A revolução do consumidor

junho 14, 2010 por admin  
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O  século  XXI  chegou  e  trouxe  com ele uma mudança radical no modo como fazemos negócios, nos relacionamos em grupo e divulgamos idéias e produtos. Modelos  de  negócios  que  até  o final do século passado funcionavam bem, estão  sendo  colocados em xeque pelos consumidores que não mais querem ser vistos  como  números.  Afinal, o que vem ocorrendo que velhas fórmulas não funcionam mais como antigamente?

A  simples  democratização do conhecimento. Por séculos, os grandes centros urbanos  foram os responsáveis por reunir os pilares: conhecimento e mentes afins,  para  a  produção  da maioria dos avanços artísticos, filosóficos e tecnológicos  que  a nossa sociedade já produziu. Hoje, a internet consegue juntar  de  forma  magistral  a geração e armazenagem de conhecimento com a reunião virtual de pessoas ao redor do mundo.

Neste  novo  contexto, a figura do consumidor passivo do século XX dá lugar ao  cidadão do terceiro milênio, que cada vez mais móvel e conectado, obtêm em  um  clique  informações do que desejar. Assim, nesse novo mundo, velhos modelos  de  negócios tais como algumas profissões,  terão que ser revistas ou simplesmente desaparecerão.

Ao  diminuir  vertiginosamente  a  distância  entre  os “especialistas” e o público,  a internet propiciou ao último a vantagem da informação que antes era  exclusiva  do primeiro. Com essa vantagem, as figuras do vendedor e da publicidade barata simplesmente perdem a força.

Este  novo  cidadão  descobriu  que,  se quiser, tem o poder de aumentar ou destruir  a  reputação de uma marca com extrema facilidade.  De posse dessa noção,  mais  do que nunca ele impõe às empresas de todos os segmentos, que elas   sejam   moralmente   corretas   e   exercitem  sua  responsabilidade socioambiental. Empresas pioneiras, como a Coca-Cola e a brasileira Natura, já entenderam a mensagem e estão se reinventando.

No  livro  Freakonomics  (2005),  de  Steven Levitt, o autor menciona que o moralismo  representa  a  forma  como  as  pessoas  gostariam  que  o mundo funcionasse,  enquanto  a economia representa a forma de como ele realmente funciona.  Se  isso  é verdade, hoje temos a possibilidade real – dentro do aspecto  econômico  atual  -  de  moldarmos o mundo tendo como base valores sociais.

É  o  renascimento da “mão invisível”, de Adam Smith, que orienta o mercado através  da  interação  dos  indivíduos. Com a diminuição da assimetria das informações  -  o  fato  de  alguns saberem mais do que os outros – a idéia cunhada  no  célebre  A  Riqueza  das Nações (1778) ganha mais força do que nunca.

Enfim,  Gutenberg  com  a  criação  da  imprensa  em  1439  lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e na disseminação da  aprendizagem  em  massa. O que nos trouxe ao que somos hoje. Daqui para frente  a  questão  é:  como  você  está colaborando para construir a nossa economia de amanhã?

Fica aqui o desafio.

Eduardo Marques
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Definindo um novo destino

maio 16, 2010 por admin  
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Como um ser altamente social, o ser humano vive se incluindo em grupos a fim de se sentir mais seguro e confortável. Sejam esses grupos religiosos, políticos, de trabalho, ou grupos formados no clube em um fim de semana.

Quando não por fatores geográficos ou de nascença, na maioria das vezes pertencemos a esses grupos por questões exclusivas de afinidade. Mas o que acontece quando você não mais tem afinidade com o grupo a qual pertence? Deve-se sair? Permanecer e acatar as decisões do grupo mesmo não concordando com o que os seus componentes dizem ou tentar mudar as pessoas que dele participam?

Acredito que independente da vestimenta coletiva pela qual compartilhamos idéias e que gostamos de ser identificados, somos seres individuais com valores, defeitos e gostos únicos. Viver sob um padrão comportamental regido por filosofias que não mais fazem sentido é negar quem somos em beneficio de instituições e ideologias que não mais acreditamos.

