A Cauda Longa
Um elegante conceito de se fazer negócios baseado na abundância e na colaboração que põe em cheque a lei da escassez; que por sua vez é o pressuposto dominante que alicerça a teoria econômica lecionada nas universidades de todo o mundo. Bem, por fazer tremer as bases da até então “imutável” lei da oferta e procura, esse livro de Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, já pode ser considerado um novo clássico.
O livro parte do principio que a Internet nos libertou e nos forneceu ferramentas (até então limitadas às grandes empresas) para sermos criadores e competidores nesse novo mercado global. Porém, mais do que novos comerciantes com alcance além das nossas cidades, nos abriu espaço para explorarmos as nossas individualidades.
Por décadas, várias gerações beberam nas informações e conteúdos que provinham de jornais, TVs e rádios. Não nos era dado escolher o conteúdo. Adaptávamo-nos ao que vinha desses veículos tornando-os parte de nossas vidas. Porém, devido à democratização das ferramentas de produção, hoje é possível a qualquer um criar conteúdo e competir com empresas estabelecidas à atenção do consumidor. Um exemplo disso são os vídeos caseiros que conseguem dividir a atenção de um usuário no Youtube com filmes consagrados. Atualmente, qualquer um pode ter sua voz na grande rede. Ao se desprender da “Cultura de sucessos” que é imposta pelas indústrias do cinema e música, a pessoa comum pode cultivar e desenvolver os seus gostos pessoais em redes cada vez maiores de pessoas que pensam como ela.
A cauda longa em si aparece no aspecto econômico dessa influência cultural propiciada pela internet através do e-commerce. A famosa Lei de Pareto (também conhecida como princípio 80-20), afirma que 20% dos seus produtos correspondem a 80% de suas vendas. Com base nisso muitas lojas limitam a disponibilização de seus produtos nas prateleiras aos que são mais vendáveis. Aos produtos de sucesso.
Já na internet o problema de limite físico de estocagem praticamente não existe. Lojas como a Amazon e o Submarino disponibilizam de tudo e os novos consumidores que antes estavam acostumados a consumir somente os sucessos, agora buscam por coisas mais singulares de acordo com os seus próprios gostos. O que poderia ser difícil encontrar em uma loja de departamento comum se faz acessível em tais sites. Estamos saindo de um mercado de massa para um mercado de nichos. O que nos leva a observar as microtendências atuais. Porém isso é assunto de outro livro…
O importante é que o mundo está ficando mais plural com pessoas que criam, consomem e compartilham ao mesmo tempo. Não há mais papeis definidos. As empresas que não se adaptarem a essa nova realidade se verão engolidas pela maior força democratizante de todos os tempos.
A Cauda Longa
The Long Tail (2006) Chris Anderson
Eduardo Marques
A democratização da comunicação.
A veiculação de informações pelas mídias no Brasil esteve por muito tempo nas mãos de seis redes de televisão e de uma dúzia de jornais e revistas mantidas por velhos grupos de comunicação. Tudo o que assistíamos ou líamos era trazido ao nosso conhecimento por estes grupos.
Desta forma, a opinião pública nacional era facilmente conduzida (ou porque não dizer induzida) por estes meios. Foi o tempo da comunicação de mão única que hoje está agonizando.
O fato é que os tempos mudaram e com ele os meios de comunicação. Hoje, final da primeira década do século XXI, qualquer pessoa alfabetizada que tenha acesso a um computador pode conseguir informações sobre quase tudo já produzido pela humanidade. Com o advento da Internet 2.0, as mídias sociais se multiplicaram e qualquer um pode criar e divulgar facilmente o que quiser. De vídeos a textos, passando por fotos e áudio, a internet se tornou o meio real de se conectar a humanidade.
Com ela novos costumes e comportamentos foram criados. Se antes esperávamos o Jornal Nacional nos informar o que houve durante o dia, hoje vamos até a notícia que é divulgada em tempo real por sites e pessoas comuns presentes na grande rede que disponibilizam com seus celulares e computadores tudo o que acontece ao redor do planeta.
A comunicação agora acontece em duas vias. Os telespectadores e leitores que eram passivos, hoje produzem conteúdo e disputam espaço com as empresas que outrora monopolizavam o que era divulgado no país.
Não há mais espaço para grandes figurões. A opinião pública cada vez mais será diversificada e pública! Novos meios de se comprar e se comportar já desenham como os próximos anos serão.
Abaixo um vídeo bastante interessante criado por Gustavo Donda e a equipe da TV1, apresentado na 1ª Conferência Web 2.0 sobre a revolução da comunicação e na economia causada pelas mudanças tecnológicas.
Vejo um mundo cada vez mais cheio de Rafinhas…
Detalhe: Este vídeo é de 2007. Não existia Twitter e nem Iphone.
É impossível prever o que virá! Entretanto, de uma coisa estou certo, viveremos em uma era sem igual!
Seja bem-vindo ao novo mundo da comunicação digital!


