Definindo um novo destino
maio 16, 2010 por admin
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Como um ser altamente social, o ser humano vive se incluindo em grupos a fim de se sentir mais seguro e confortável. Sejam esses grupos religiosos, políticos, de trabalho, ou grupos formados no clube em um fim de semana.
Quando não por fatores geográficos ou de nascença, na maioria das vezes pertencemos a esses grupos por questões exclusivas de afinidade. Mas o que acontece quando você não mais tem afinidade com o grupo a qual pertence? Deve-se sair? Permanecer e acatar as decisões do grupo mesmo não concordando com o que os seus componentes dizem ou tentar mudar as pessoas que dele participam?
Acredito que independente da vestimenta coletiva pela qual compartilhamos idéias e que gostamos de ser identificados, somos seres individuais com valores, defeitos e gostos únicos. Viver sob um padrão comportamental regido por filosofias que não mais fazem sentido é negar quem somos em beneficio de instituições e ideologias que não mais acreditamos.
As instituições religiosas e as ideologias políticas podem nos ser muito úteis em nossa busca individual por respostas filosóficas e na nossa atuação constante de moldadores do mundo. Vivenciá-las certamente enriquece o espírito. Entretanto, temos que ter consciência de que tudo se desenvolve e evolui nesse mundo. Ficar apegado a ideologias e instituições que não acompanharam o desenvolvimento humano das últimas décadas é como ficar apegado a um barco velho que não mais cumpre a sua função e que cedo ou tarde se verá em um museu ou no fundo do mar.
Estamos vivendo em um tempo onde muitas amarras ideológicas estão sendo desfeitas pela rápida democratização das informações e pelas novas formas de se comunicar e se organizar em redes sociais na internet.
Munidos de novas idéias e soluções, o novo cidadão global construirá nos próximos anos um mundo totalmente diferente do que costumávamos viver. O excesso de informações, sensações e contatos que hoje vivenciamos em uma única vida nos coloca em extrema vantagem em relação às gerações que nos antecederam. Se, antes, tínhamos que nos adaptar às instituições concebidas e a um conhecimento limitado e mantido por tradições, hoje as instituições que não se adaptarem e as ideologias que não se renovarem a esse novo homem, aportarão suas embarcações em nossos futuros livros de história.
Eduardo Marques
Poder e mediocridade
Estamos em mais um ano eleitoral e em breve a mesma lengalenga dos discursos simplistas e ilusórios voltará à tona em um coral formado por oportunistas e aproveitadores. Esses verdadeiros vampiros acostumados a sugar dos cofres públicos verbas que serviriam para estruturar nossa nação, serão os protagonistas de várias inserções nas grades televisivas e em toscos “santinhos” que em breve você receberá.
Mas de onde eles aparecem?
Na verdade, tenho certeza que você sabe bem de onde eles surgem. Estão ao nosso redor, são colegas e conhecidos que em sua maioria, medíocres, anseiam por poder. Provindos de uma sociedade onde os valores morais são facilmente substituídos por injeções de satisfação passageira, eles buscam no poder, acesso fácil aos prazeres mundanos. Com a credencial que o cargo os outorga se sentem senhores acima da lei. Esquecem que a sua principal finalidade seria servir os que o colocaram em tal posição.
Deixam-se levar pela leviandade presente nessa mesma sociedade em que teriam que consertar. No final, perdem a importantíssima oportunidade que lhes foi concedida e retardam cada vez mais o amadurecimento de nosso povo.
Já o povo, creditando ao destino seu sofrimento, age passivo, pois sabe que em seu intimo poderia estar fazendo a mesma coisa se tivesse a oportunidade. Agora lhe pergunto; como mudar então esse ciclo presente a centenas de anos em nosso país?
Agindo com razão e esquecendo as paixões que facilmente são alimentadas por discursos ideológicos que movimentam as massas nesse período. A solução está nas pessoas. Não nos partidos ou ideologias. O comportamento ilibado deve ser a vitrine da pessoa pública que pede para colaborar com a construção de uma nação. Desconfie de soluções miraculosas e de retóricas ensaiadas. A vida pessoal de quem anseia um cargo de poder deve ser analisada. Ele não fará no seio do poder coisas diferentes do que já fez em sua vida particular.
