Entre o Estado e o Livre Mercado

novembro 19, 2009 por admin  
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Dando continuidade ao artigo: Apagão político, gostaria de expor alguns fatos e idéias a cerca de um tema que desperta a paixão política de vários brasileiros. Afinal, devemos apoiar nossa economia na mão do Estado ou na mão invisível do livre mercado?

Adam Smith em A riqueza das nações defendeu a ampla liberdade do mercado sem a intervenção do Estado. Ele dizia que a própria interação dos indivíduos ordenaria o funcionamento do comércio. Por outro lado, países que se apoiaram fortemente sobre essas premissas sentiram um forte baque quando a crise econômica despontou. Diga-se de passagem, a Islândia simplesmente faliu.

Já países que possuem sua base em uma economia estatal acabam criando monopólio e em muitas vezes misturam interesses políticos com os rendimentos da empresa.

Diante desse quadro o que fazer? Acredito que devamos utilizar um pouco de cada coisa e temperar bastante com parcerias público-privadas, as famosas PPPs.

Tendo em visto isso, creio que deva ficar na mão do Estado o controle de nossas reservas naturais e recursos básicos como saúde, educação e segurança. Em contrapartida, cabe a iniciativa privada desenvolver as outras áreas. Porém, isso deve acontecer com a chancela do governo através dos órgãos reguladores. Se deixarmos o próprio mercado se regular, provavelmente o interesse exclusivo do lucro se sobrepujará ao interesse da prestação de serviço que privilegia a sociedade. Um exemplo disso é o que normalmente ocorre em licitações para recapeamentos de autopistas onde a empresa ganhadora presta um serviço de péssima qualidade para que no próximo ano as estradas estejam novamente destruídas e ela possa ser recontratada.

Entretanto, na outra mão temos o problema do mau-gerenciamento público que por muitas vezes ocorre pelo fato de políticos ocuparem cargos que deveriam ser técnicos e pela limitadíssima visão de implementação de metas de governo e não de nação.

Isso está começando a mudar, pois com a popularização da internet, está ficando cada vez mais fácil ao cidadão verificar e cobrar nos sites do governo a aplicação dos princípios constitucionais da administração pública. Para os que não a conhecem são os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Enfim, apesar de muita gente pedir uma menor intervenção do estado para poder privatizar tudo, temos que lembrar que não é a atuação do estado que tem que ser menor. É o serviço do Estado que tem que ser melhor. E este só será quando tivermos um povo instruído e que cobre. Infelizmente, ainda estamos num patamar aonde é muito comum pessoas instruídas confundirem a ineficiência da gestão do Estado com a sua função de ser.

Eduardo Marques

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A ameaça evangélica

outubro 12, 2009 por admin  
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bancada_evangelica_abusoOutro dia ao “zapear” pelos canais de televisão contabilizei nada menos do que dez programas evangélicos sendo transmitidos ao mesmo tempo. Apesar de não concordar com o que é pregado, compreendo que as palavras expostas na TV possam aliviar as dores de milhares de corações desamparados pelo Brasil.

Entretanto, o que me preocupa em relação a essas pregações é o poder concedido pela sua audiência (composta em sua maioria por fiéis que esquecem a razão para abraçar a fé), aos seus lideres. Poder esse que há anos deixou de se limitar ao campo religioso para abraçar a política. Com uma quantidade crescente de seguidores, os lideres neo-pentecostais, sejam eles bispos ou pastores, ganham cada vez mais espaço na política por se utilizar do voto adquirido nos seus palanques midiáticos.

bancada_evangelica_pastorGostaria de destacar que o dizimo em tais programas é extensamente solicitado para a aquisição de novas igrejas e para mais inserções nas grades televisivas. A Igreja Universal do Reino de Deus, uma bem sucedida empresa, digo Igreja, despontou como modelo para outras como a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Internacional da Graça, a Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra.

