A competição predatória
O clima de competição predatória e de individualismo entre a sociedade nos dias de hoje é crescente. O capitalismo se alimenta da competição. Sem esse processo o sistema econômico atual estaria morto. A competição estimula o desempenho e melhora a qualidade dos trabalhos, serviços e produtos. Todavia ,quando é predatória como no mundo atual, ou seja, quando considera as metas a serem atingidas mais importantes do que o processo utilizado para atingi-las, torna-se desumana e destrutiva.
A competição predatória anula os valores altruístas da inteligência, anula a humanidade dos competidores. A necessidade do sucesso e o medo do fracasso são constantemente lobotomizados num sistema educacional falho que discrimina, julga e credencia a inteligência por um sistema de provas e notas que não estimula o pensar e vai desde cedo repreendendo o estimulo ao raciocínio critico.
Crescemos numa sociedade que tende a ser padronizada, de várias formas, pelo consumo, pela forma de pensar, pela forma de criticar e pela forma de raciocinar é como se fossemos treinados dentro de um modelo padrão. Nesse modelo fechado somos estimulados a competir por tudo e essa competição tende cada dia mais a ser uma competição fria e racional, onde o emocional é desprezado. As conseqüências? O acelerado crescimento de depressão que caminha na mesma velocidade da evolução social.
A busca incondicional do ser humano por ser o número um é a tendência atual, em muitas situações nem sabemos bem o que buscamos, anulamos nosso emocional, nossa intuição e simplesmente, como robôs, tomamos decisões baseadas em um suposto “padrão” que nos leva a traçar planos e metas que não necessariamente representem nossa identidade, mas sim o que a sociedade apresenta como a nossa felicidade.
O que se vê é uma comunidade social descaracterizada de personalidade, cada dia mais infeliz no seu interior onde nunca se foi tão útil o uso de mascaras sociais que nos ajudem a demonstrar uma felicidade artificial, ou mesmo a compra dessa felicidade o verdadeiro catalisador do sistema capitalista que através de um consumo superficial e acelerado nos da uma falsa sensação de êxtase transitória.
Pela falta de estímulo ao raciocínio critico, ao pensar , estamos desestimulados a buscar o que realmente nos faça sentir bem. Sempre estamos em busca dos padrões colocados pela sociedade. Construindo uma personalidade vinculada a um perfil de tendência que nos leva a perda do nosso individual e de uma busca pelo auto conhecimento em pró de uma arena predatória que estamos condicionados a estar e sobreviver.
Guilherme Guerato
O Desenvolvimento do Brasil para a Copa de 2014
Por muitos anos o Brasil foi chamado de o País do Futuro. Este misto de mantra com profecia se enraizou de um jeito na mente do brasileiro que hoje ele o interpreta mais como uma crença do que como uma certeza de que este futuro um dia chegará. Na verdade, muitas barreiras precisam ser ultrapassadas para podermos de fato servir de exemplo ao mundo. Porém, há uma real chance de isso acontecer em curto prazo.
Citarei alguns fatos que me levam a crer nisso:
- Apesar de toda a corrupção enraizada no poder, somos a democracia mais transparente do grupo de economias emergentes que ficou conhecida como BRIC (Brasil, Rússia, China e índia).
- Com a estabilização do real, o planejamento e o investimento se tornaram possíveis e o consumo interno ascendeu vertiginosamente alcançando hoje grandes parcelas dos públicos C, D e E, que outrora eram ignorados.
- A conscientização verde que hoje eclode pelo mundo já faz parte dos nossos hábitos há alguns anos.
O fato é que apesar de estarmos crescendo em alguns aspectos e de começarmos a ter mais destaque internacional, falta-nos ainda um grande ponto. A EDUCAÇÃO. Somente com um ensino forte, teremos um País forte. Por mais que haja exceções, ainda somos identificados pelo carnaval e pelo futebol; pelo jeito fácil e pela informalidade.
Em cinco anos estaremos hospedando um dos maiores eventos esportivos do mundo e com certeza o problema da educação não terá sido resolvido até lá. Entretanto, como uma ironia do nosso maior pecado, não será a razão que nos mudará da posição de melhor país do 3º mundo para uma das últimas posições da categoria de 1º mundo. Será a nossa paixão. Esse sentimento, por muitas vezes irracional que nos leva a cometer atos impensados, fará o Brasil se desenvolver como nunca visto na próxima meia década.
A Copa do Mundo de 2014 é a oportunidade perfeita para toda a nação abraçar um ideal. Não deixaremos de ser o país do futebol e do carnaval e incrivelmente isso não será o problema maior do nosso desenvolvimento. Pelo contrário, abraçando o que nos torna o que somos, iremos desenvolver e, à brasileira, traçar a nossa ascensão. Ao apresentar ao mundo um país moderno, teremos chegado a um ponto sem volta. A atual baixa-estima terá dado lugar a um sentimento confortador de capacidade que ocorre quando há união por um ideal. Daí para frente, a educação que tanto foi ignorada será então valorizada como a ferramenta que nos levará adiante.
Dinheiro e Poder
Levanta-se a questão de que dinheiro não é a raiz dos problemas, mas o poder. Uma tentativa interessante de alterar o foco dos problemas concretos para um lado mais abstrato ainda não totalmente esclarecido.