As instituições religiosas e as ideologias políticas podem nos ser muito úteis em nossa busca individual por respostas filosóficas e na nossa atuação constante de moldadores do mundo. Vivenciá-las certamente enriquece o espírito.  Entretanto, temos que ter consciência de que tudo se desenvolve e evolui nesse mundo. Ficar apegado a ideologias e instituições que não acompanharam o desenvolvimento humano das últimas décadas é como ficar apegado a um barco velho que não mais cumpre a sua função e que cedo ou tarde se verá em um museu ou no fundo do mar.

Estamos vivendo em um tempo onde muitas amarras ideológicas estão sendo desfeitas pela rápida democratização das informações e pelas novas formas de se comunicar e se organizar em redes sociais na internet.

Munidos de novas idéias e soluções, o novo cidadão global construirá nos próximos anos um mundo totalmente diferente do que costumávamos viver. O excesso de informações, sensações e contatos que hoje vivenciamos em uma única vida nos coloca em extrema vantagem em relação às gerações que nos antecederam. Se, antes, tínhamos que nos adaptar às instituições concebidas e a um conhecimento limitado e mantido por tradições, hoje as instituições que não se adaptarem e as ideologias que não se renovarem a esse novo homem, aportarão suas embarcações em nossos futuros livros de história.

Eduardo Marques
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A Cauda Longa

abril 19, 2010 por admin  
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Um elegante conceito de se fazer negócios baseado na abundância e na colaboração que põe em cheque a lei da escassez; que por sua vez é o pressuposto dominante que alicerça a teoria econômica lecionada nas universidades de todo o mundo. Bem, por fazer tremer as bases da até então “imutável” lei da oferta e procura, esse livro de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, já pode ser considerado um novo clássico.

O livro parte do principio que a Internet nos libertou e nos forneceu ferramentas (até então limitadas às grandes empresas) para sermos criadores e competidores nesse novo mercado global. Porém, mais do que novos comerciantes com alcance além das nossas cidades, nos abriu espaço para explorarmos as nossas individualidades.

A Cauda LongaPor décadas, várias gerações beberam nas informações e conteúdos que provinham de jornais, TVs e rádios.  Não nos era dado escolher o conteúdo. Adaptávamo-nos ao que vinha desses veículos tornando-os parte de nossas vidas.  Porém, devido à democratização das ferramentas de produção, hoje é possível a qualquer um criar conteúdo e competir com empresas estabelecidas à atenção do consumidor.  Um exemplo disso são os vídeos caseiros que conseguem dividir a atenção de um usuário no Youtube com filmes consagrados.  Atualmente, qualquer um pode ter sua voz na grande rede. Ao se desprender da “Cultura de sucessos” que é imposta pelas indústrias do cinema e música, a pessoa comum pode cultivar e desenvolver os seus gostos pessoais em redes cada vez maiores de pessoas que pensam como ela.

A cauda longa em si aparece no aspecto econômico dessa influência cultural propiciada pela internet através do e-commerce. A famosa Lei de Pareto (também conhecida como princípio 80-20), afirma que 20% dos seus produtos correspondem a 80% de suas vendas. Com base nisso muitas lojas limitam a disponibilização de seus produtos nas prateleiras aos que são mais vendáveis. Aos produtos de sucesso.

cauda longaJá na internet o problema de limite físico de estocagem praticamente não existe. Lojas como a Amazon e o Submarino disponibilizam de tudo e os novos consumidores que antes estavam acostumados a consumir somente os sucessos, agora buscam por coisas mais singulares de acordo com os seus próprios gostos. O que poderia ser difícil encontrar em uma loja de departamento comum se faz acessível em tais sites. Estamos saindo de um mercado de massa para um mercado de nichos. O que nos leva a observar as microtendências atuais. Porém isso é assunto de outro livro…

O importante é que o mundo está ficando mais plural com pessoas que criam, consomem e compartilham ao mesmo tempo. Não há mais papeis definidos. As empresas que não se adaptarem a essa nova realidade se verão engolidas pela maior força democratizante de todos os tempos.