Cada vez mais tais igrejas ganham espaço na mídia e infelizmente isso em breve se repetirá na política quando suas ovelhas as seguirem nas urnas. Com isso, temas como células-tronco, união civil de homossexuais e outros temas morais se verão barrados por uma nova aliança entre política e religião.

bancada_evangelica_outdoor

Com Deus como cabo eleitoral, poderão ironicamente nos levar a uma nova Idade das Trevas.  Para os que não conhecem, a Idade das Trevas foi o período de declínio cultural observado na Europa entre a queda de Roma à ascensão do Iluminismo no século XVII. Foi nessa parte da história da humanidade em que a fé cega e a política geraram uma estagnação e atraso social de aproximadamente mil anos.

É preciso ter cuidado.

Eduardo Marques

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A década do Brasil 2010 – 2020

outubro 4, 2009 por admin  
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Que a primeira década do século XXI pertenceu a China, não há dúvidas.  Ao entrar na OMC em 2001, colocou mais de um bilhão de trabalhadores no ciclo do consumo mundial e transferiu o eixo da economia no mundo.china Este acontecimento deu início a um mundo multipolar. Nem com novos “11 de setembro” os EUA restabelecerão sua hegemonia.

O fato é que o mundo mudou. Nessa nova variação, outro país começou também a ganhar espaço na política internacional. Apesar de todos os defeitos que ainda possui, o Brasil passou pela grande crise dos bancos com apenas pequenos arranhões enquanto nações desenvolvidas ainda respiram por aparelhos.

lulaPor mais que falem mal do presidente Lula, ele sem dúvida entrará para a história de nossa nação como o responsável  pelo Brasil que veremos nos próximos anos.  Parafraseando o mesmo em seu mais famoso jargão, “nunca antes na história desse país” o Brasil cresceu tanto. Elogiado lá fora por suas políticas sociais, diplomáticas e de liderança, é visto normalmente por nossa mídia nativa como um simples populista.

A verdade é que no seu governo o cara achou o pré-sal, trouxe a Copa, as Olimpíadas, inseriu o Brasil no G20, incluiu 30 milhões de pessoas na classe média, aumentou as exportações, eliminou a dependência do Brasil com o FMI e se tornou reconhecidamente pelo mundo o representante da nova América Latina.brasil

Na área comercial também faz bonito. Hoje é maior parceiro comercial de todos os países do Cone Sul e tem grande atuação com todos os outros países da América Latina e de língua portuguesa. Se antes os produtos industrializados tinham um maior apelo comercial, hoje são as commodities as cartas da vez. Tendo a maior área de plantação existente, poderemos alimentar o mundo. Com a provável entrada da Petrobras na Opep e com a expansão agrobusinnes, venderemos cada vez mais para o crescente mundo em desenvolvimento que necessita de produtos básicos.

decada_brasilApesar disso tudo, ainda existem pessoas que não acreditam em nossa expansão pelo simples fato de não concordarem com o governo existente.  Ou pior, por não quererem que o sucesso aconteça nessa gestão.  Isso me remete ao meu texto anterior sobre a dualidade política. A verdade, meus amigos, é que independente de governo, o importante é crescer e ganhar confiança. Dentro de poucos anos, a política mudará completamente com a verdadeira democracia que virá da internet.  Mas isso é assunto para um novo post.

Esqueçam as picuinhas políticas! Essa é a chance de nos unirmos por um ideal real. Sejam as Olimpíadas ou a Copa, essa é a nossa hora de crescer. Eu mesmo fui contra as Olimpíadas. Entretanto, depois de escrever sobre como a Copa seria bom para o país ,  já consigo ver como o Rio e o Brasil se beneficiarão dos jogos.

Eduardo Marques

Veja também:

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Dualidade política

setembro 27, 2009 por admin  
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A eterna luta entre Direita X Esquerda

A eterna luta entre Direita X Esquerda

A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo.  Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.

Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro.  Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

Todos querem provar do leite

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses.  De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder.  É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Alienação social

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.

Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.

Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.

Eduardo Marques

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Visão medieval cristã do riso

junho 13, 2009 por admin  
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O riso é motivo de interesse dos homens desde antigos tempos. Aristóteles na Grécia antiga, foi o primeiro filósofo a tratar sobre o tema, observando que o homem é o único animal que ri.