(O que é poder? Várias definições, vários níveis, nada concreto)
A primeira forma de analisar a jogada é que o dinheiro causa problemas em todos os níveis da esfera humana, seja na macroeconomia mundial até a microeconomia familiar. Já o poder não tem um padrão. Mesmo o poder dos pais acima dos filhos por hierarquia está hoje desvirtuado. Isso mostra que o poder é volátil e relativo às condições do ambiente, portanto não é uma causa, mas conseqüência.
Sistema Poder e Dinheiro:
Poder e dinheiro para existir é preciso que haja consenso. Se uma pessoa consente em ceder seu poder à outra, então temos a acumulação de poder. Poder corrompe, portanto teremos abuso de poder assim que as condições de ambiente falarem mais alto (ex: para ter mordomias e tempo livre, as antigas sociedades viviam com trabalho escravo. Em uma cidade a população escrava expressivamente superior a considerada cidadã, como exemplo, Roma).
Assim que o poder demanda mais poder, ele precisa de ferramentas. Vem o dinheiro como ferramenta de acumulação e abuso de poder. Hoje, o sistema dinheiro e poder está tão sofisticado que nem notamos sua presença, mas esta evidente: Temos “obrigações” a realizar. Obrigações nada mais são que você ceder o seu poder pessoal a alguém, direta ou indiretamente.
Sendo o poder volátil, mas transferível, temos que destacar que o problema não está na existência do poder, mas na sua concessão. Para melhor visualização, tomem cada ser humano como se fossem unidades natas com 10 de poder. Se alguém no mundo (como presidentes, generais, juízes etc.) tem hoje 1000 de poder, é porque pelo menos 1000 pessoas cederam 1 de poder para ele.
A necessidade de poder:
O poder só é necessário em condições de escassez. Para que alguns pudessem ter mais que outros foi necessário a arquitetagem e uso do poder. Não dinheiro, mas recursos.
Inicialmente terras férteis, arvores e cursos de água foram objeto de lutas entre humanos, devido a sua falta de conhecimento sobre o tamanho do mundo, por condições limitantes geográficas (como habitantes de regiões cercadas de água que temiam ir alem e “cair no limite da terra”) ou climáticas (geadas, glaciação), por sua falta de tecnologia avançada que permitiria novas possibilidades.
Esse principio de escassez norteou a mente humana por centenas de milhares de anos, ate que ele começasse a viver em cidades e iniciar a gestação da civilização, ha aproximadamente 10 mil anos atrás.
O que são 10 mil anos de estruturação civil evolutiva perto de quase 200 mil anos vivendo a deriva da natureza em cavernas? Esse conceito de escassez está fortemente programado em nossa mente, e com o passar dos tempos fomos apenas o sofisticando para servir melhor aos interesses dos sistemas sociais.
Dinheiro hoje:
Hoje temos o dinheiro, antiguíssima invenção que permitiu o controle dos recursos por uma crescente sociedade humana para que não as esgotasse permanentemente. Sinto dizer aos amantes do dinheiro que ela está obsoleta, e atualmente atrasando o próximo passo da civilização. Temos hoje a tecnologia avançada, que nos permite ir ate onde muitos sequer sonham, mesmo sendo contemporâneo delas.
A analogia do impacto do dinheiro na sociedade atual:
“Estamos atualmente a andar montado em lombos de jegues, quando poderíamos estar cortando os céus em um F-22.”
Establishment:
Sempre que algo se organiza e tem certa estabilidade na vida humana, temos a tendência de mantê-lo como está e negamo-nos a mudá-lo. Na sociedade não é diferente, sendo um sistema humano, a sociedade tende a lutar contra mudanças, mesmo sabendo de seus benefícios, mesmo sabendo que sem mudança haverá serias conseqüências.
Em comparação tomamos os conselhos médicos. A pessoa vai ao medico e ele alerta: “Seu estilo de vida, sua alimentação e seus hábitos vão lhe levar a morte em meses! Mude-os o quanto antes!”
As estatísticas mostram que 1 em 10 mudam, mesmo sabendo do risco de morte.
[O por quê que isso acontece necessita toda uma análise psicológica que não cabe aqui nesse momento, mas se for demandado poderá ser postado futuramente]
Temos essa resistência contra mudanças. Criamos à preguiça, o conformismo, as desculpas, e achamos melhor ficar do jeito que está e lidar com as terríveis conseqüências (e lá ficar reclamando e se flagelando e pedindo a deuses misericórdia) do que se auto motivar, enfrentar o comodismo e encarar a mudança. Não queremos pisar fora da zona de conforto sozinhos, que dirá em grupo.
Pra piorar, através do estabelecimento de poderes de alto nível, temos uma resistência ainda maior em mudanças. A esse poder estabelecido, que normatiza e resiste a mudanças damos o nome de Establishment.
Mudança:
A mudança então cabe a 1% de determinados que não se opõem a mudança, alias, vêem na mudança o desafio faltante em sua vida e o acham excitante. Infelizmente esse tipo de pessoa é raro, mas foi esse tipo o responsável por todas as grandes mudanças na sociedade atualmente. A isso se dá o nome de Teoria do 1%. Às vezes se consegue arrastar mais pessoas, porem geralmente o restante das pessoas só se unirão ao 1% assim que virem que o “barco realmente andou”.
Texto por: Silvio Furtado – São Luis, MA
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