A Cauda Longa
The Long Tail (2006) Chris Anderson

Pesquise aqui no Buscapé

Eduardo Marques

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Poder e mediocridade

abril 3, 2010 por admin  
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Estamos em mais um ano eleitoral e em breve a mesma lengalenga dos discursos simplistas e ilusórios voltará à tona em um coral formado por oportunistas e aproveitadores. Esses verdadeiros vampiros acostumados a sugar dos cofres públicos verbas que serviriam para estruturar nossa nação, serão os protagonistas de várias inserções nas grades televisivas e em toscos “santinhos” que em breve você receberá.

Mas de onde eles aparecem?

Castelo do deputado Edmar Moreira

Na verdade, tenho certeza que você sabe bem de onde eles surgem. Estão ao nosso redor, são colegas e conhecidos que em sua maioria, medíocres, anseiam por poder.  Provindos de uma sociedade onde os valores morais são facilmente substituídos por injeções de satisfação passageira, eles buscam no poder, acesso fácil aos prazeres mundanos.  Com a credencial que o cargo os outorga se sentem senhores acima da lei.  Esquecem que a sua principal finalidade seria servir os que o colocaram em tal posição.

Deixam-se levar pela leviandade presente nessa mesma sociedade em que teriam que consertar.  No final, perdem a importantíssima oportunidade que lhes foi concedida e retardam cada vez mais o amadurecimento de nosso povo.

Já o povo, creditando ao destino seu sofrimento, age passivo, pois sabe que em seu intimo poderia estar fazendo a mesma coisa se tivesse a oportunidade.  Agora lhe pergunto; como mudar então esse ciclo presente a centenas de anos em nosso país?

Agindo com razão e esquecendo as paixões que facilmente são alimentadas por discursos ideológicos que movimentam as massas nesse período. A solução está nas pessoas. Não nos partidos ou ideologias. O comportamento ilibado deve ser a vitrine da pessoa pública que pede para colaborar com a construção de uma nação. Desconfie de soluções miraculosas e de retóricas ensaiadas.  A vida pessoal de quem anseia um cargo de poder deve ser analisada. Ele não fará no seio do poder coisas diferentes do que já fez em sua vida particular.

Hoje em dia é fácil encontrar nas câmaras legislativas de todo o país, políticos com acusações de assassinato, extorsão, roubo e abuso de poder.  Em breve, esses mesmos políticos e outros que anseiam por substituí-los, estarão a pedir o seu voto. Cabe somente a você, mudar o rumo de como se faz política no Brasil. Se ausentar é colaborar com a manutenção do status quo. Como diria o dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Abaixo um vídeo para não se perder a esperança

Eduardo Marques

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Reflexões sobre a Mídia no caso Nardoni

março 28, 2010 por admin  
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Nessa última semana enxergamos o desfecho jurídico de um dos casos mais polemizados pelos meios de comunicação no Brasil. O caso Nardoni, como ficou conhecido, se destacou por colocar em foco o assassinato de uma criança.

Por mais execrável que seja o crime, se torna incompreensível a demasiada cobertura da mídia e a exaltação emocional de populares a cerca do caso. Na verdade, a emoção dos últimos somente ocorreu devido aos préstimos do primeiro.

Curiosos e jornalistas em frente ao forum

Curiosos e jornalistas em frente ao forum

Em um país onde infelizmente crimes hediondos ocorrem regularmente, triste é constatar que as pessoas só se revoltam quando a TV se debruça sobre algo de forma oportuna.  Como um amigo meu bem comentou, esse se tornou o nosso caso O.J Simpson.

O que devemos nos perguntar é: – O que fez com que a TV e os jornais de todo o país escolhessem este crime em detrimento dos outros crimes semelhantes que ocorrem todo dia?

Resposta: Aconteceu na classe média brasileira.

No Brasil, aprendemos a conviver com as misérias à nossa porta, porém, nunca dentro de nossas casas. A divulgação de grande parte dos crimes hediondos que ocorrem em nosso país é feita nos jornais de periferia. Nesses periódicos, casos de decapitação e corpos nos esgotos são fatos comuns. Só que isso não costuma ser notícia em grandes veículos porque ocorre quase que exclusivamente com as classes menos favorecidas da nossa sociedade.