Para Alberti (1999, p. 66), a Idade Média foi um período marcado pela enorme influência eclesiástica cristã sobre o comportamento do povo. O riso era reconhecido como próprio do homem, conforme afirmado por Aristóteles; mas em geral censurado sob o argumento de que Jesus não teria rido em sua vida terrena. Porém, isso é contraditório, pois se Jesus foi o grande modelo humano, o riso torna-se estranho ao homem, ou pelo menos ao homem cristão.

Uma resposta a isso seria que o humor tende a profanar o sagrado. No fundo do nosso ser, rimos dos nossos medos e das nossas crenças. Piadas sobre santos, o paraíso e o inferno são comuns entre os cristãos simples que não se vêem pecando ao pensar e rir sobre o sobrenatural.

O humor questiona as verdades absolutas, os dogmas e as autoridades que as encarnam. Com isso, sofrem a resistência dos que interpretam os textos sagrados e falam em Nome de Deus.

Na obra “O Nome da Rosa” de ECO, verificamos a posição de um eclesiástico medieval, chamado Jorge Burgos, sobre o riso e a sua tentativa de negar às pessoas o acesso a um livro que seria de autoria de Aristóteles, que classificaria o riso como algo sublime:

O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez de nossa carne. É o folguedo para o camponês, a licença para o embriagado, mesmo a igreja em sua sabedoria concedeu o momento da festa, do carnaval, da feira, essa ejaculação diurna que descarrega os humores e retém de outros desejos e de outras ambições [...] Mas desse modo o riso permanece coisa vil, defesa para os simples, mistério dessacralizado para a plebe. Elegei o rei dos tolos, perdei-vos na liturgia do asno e do porco, representai as vossas saturnais de cabeça para baixo [...] Mas aqui afunção do riso é invertida, elevada à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz dele objeto da filosofia, e de pérfida teologia [...]
(ECO, 2003, p. 454-455).

A Igreja Católica Romana, que detinha o controle do poder e do conhecimento na Europa medieval, temia o riso, pois ele liberta o indivíduo do medo do demônio. Se o homem tiver a liberdade de rir, o que o impedirá de afrontar a autoridade instituída e, no limite, o próprio Deus, com o seu riso? Assim, a religião encontra refúgio no temor.

Paradoxalmente, o crente ama e teme a divindade; aceita-a e voluntariamente submete-se. O que muitas vezes pode vir a se tornar terror. Como escapar de um Deus onipresente e onisciente? O temor é, portanto, fundamental, e quem ri tende a não temer.

O riso libera o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria. Que o riso é próprio do homem é sinal do nosso limite de pecadores. O riso distrai, por alguns instantes o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo. E deste livro poderia nascer a nova e destrutiva aspiração a destruir a morte através da libertação do medo.
(ECO, 2003, p. 455).

Alberti (1999, p. 69), resume a posição da igreja sobre o riso na Idade Média da seguinte maneira: é impossível à religião eliminar o riso; trata-se, portanto, de admiti-lo sob certas condições e de interditá-lo naquilo que pode afrontar a verdade instituída.

A resposta da tradição teológica medieval a este dilema será a diferenciação entre dois gêneros do riso: a laettitia e o gaudum spirituale.

O primeiro se refere à felicidade das coisas terrenas e passageiras, algo negativo, fazia assim com que o homem esquecesse sua missão.

O segundo, em compensação, era a verdadeira felicidade, aquela que atingia sua maior realização após a morte, mas podia ser experimentada ainda em vida, pela contemplação de Deus e de suas criações. A esta última correspondia o riso discreto e mudo que exprimia a felicidade do coração.

ALBERTI, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; Editora da FGV, 1999.

ECO, Umberto. O nome da rosa. Lisboa: Difel: 1984.

Este texto faz parte do trabalho de conclusão de curso O Humor na Publicidade de Eduardo de Abreu Marques e André Augusto Ferreira.

