A revolução do consumidor
O século XXI chegou e trouxe com ele uma mudança radical no modo como fazemos negócios, nos relacionamos em grupo e divulgamos idéias e produtos. Modelos de negócios que até o final do século passado funcionavam bem, estão sendo colocados em xeque pelos consumidores que não mais querem ser vistos como números. Afinal, o que vem ocorrendo que velhas fórmulas não funcionam mais como antigamente?
A simples democratização do conhecimento. Por séculos, os grandes centros urbanos foram os responsáveis por reunir os pilares: conhecimento e mentes afins, para a produção da maioria dos avanços artísticos, filosóficos e tecnológicos que a nossa sociedade já produziu. Hoje, a internet consegue juntar de forma magistral a geração e armazenagem de conhecimento com a reunião virtual de pessoas ao redor do mundo.
Neste novo contexto, a figura do consumidor passivo do século XX dá lugar ao cidadão do terceiro milênio, que cada vez mais móvel e conectado, obtêm em um clique informações do que desejar. Assim, nesse novo mundo, velhos modelos de negócios tais como algumas profissões, terão que ser revistas ou simplesmente desaparecerão.
Ao diminuir vertiginosamente a distância entre os “especialistas” e o público, a internet propiciou ao último a vantagem da informação que antes era exclusiva do primeiro. Com essa vantagem, as figuras do vendedor e da publicidade barata simplesmente perdem a força.
Este novo cidadão descobriu que, se quiser, tem o poder de aumentar ou destruir a reputação de uma marca com extrema facilidade. De posse dessa noção, mais do que nunca ele impõe às empresas de todos os segmentos, que elas sejam moralmente corretas e exercitem sua responsabilidade socioambiental. Empresas pioneiras, como a Coca-Cola e a brasileira Natura, já entenderam a mensagem e estão se reinventando.
No livro Freakonomics (2005), de Steven Levitt, o autor menciona que o moralismo representa a forma como as pessoas gostariam que o mundo funcionasse, enquanto a economia representa a forma de como ele realmente funciona. Se isso é verdade, hoje temos a possibilidade real – dentro do aspecto econômico atual - de moldarmos o mundo tendo como base valores sociais.
É o renascimento da “mão invisível”, de Adam Smith, que orienta o mercado através da interação dos indivíduos. Com a diminuição da assimetria das informações - o fato de alguns saberem mais do que os outros – a idéia cunhada no célebre A Riqueza das Nações (1778) ganha mais força do que nunca.
Enfim, Gutenberg com a criação da imprensa em 1439 lançou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e na disseminação da aprendizagem em massa. O que nos trouxe ao que somos hoje. Daqui para frente a questão é: como você está colaborando para construir a nossa economia de amanhã?
Fica aqui o desafio.
Eduardo Marques
Poder e mediocridade
Estamos em mais um ano eleitoral e em breve a mesma lengalenga dos discursos simplistas e ilusórios voltará à tona em um coral formado por oportunistas e aproveitadores. Esses verdadeiros vampiros acostumados a sugar dos cofres públicos verbas que serviriam para estruturar nossa nação, serão os protagonistas de várias inserções nas grades televisivas e em toscos “santinhos” que em breve você receberá.
Mas de onde eles aparecem?
Na verdade, tenho certeza que você sabe bem de onde eles surgem. Estão ao nosso redor, são colegas e conhecidos que em sua maioria, medíocres, anseiam por poder. Provindos de uma sociedade onde os valores morais são facilmente substituídos por injeções de satisfação passageira, eles buscam no poder, acesso fácil aos prazeres mundanos. Com a credencial que o cargo os outorga se sentem senhores acima da lei. Esquecem que a sua principal finalidade seria servir os que o colocaram em tal posição.
Deixam-se levar pela leviandade presente nessa mesma sociedade em que teriam que consertar. No final, perdem a importantíssima oportunidade que lhes foi concedida e retardam cada vez mais o amadurecimento de nosso povo.
Já o povo, creditando ao destino seu sofrimento, age passivo, pois sabe que em seu intimo poderia estar fazendo a mesma coisa se tivesse a oportunidade. Agora lhe pergunto; como mudar então esse ciclo presente a centenas de anos em nosso país?
Agindo com razão e esquecendo as paixões que facilmente são alimentadas por discursos ideológicos que movimentam as massas nesse período. A solução está nas pessoas. Não nos partidos ou ideologias. O comportamento ilibado deve ser a vitrine da pessoa pública que pede para colaborar com a construção de uma nação. Desconfie de soluções miraculosas e de retóricas ensaiadas. A vida pessoal de quem anseia um cargo de poder deve ser analisada. Ele não fará no seio do poder coisas diferentes do que já fez em sua vida particular.
Hoje em dia é fácil encontrar nas câmaras legislativas de todo o país, políticos com acusações de assassinato, extorsão, roubo e abuso de poder. Em breve, esses mesmos políticos e outros que anseiam por substituí-los, estarão a pedir o seu voto. Cabe somente a você, mudar o rumo de como se faz política no Brasil. Se ausentar é colaborar com a manutenção do status quo. Como diria o dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
Abaixo um vídeo para não se perder a esperança
Eduardo Marques
Dinheiro e Poder
Levanta-se a questão de que dinheiro não é a raiz dos problemas, mas o poder. Uma tentativa interessante de alterar o foco dos problemas concretos para um lado mais abstrato ainda não totalmente esclarecido.