Entretanto, quando crimes desse quilate aparecem nas classes média e alta, o nosso status quo se estremece e faz com que o nada saudável equilíbrio aparente de nossa precária sociedade se veja em cheque.  Vale lembrar que segundo relatório da ONU publicado no último dia 19 de março de 2010, essa distorção de valores sociais, entre pobres e ricos, é a segunda maior do mundo, ficando atrás somente da África do Sul (que já teve um Apartheid).

Seria muito mais proveitoso se a mídia utilizasse de sua força que nos emociona para promover uma necessária mudança de valores em nossa sociedade. Porém, ao invés disso, sai ano entra ano e ela continua a nos escandalizar com mais casos como os do Nardoni, Suzane Von Richthofen e o do assassino do cartunista Glauco.

Eduardo Marques

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Entre o Estado e o Livre Mercado

novembro 19, 2009 por admin  
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Dando continuidade ao artigo: Apagão político, gostaria de expor alguns fatos e idéias a cerca de um tema que desperta a paixão política de vários brasileiros. Afinal, devemos apoiar nossa economia na mão do Estado ou na mão invisível do livre mercado?

Adam Smith em A riqueza das nações defendeu a ampla liberdade do mercado sem a intervenção do Estado. Ele dizia que a própria interação dos indivíduos ordenaria o funcionamento do comércio. Por outro lado, países que se apoiaram fortemente sobre essas premissas sentiram um forte baque quando a crise econômica despontou. Diga-se de passagem, a Islândia simplesmente faliu.

Já países que possuem sua base em uma economia estatal acabam criando monopólio e em muitas vezes misturam interesses políticos com os rendimentos da empresa.

Diante desse quadro o que fazer? Acredito que devamos utilizar um pouco de cada coisa e temperar bastante com parcerias público-privadas, as famosas PPPs.

Tendo em visto isso, creio que deva ficar na mão do Estado o controle de nossas reservas naturais e recursos básicos como saúde, educação e segurança. Em contrapartida, cabe a iniciativa privada desenvolver as outras áreas. Porém, isso deve acontecer com a chancela do governo através dos órgãos reguladores. Se deixarmos o próprio mercado se regular, provavelmente o interesse exclusivo do lucro se sobrepujará ao interesse da prestação de serviço que privilegia a sociedade. Um exemplo disso é o que normalmente ocorre em licitações para recapeamentos de autopistas onde a empresa ganhadora presta um serviço de péssima qualidade para que no próximo ano as estradas estejam novamente destruídas e ela possa ser recontratada.

Entretanto, na outra mão temos o problema do mau-gerenciamento público que por muitas vezes ocorre pelo fato de políticos ocuparem cargos que deveriam ser técnicos e pela limitadíssima visão de implementação de metas de governo e não de nação.

Isso está começando a mudar, pois com a popularização da internet, está ficando cada vez mais fácil ao cidadão verificar e cobrar nos sites do governo a aplicação dos princípios constitucionais da administração pública. Para os que não a conhecem são os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Enfim, apesar de muita gente pedir uma menor intervenção do estado para poder privatizar tudo, temos que lembrar que não é a atuação do estado que tem que ser menor. É o serviço do Estado que tem que ser melhor. E este só será quando tivermos um povo instruído e que cobre. Infelizmente, ainda estamos num patamar aonde é muito comum pessoas instruídas confundirem a ineficiência da gestão do Estado com a sua função de ser.

Eduardo Marques

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A ameaça evangélica

outubro 12, 2009 por admin  
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bancada_evangelica_abusoOutro dia ao “zapear” pelos canais de televisão contabilizei nada menos do que dez programas evangélicos sendo transmitidos ao mesmo tempo. Apesar de não concordar com o que é pregado, compreendo que as palavras expostas na TV possam aliviar as dores de milhares de corações desamparados pelo Brasil.

Entretanto, o que me preocupa em relação a essas pregações é o poder concedido pela sua audiência (composta em sua maioria por fiéis que esquecem a razão para abraçar a fé), aos seus lideres. Poder esse que há anos deixou de se limitar ao campo religioso para abraçar a política. Com uma quantidade crescente de seguidores, os lideres neo-pentecostais, sejam eles bispos ou pastores, ganham cada vez mais espaço na política por se utilizar do voto adquirido nos seus palanques midiáticos.

bancada_evangelica_pastorGostaria de destacar que o dizimo em tais programas é extensamente solicitado para a aquisição de novas igrejas e para mais inserções nas grades televisivas. A Igreja Universal do Reino de Deus, uma bem sucedida empresa, digo Igreja, despontou como modelo para outras como a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Internacional da Graça, a Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra.