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Prevendo o futuro

junho 4, 2009 por admin  
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O acidente do vôo 447 da Air France tomou conta dos noticiários globais nos últimos dois dias.  Como em todo grande acidente, depois da comoção sempre aparece alguém que diz ter tido sonhos premonitórios sobre o evento ocorrido.  Porém, neste caso ocorreu o inverso e graças ao advento da Internet colaborativa, onde a pessoa interage e cria conteúdo, ficou registrado em um tópico de uma comunidade sobre Ufologia e Espiritualidade do Orkut o sonho de um usuário.  No post de 29 de maio o mesmo afirmou ter tido um sonho onde um avião da Air France caia no mar. Vale lembrar que o acidente ocorreu na madrugada do dia 31 de maio.

Isso me fez refletir sobre a nossa percepção de tempo.  Sem cair no critério de se o caso ilustra ou não um exemplo real de sonho premonitório, me coloquei a pensar em como explicar o fenômeno através de uma dedução lógica.

Para mim o tempo não funciona numa linha linear de passado, presente e futuro. Funciona de forma constante e em sincronia. Ao ver desse modo, é possível sim você conseguir ter premonições. Veja o exemplo…

Tudo funciona em sincronia. Olhe o nosso organismo! Ao me ferir com um corte, cada célula trabalha isoladamente para se regenerar. Este fato desencadeia uma onda de ações de outras células que complementam a primeira e produzem as nossas reações de recuperação. Há uma linha de tempo de recuperação, mas as ações são constantes. Um exemplo similar seria o que ocorre quando os planetas do nosso sistema solar completam suas órbitas para manterem o equilíbrio gravitacional que torna a vida possível na Terra. Cada um faz a sua órbita, mas ao entender os seus trajetos, conseguimos prever eclipses e alinhamentos no percurso.

Com o tempo não deve ser diferente. Todos nós fazemos parte de um sistema que funciona em sincronia. Apesar de o nosso livre-arbítrio nos dar “liberdade” para criar nosso destino, este não deve se distanciar muito de uma linha padrão de comportamentos. Sendo assim possível para algumas pessoas conseguir ver ou pressentir o “futuro”.

O fato de algumas pessoas conseguirem prever o futuro nada tem a ver com misticismo ou magia, de crer ou não crer e sim com entender como as coisas funcionam.

Veja aqui a “previsão” postada no Orkut.

Dado interessante: Após a divulgação da previsão, a humilde comunidade passou de 500 para mais de 7000 pessoas em 48h.

Eduardo Marques

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A Última Hora

maio 30, 2009 por admin  
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A Última Hora (The 11th Hour) é um documentário de 2007, narrado e produzido por Leonardo DiCaprio que aborda os desastres naturais causados pela própria humanidade. Tive o prazer de assisti-lo enquanto me recuperava da minha pequena cirurgia de desvio de septo (razão pela qual este site ficou sem atualizações por mais de uma semana).

É um ótimo documentário bem embasado e que conta com mais de 50 entrevistas de renomados cientistas e lideres do planeta, tais como Stephen Hawking e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev.  Serve para nos alertar dos problemas que vem sendo causados constantemente pelo ser humano ao longo dos últimos 50 anos.

Diferente de outros documentários apocalípticos, este enfoca em como nós, seres humanos que vivemos nesse momento tão delicado da história do planeta podemos fazer a transição de vilões para mocinhos.  Podemos ser a geração que irá mudar o planeta e criar um novo modo de pensar e agir.

Aconselho o filme a todos!

Eduardo Marques

Veja o trailer.


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A religião como um caminho

maio 17, 2009 por admin  
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Por muito tempo me considerei um ferrenho crítico das religiões ocidentais. Não conseguia entender como as pessoas podiam acreditar piamente em coisas tão simbólicas e recheadas de mitologia como as demonstradas no Antigo e Novo Testamento. Não me parecia certo entregar a vida a uma Igreja desatualizada e a pregadores, que se mostravam despreparados.

Com o tempo essa minha visão mudou. Não, não fui catequizado nem convertido. Apenas abri os meus olhos para um entendimento mais universal do ser humano.