(O que é poder? Várias definições, vários níveis, nada concreto)
A primeira forma de analisar a jogada é que o dinheiro causa problemas em todos os níveis da esfera humana, seja na macroeconomia mundial até a microeconomia familiar. Já o poder não tem um padrão. Mesmo o poder dos pais acima dos filhos por hierarquia está hoje desvirtuado. Isso mostra que o poder é volátil e relativo às condições do ambiente, portanto não é uma causa, mas conseqüência.
Sistema Poder e Dinheiro:
Poder e dinheiro para existir é preciso que haja consenso. Se uma pessoa consente em ceder seu poder à outra, então temos a acumulação de poder. Poder corrompe, portanto teremos abuso de poder assim que as condições de ambiente falarem mais alto (ex: para ter mordomias e tempo livre, as antigas sociedades viviam com trabalho escravo. Em uma cidade a população escrava expressivamente superior a considerada cidadã, como exemplo, Roma).
Assim que o poder demanda mais poder, ele precisa de ferramentas. Vem o dinheiro como ferramenta de acumulação e abuso de poder. Hoje, o sistema dinheiro e poder está tão sofisticado que nem notamos sua presença, mas esta evidente: Temos “obrigações” a realizar. Obrigações nada mais são que você ceder o seu poder pessoal a alguém, direta ou indiretamente.
Sendo o poder volátil, mas transferível, temos que destacar que o problema não está na existência do poder, mas na sua concessão. Para melhor visualização, tomem cada ser humano como se fossem unidades natas com 10 de poder. Se alguém no mundo (como presidentes, generais, juízes etc.) tem hoje 1000 de poder, é porque pelo menos 1000 pessoas cederam 1 de poder para ele.
A necessidade de poder:
O poder só é necessário em condições de escassez. Para que alguns pudessem ter mais que outros foi necessário a arquitetagem e uso do poder. Não dinheiro, mas recursos.
Inicialmente terras férteis, arvores e cursos de água foram objeto de lutas entre humanos, devido a sua falta de conhecimento sobre o tamanho do mundo, por condições limitantes geográficas (como habitantes de regiões cercadas de água que temiam ir alem e “cair no limite da terra”) ou climáticas (geadas, glaciação), por sua falta de tecnologia avançada que permitiria novas possibilidades.
Esse principio de escassez norteou a mente humana por centenas de milhares de anos, ate que ele começasse a viver em cidades e iniciar a gestação da civilização, ha aproximadamente 10 mil anos atrás.
O que são 10 mil anos de estruturação civil evolutiva perto de quase 200 mil anos vivendo a deriva da natureza em cavernas? Esse conceito de escassez está fortemente programado em nossa mente, e com o passar dos tempos fomos apenas o sofisticando para servir melhor aos interesses dos sistemas sociais.
Dinheiro hoje:
Hoje temos o dinheiro, antiguíssima invenção que permitiu o controle dos recursos por uma crescente sociedade humana para que não as esgotasse permanentemente. Sinto dizer aos amantes do dinheiro que ela está obsoleta, e atualmente atrasando o próximo passo da civilização. Temos hoje a tecnologia avançada, que nos permite ir ate onde muitos sequer sonham, mesmo sendo contemporâneo delas.
A analogia do impacto do dinheiro na sociedade atual:
“Estamos atualmente a andar montado em lombos de jegues, quando poderíamos estar cortando os céus em um F-22.”
Establishment:
Sempre que algo se organiza e tem certa estabilidade na vida humana, temos a tendência de mantê-lo como está e negamo-nos a mudá-lo. Na sociedade não é diferente, sendo um sistema humano, a sociedade tende a lutar contra mudanças, mesmo sabendo de seus benefícios, mesmo sabendo que sem mudança haverá serias conseqüências.
Em comparação tomamos os conselhos médicos. A pessoa vai ao medico e ele alerta: “Seu estilo de vida, sua alimentação e seus hábitos vão lhe levar a morte em meses! Mude-os o quanto antes!”
As estatísticas mostram que 1 em 10 mudam, mesmo sabendo do risco de morte.
[O por quê que isso acontece necessita toda uma análise psicológica que não cabe aqui nesse momento, mas se for demandado poderá ser postado futuramente]
Temos essa resistência contra mudanças. Criamos à preguiça, o conformismo, as desculpas, e achamos melhor ficar do jeito que está e lidar com as terríveis conseqüências (e lá ficar reclamando e se flagelando e pedindo a deuses misericórdia) do que se auto motivar, enfrentar o comodismo e encarar a mudança. Não queremos pisar fora da zona de conforto sozinhos, que dirá em grupo.
Pra piorar, através do estabelecimento de poderes de alto nível, temos uma resistência ainda maior em mudanças. A esse poder estabelecido, que normatiza e resiste a mudanças damos o nome de Establishment.
Mudança:
A mudança então cabe a 1% de determinados que não se opõem a mudança, alias, vêem na mudança o desafio faltante em sua vida e o acham excitante. Infelizmente esse tipo de pessoa é raro, mas foi esse tipo o responsável por todas as grandes mudanças na sociedade atualmente. A isso se dá o nome de Teoria do 1%. Às vezes se consegue arrastar mais pessoas, porem geralmente o restante das pessoas só se unirão ao 1% assim que virem que o “barco realmente andou”.
Texto por: Silvio Furtado – São Luis, MA
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