Cada vez mais tais igrejas ganham espaço na mídia e infelizmente isso em breve se repetirá na política quando suas ovelhas as seguirem nas urnas. Com isso, temas como células-tronco, união civil de homossexuais e outros temas morais se verão barrados por uma nova aliança entre política e religião.

bancada_evangelica_outdoor

Com Deus como cabo eleitoral, poderão ironicamente nos levar a uma nova Idade das Trevas.  Para os que não conhecem, a Idade das Trevas foi o período de declínio cultural observado na Europa entre a queda de Roma à ascensão do Iluminismo no século XVII. Foi nessa parte da história da humanidade em que a fé cega e a política geraram uma estagnação e atraso social de aproximadamente mil anos.

É preciso ter cuidado.

Eduardo Marques

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A década do Brasil 2010 – 2020

outubro 4, 2009 por admin  
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Que a primeira década do século XXI pertenceu a China, não há dúvidas.  Ao entrar na OMC em 2001, colocou mais de um bilhão de trabalhadores no ciclo do consumo mundial e transferiu o eixo da economia no mundo.china Este acontecimento deu início a um mundo multipolar. Nem com novos “11 de setembro” os EUA restabelecerão sua hegemonia.

O fato é que o mundo mudou. Nessa nova variação, outro país começou também a ganhar espaço na política internacional. Apesar de todos os defeitos que ainda possui, o Brasil passou pela grande crise dos bancos com apenas pequenos arranhões enquanto nações desenvolvidas ainda respiram por aparelhos.

lulaPor mais que falem mal do presidente Lula, ele sem dúvida entrará para a história de nossa nação como o responsável  pelo Brasil que veremos nos próximos anos.  Parafraseando o mesmo em seu mais famoso jargão, “nunca antes na história desse país” o Brasil cresceu tanto. Elogiado lá fora por suas políticas sociais, diplomáticas e de liderança, é visto normalmente por nossa mídia nativa como um simples populista.

A verdade é que no seu governo o cara achou o pré-sal, trouxe a Copa, as Olimpíadas, inseriu o Brasil no G20, incluiu 30 milhões de pessoas na classe média, aumentou as exportações, eliminou a dependência do Brasil com o FMI e se tornou reconhecidamente pelo mundo o representante da nova América Latina.brasil

Na área comercial também faz bonito. Hoje é maior parceiro comercial de todos os países do Cone Sul e tem grande atuação com todos os outros países da América Latina e de língua portuguesa. Se antes os produtos industrializados tinham um maior apelo comercial, hoje são as commodities as cartas da vez. Tendo a maior área de plantação existente, poderemos alimentar o mundo. Com a provável entrada da Petrobras na Opep e com a expansão agrobusinnes, venderemos cada vez mais para o crescente mundo em desenvolvimento que necessita de produtos básicos.

decada_brasilApesar disso tudo, ainda existem pessoas que não acreditam em nossa expansão pelo simples fato de não concordarem com o governo existente.  Ou pior, por não quererem que o sucesso aconteça nessa gestão.  Isso me remete ao meu texto anterior sobre a dualidade política. A verdade, meus amigos, é que independente de governo, o importante é crescer e ganhar confiança. Dentro de poucos anos, a política mudará completamente com a verdadeira democracia que virá da internet.  Mas isso é assunto para um novo post.

Esqueçam as picuinhas políticas! Essa é a chance de nos unirmos por um ideal real. Sejam as Olimpíadas ou a Copa, essa é a nossa hora de crescer. Eu mesmo fui contra as Olimpíadas. Entretanto, depois de escrever sobre como a Copa seria bom para o país ,  já consigo ver como o Rio e o Brasil se beneficiarão dos jogos.

Eduardo Marques

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Dualidade política

setembro 27, 2009 por admin  
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A eterna luta entre Direita X Esquerda

A eterna luta entre Direita X Esquerda

A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo.  Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.

Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro.  Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

Todos querem provar do leite

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses.  De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder.  É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Alienação social

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.

Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.

Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.

Eduardo Marques

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Visão medieval cristã do riso

junho 13, 2009 por admin  
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O riso é motivo de interesse dos homens desde antigos tempos. Aristóteles na Grécia antiga, foi o primeiro filósofo a tratar sobre o tema, observando que o homem é o único animal que ri.

Para Alberti (1999, p. 66), a Idade Média foi um período marcado pela enorme influência eclesiástica cristã sobre o comportamento do povo. O riso era reconhecido como próprio do homem, conforme afirmado por Aristóteles; mas em geral censurado sob o argumento de que Jesus não teria rido em sua vida terrena. Porém, isso é contraditório, pois se Jesus foi o grande modelo humano, o riso torna-se estranho ao homem, ou pelo menos ao homem cristão.

Uma resposta a isso seria que o humor tende a profanar o sagrado. No fundo do nosso ser, rimos dos nossos medos e das nossas crenças. Piadas sobre santos, o paraíso e o inferno são comuns entre os cristãos simples que não se vêem pecando ao pensar e rir sobre o sobrenatural.

O humor questiona as verdades absolutas, os dogmas e as autoridades que as encarnam. Com isso, sofrem a resistência dos que interpretam os textos sagrados e falam em Nome de Deus.

Na obra “O Nome da Rosa” de ECO, verificamos a posição de um eclesiástico medieval, chamado Jorge Burgos, sobre o riso e a sua tentativa de negar às pessoas o acesso a um livro que seria de autoria de Aristóteles, que classificaria o riso como algo sublime:

O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa carne. É o folguedo para o camponês, a licença para o embriagado, mesmo a igreja em sua sabedoria concedeu o momento da festa, do carnaval, da feira, essa ejaculação diurna que descarrega os humores e retém de outros desejos e de outras ambições [...] Mas desse modo o riso permanece coisa vil, defesa para os simples, mistério dessacralizado para a plebe. Elegei o rei dos tolos, perdei-vos na liturgia do asno e do porco, representai as vossas saturnais de cabeça para baixo [...] Mas aqui afunção do riso é invertida, elevada à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz dele objeto da filosofia, e de pérfida teologia [...]
(ECO, 2003, p. 454-455).

A Igreja Católica Romana, que detinha o controle do poder e do conhecimento na Europa medieval, temia o riso, pois ele liberta o indivíduo do medo do demônio. Se o homem tiver a liberdade de rir, o que o impedirá de afrontar a autoridade instituída e, no limite, o próprio Deus, com o seu riso? Assim, a religião encontra refúgio no temor.

Paradoxalmente, o crente ama e teme a divindade; aceita-a e voluntariamente submete-se. O que muitas vezes pode vir a se tornar terror. Como escapar de um Deus onipresente e onisciente? O temor é, portanto, fundamental, e quem ri tende a não temer.

O riso libera o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria. Que o riso é próprio do homem é sinal do nosso limite de pecadores. O riso distrai, por alguns instantes o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. E deste livro poderia nascer a nova e destrutiva aspiração a destruir a morte através da libertação do medo.
(ECO, 2003, p. 455).

Alberti (1999, p. 69), resume a posição da igreja sobre o riso na Idade Média da seguinte maneira: é impossível à religião eliminar o riso; trata-se, portanto, de admiti-lo sob certas condições e de interditá-lo naquilo que pode afrontar a verdade instituída.

A resposta da tradição teológica medieval a este dilema será a diferenciação entre dois gêneros do riso: a laettitia e o gaudum spirituale.

O primeiro se refere à felicidade das coisas terrenas e passageiras, algo negativo, fazia assim com que o homem esquecesse sua missão.

O segundo, em compensação, era a verdadeira felicidade, aquela que atingia sua maior realização após a morte, mas podia ser experimentada ainda em vida, pela contemplação de Deus e de suas criações. A esta última correspondia o riso discreto e mudo que exprimia a felicidade do coração.

ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da FGV, 1999.

ECO, Umberto. O nome da rosa. Lisboa: Difel: 1984.

Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso O Humor na Publicidade de Eduardo de Abreu Marques e André Augusto Ferreira.

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