A vida é dura e por muitas vezes o caminho a traçar  não é nada fácil. O que não deixa de ser belo e admirável, diga-se de passagem. Porém, nessa corrida pela sobrevivência, o egoísmo e a vontade individual de se sobressair a qualquer custo dessa jornada nos moldaram como somos. Egoístas. Isso foi necessário em grande parte do nosso percurso. A diferença agora é que não temos mais predadores e nem escassez de alimentos.  A mudança que devemos ter como meta daqui para frente é a mudança da mente.  E é nesse ponto em que as religiões entram. Em geral, todas falam de amor, de perdão, de mudança de comportamento e de fraternidade. Os exemplos são os mais variados.

Agora você me pergunta, porque então devemos seguir a religião para alcançar a mudança interior? Na verdade, nós necessariamente não precisamos.  Se conseguirmos entender através da razão o valor que cada pessoa possui e que todos merecem ter uma vida digna e prospera, teremos alcançado um novo estágio como humanos.

Teremos destruído o egoísmo que não é mais útil para desenvolvermos outros sentidos.  Porém a razão é só um caminho. Existem outros que apesar de diferentes, levam para o mesmo fim. Cada um ao seu modo, com seus símbolos e mitos que não são nada mais do que uma forma de se comunicar. Devemos respeitar as pessoas que buscam os seus caminhos nas mais diferentes religiões porque um dia todos conseguirão compreender que o futuro dos homens é a paz, não somente porque a religião diz e sim porque somente assim restabeleceremos a harmonia com a Terra mais uma vez.

Eduardo Marques

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Ying e Yang

abril 7, 2009 por admin  
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Texto por Eduardo Marques – Porto Alegre -

Talvez o drama por excelência do homem Ocidental contemporâneo esteja retratado no Fausto de Goethe, no qual vemos o Dr. Fausto, movido pela ambição de possuir todos os bens do mundo, entregar a própria alma ao Diabo. O trágico da ambição que se transforma em valor absoluto está exatamente nisso: a ambição se satisfaz com a pura ambição, em lugar de levar a criatura a possuir, leva-a a ser possuída; ela não domina as coisas, mas é dominada por elas.

Podemos dizer que o homem Ocidental vive preso ao imediato. À medida que o homem mais desconhece a razão de ser de sua vida, tanto mais ele se agarra às pequeninas coisas do cotidiano. Tanto menos ele conhece o sentido de sua vida, mais é tomado de uma angústia e paixão, que deixam a impressão de uma pressa de chegar sem que ele saiba aonde.

O mundo ocidental inventou um modelo prometeico de dominação, de conquista da natureza, que afasta qualquer idéia de sabedoria. O problema de vida e da morte foi ocultado por esta agitação em que fomos envolvidos.

Nunca se estudou tanto, e mesmo assim o homem ocidental perdeu o senso de como encaminhar sua vida sabiamente. Por uma mentalidade pragmatista, utilitarista, ativista; se empolgou tanto com o fazer, que se esqueceu do por que fazer. Se preocupou tanto com o ter, que se esqueceu do ser. Deixo-se envolver tanto pela necessidade de produção, que perdeu o senso de perfeição.

Nossas vidas são agora dominadas por uma deusa, a “Razão”, que é a nossa ilusão maior e mais trágica. É com a ajuda dela que acreditamos ter “conquistado a natureza”. Que chegamos a um nível muito elevado de desenvolvimento, já que associamos progresso a desenvolvimento científico. O desenvolvimento técnico-científico, por outro lado, nos deu uma sensação imensa de liberdade, que foi somada a nosso crescente individualismo. A aspiração por poder – de consumo, de mando – se identificou com o exercício da liberdade. Já que descarregamos nossas frustrações fetichizando objetos, tentando preencher nossas lacunas com bens de consumo; além de acharmos que o poder traz liberdade – já que quem manda transpassa a sensação de ser mais livre, menos envolto nas dificuldades pela sobrevivência.

Construímos, assim, asas como Ícaro, que voa deslumbrado inconseqüentemente até se precipitar no vazio. O vazio da solidão, da insatisfação, da atomização, das drogas, do álcool, de uma busca incessante que não leva a lugar algum… Tudo isso somado a uma vasta coleção de neuroses e patologias mentais.

