Dualidade política

A eterna luta entre Direita X Esquerda
A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo. Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.
Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro. Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses. De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder. É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.
Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.
Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.
Eduardo Marques
A classe média brasileira
No Brasil todos querem ser de direita. Todos querem ter carro, eletrônicos, viajar, consumir e se divertir.
Para ser bem aceito, mostrar que sabe das coisas, o cidadão classe média padrão brasileiro (aquele que vem pré formatado de fábrica), assina a VEJA, reclama do presidente e acha que privatização é a solução do Brasil, além de apontar que a influência do estado deveria ser minima, pois só o investimento privado pode salvar a nação.
Afinal, existe muita corrupção com o dinheiro público não é mesmo?
Não percebem que não é a atuação do Estado que tem que ser menor e sim o serviço do estado que tem que ser melhor.
Lembre-se, a função do estado é servir o povo e isso não é necessariamente o foco da iniciativa privada, que visa o interesse próprio acima do bem coletivo.
O pessoal tende a confundir a ineficiencia do estado tendo como base o modo como ele está sendo aplicado nesta epoca com a sua real utilidade.
No final nas contas, quem manda no estado é o próprio capital, o interesse privado pois tudo é feito pensando nas empresas.
Um simples exemplo disso:
A matriz de transporte brasileira é baseada em rodovias porque foi preciso agradar as empresas de borracha, as industrias automotivas que iriam se instalar no país e outras empresas americanas e europeias no passado. Se o Estado realmente se importasse com o povo, teria instituido um sistema ferroviario que é muito mais lógico e inteligente para as nossas proporções.
O problema do nosso estado é que ele pensa muito mais no dinheiro do que no desenvolvimento.
A verdade é que é muito mais facil culpar o estado, ir na onda, tirando o foco do articulador-raiz do problema que é o poder desenfreado da iniciativa privada aliada à corrupção criada pelos membros responsáveis pelo estado.


