por manifestantes contrários à política neoliberal do presidente peruano Alan Garcia. Este fato por si só tornou o que seria uma simples viagem de La Paz a Cusco em um martírio de 15 horas. Devido às constantes manifestações, permanecemos em Cusco a maioria do tempo. Viagens a Nazca, Ica e outras cidades mais distantes se tornaram impossíveis. Porém, diferente do que se possa imaginar, ficar todo esse tempo em Cusco não foi perda de tempo.
Cusco é uma antiga cidade inca que permaneceu povoada até os dias de hoje. O que faz dela a cidade habitada mais velha do continente.
Apesar de 90% do seu povo pertencer à matriz indígena, a religião predominante na cidade é a católica. O que é visível pelas lindíssimas Igrejas e catedrais que enriquecem a arquitetura da cidade.
O sincretismo religioso criou uma cultura singular que ao mesmo tempo exalta os antecedentes e idolatra os santos cristãos. Um fato curioso é que várias Igrejas da cidade foram construídas sobre antigos templos Incas (Técnica de dominação). Destaque para o Templo do Sol que foi substituído pelo Convento de Santo Domingo. Como na arquitetura local, os nativos possuem as raízes incas expostas em costumes e na fisionomia, mas o espírito na doutrina de Paulo.
Porém, o que mais me fascinou estava por vir. A famosa Trilha Inca de 45 km pelas terras altas do sul do Peru. Aconselho a todos. Apesar do cansaço e dos efeitos da altitude (dá-lhe folha de coca), foi a melhor parte da viagem. Poder se desprender um pouco do mundo e caminhar numa trilha que é mais velha do que o Brasil visitando sítios arqueológicos no caminho não é uma coisa que você faz todo dia. A recompensa ocorre no quarto dia com a chegada na antiga capital dos Incas, Machu Pichu.

Indústria Musical
abril 3, 2009 por admin
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Hoje em dia, um mix de hip-hop com pop e dance music contaminam os quatro cantos do mundo. Bem, isto se deve ao fato de que o nome Indústria Musical não foi criado à toa e este fenômeno está longe de ser uma moda derivada do acaso. Como toda Indústria, a da musica também visa o lucro. E para obtê-lo, você não necessariamente precisa produzir o melhor produto ou ter a melhor qualidade.
Após 20 anos de certa estabilidade financeira proporcionada pelo neoliberalismo, algumas economias de países emergentes cresceram e junto com elas a indústria de comunicação de massa. Agora junte a isso, milhões de pessoas que ascenderam socialmente (que por virem do campo possuem uma tradição oral muito maior do que a escrita) a conceitos deturpados de valores que são passados pelas letras de música tocadas hoje em dia e a besteira estará feita.
Ao ligar a TV e ver um clipe, o jovem (que naturalmente sente a necessidade de se inserir em grupos e de moldar a sua personalidade) utiliza dos símbolos e imagens de “sucesso” que são divulgados pelos “ícones” da cultura pop. Faça um teste… Ligue a televisão e coloque na MTV ou MULTISHOW e observe os clipes internacionais.
Você verá que por volta de:
10% falam que você deve ser rico
20% falam para você ser rico e fazer pose de gangster
30% falam para você ser rico, fazer pose de gangster e ter a mulher mais desejada que possa existir
40% falam que se você não for isso, você será um fracassado.
99% Usam sensualismo e sexo para te convencer.
Resultado: Até mesmo no Japão, que possui uma forte cultura nacional, os jovens estão se vestindo como rappers, rockers e emos. Não só lá, mas como aqui e em vários países do mundo que não possuem nenhuma identidade se quer parecida com a que é passada pelos movimentos musicais. O comum a todos é a crescente falta de identidade.
O Brasil é um caso a parte, absorve essa cultura criada lá fora, mas por ter proporções continentais, também tem uma indústria forte que cria os seus modelos e modas, que como as estrangeiras, pecam pela falta de qualidade ao utilizar exageradamente de valores sensuais. Vide o funk carioca.
Ao achar que não podia ficar pior, me lembro da razão número um dos compositores. O amor … Até o mais belo dos sentimentos é modificado para atender aos interesses do capital. Afinal, o coração partido, tema de tantas canções, nasceu dessa nossa falta de nós mesmos. Dessa busca incessante do eu nos outros. Mas isso é assunto para outro post.
Carros, celulares, estilos e desejos materiais nos são vendidos diariamente em forma de entretenimento.
A melhor maneira de se inverter isso é utilizar das mesmas ferramentas para se vender o bem.
Pense nisso!