Encontramo-nos numa época de transição e de tomada de consciência de uma falta. Daí decorre uma necessidade de Oriente, que resulta do vazio de nossas vidas de Ocidente. Esta necessidade foi estimulada pela descoberta que nosso individualismo está longe de nos trazer paz interior. O individualismo possui uma face iluminada e clara: a das liberdades, autonomias e responsabilidades. Mas possui também uma face sombria, cuja sombra amplia-se entre nós: a atomização, a solidão, a angústia. Daí o recurso ao Oriente do budismo, do zen, dos gurus, mantras, incensos, filosofias orientais, Yoga, etc. Talvez essa seja nossa reação contra a dissociação do nosso ser, a busca da parte ausente, do contemplativo; que se dirige ao engrandecimento do nosso próprio ser. Que foi sendo esquecida gradativamente com o triunfalismo da ufania racionalista e cientificista do iluminismo.

Recorrendo as praticas orientais, por vezes elas mesmas ocidentalizadas, o que acabamos finalmente por aprender através delas? Um certo distanciamento em relação a si mesmo, que é o famoso “largar de mão”, um esforço para se desvencilhar do que compulsivamente se quer reter em mãos. É o que acontece com uma meditação que consiste em assumir o vazio ou o silêncio em si.
Essas culturas, na imensa maioria, tem a certeza da reencarnação, da vivência em muitos corpos na busca da superação de si mesmo, o que leva a uma inevitável valorização de construções “pétreas” do espírito, aquisições para sempre, a valorização do auto-conhecimento, da sabedoria nas mais diversas formas. Umaidéia que se assemelha ao “Paradigma Holográfico” da nossa filosofia, que sabe que o todo está contido no uno e o uno no todo. Ou, quanto mais conhecer-te a ti mesmo, mais conhecerás o todo, e vice-versa.

Na índia temos a origem de muitas religiões como o Budismo, o Jainismo e o Hinduísmo. Podem ser centradas sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser, como os hinduístas. Do pensamento de renúncia, o pensamento de não má vontade, o pensamento de não crueldade, compreensão da origem do sofrimento, compreensão do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento, como para os budistas, etc.

Ou então, da necessidade de escapar a esse ciclo infernal de sofrimentos, a fim de se atingir um nada que, ao mesmo tempo, significa plenitude: o nirvana. Ou sair do ciclo de karmas sucessivos – o Samsara (perambulação) – por nosso próprio esforço de elevação espiritual e esforço por nossos semelhantes, pois estamos presos a eles por nossos próprios erros e temos que voltar para corrigi-los. E, enquanto não estivermos livres de todos nossos erros, continuaremos presos ao Samsara através do Karma. Como disse Rinpoche:

“Quando alguns grandes mestres do passado refletiram sobre a preciosidade da existência humana, eles nem mesmo tinham vontade de dormir; não suportavam desperdiçar um único instante. Eles colocavam toda sua energia na prática espiritual”.

A religião dos Hindus é a busca inata pelo divino dentro do Ser, a busca por encontrar a Verdade que nunca foi perdida de fato. Certamente nós, ocidentais, temos muito a aprender com a filosofia, cultura e religião oriental. Talvez esse seja o complemento do nosso ser, o lastro que nos falta nos embates da vida cotidiana, como o equilíbrio entre o Ying e o Yang.

Vivemos envoltos em arquétipos de felicidade e satisfação que exaltam o materialismo e o egoísmo em meio aos seres. Uma constatação que se pode fazer é que os seres se tornam egoístas mesmo sem o querer ser. E, enquanto não compreendermos nossa verdadeira natureza, nosso deus interior, a amplitude da consciência espiritual… Continuaremos nos arrastando nos mais diversos sofrimentos e problemas morais e sociais, como vemos atualmente.

Reflitamos então sobre a pergunta que um monge fez ao seu Mestre: “Como posso sair da Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?” O Mestre respondeu: “Quem te colocou nela?”.

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