Hoje em dia é fácil encontrar nas câmaras legislativas de todo o país, políticos com acusações de assassinato, extorsão, roubo e abuso de poder. Em breve, esses mesmos políticos e outros que anseiam por substituí-los, estarão a pedir o seu voto. Cabe somente a você, mudar o rumo de como se faz política no Brasil. Se ausentar é colaborar com a manutenção do status quo. Como diria o dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht, “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”
Abaixo um vídeo para não se perder a esperança
Eduardo Marques
Apagão político
Que oportuno foi ao PSDB e a certos segmentos da mídia o apagão que deixou sem energia metade do país na última semana. A falha que gerou o blecaute deve ser investigada e medidas devem ser tomadas a fim de se evitar novas surpresas. Entretanto, o que se vê na mídia é uma supervalorização do tema com a finalidade explicita de expor politicamente a administração do governo petista.
O que me deixa chateado com tudo isso é o jogo interesseiro de ambas as partes. Tanto da direita como da esquerda. De um lado o governo fala que nada de importante aconteceu, quando de fato aconteceu. De outro, a oposição age como um urubu que quer destrinchar o tema até os ossos.
Enquanto isso, milhares de cidadãos (que realmente se preocupam com o país) acabam abraçando ideais de um lado ou de outro na ilusória esperança de que algum esteja correto. Partidários de esquerda e direita se digladiam verbalmente pelos fóruns na internet como se ambos não desejassem um país melhor. O que todos nós precisamos entender é que nem só de estado ou livre mercado, se vive hoje em dia.
Eduardo Marques
A ameaça evangélica
Outro dia ao “zapear” pelos canais de televisão contabilizei nada menos do que dez programas evangélicos sendo transmitidos ao mesmo tempo. Apesar de não concordar com o que é pregado, compreendo que as palavras expostas na TV possam aliviar as dores de milhares de corações desamparados pelo Brasil.
Entretanto, o que me preocupa em relação a essas pregações é o poder concedido pela sua audiência (composta em sua maioria por fiéis que esquecem a razão para abraçar a fé), aos seus lideres. Poder esse que há anos deixou de se limitar ao campo religioso para abraçar a política. Com uma quantidade crescente de seguidores, os lideres neo-pentecostais, sejam eles bispos ou pastores, ganham cada vez mais espaço na política por se utilizar do voto adquirido nos seus palanques midiáticos.
Gostaria de destacar que o dizimo em tais programas é extensamente solicitado para a aquisição de novas igrejas e para mais inserções nas grades televisivas. A Igreja Universal do Reino de Deus, uma bem sucedida empresa, digo Igreja, despontou como modelo para outras como a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Internacional da Graça, a Renascer em Cristo e a Sara Nossa Terra.
Cada vez mais tais igrejas ganham espaço na mídia e infelizmente isso em breve se repetirá na política quando suas ovelhas as seguirem nas urnas. Com isso, temas como células-tronco, união civil de homossexuais e outros temas morais se verão barrados por uma nova aliança entre política e religião.

Com Deus como cabo eleitoral, poderão ironicamente nos levar a uma nova Idade das Trevas. Para os que não conhecem, a Idade das Trevas foi o período de declínio cultural observado na Europa entre a queda de Roma à ascensão do Iluminismo no século XVII. Foi nessa parte da história da humanidade em que a fé cega e a política geraram uma estagnação e atraso social de aproximadamente mil anos.
É preciso ter cuidado.
Eduardo Marques
Dualidade política

A eterna luta entre Direita X Esquerda
A concepção cartesiana de dualidade, segundo a qual entendemos as coisas através da explicação dos opostos, está condicionada a achar explicações duais para tudo. Para a maioria das pessoas, uma coisa só pode existir porque há um inverso para ela. Exemplos como sim e não, céu e inferno e bem e mal fazem parte do entender individual. Dessa maneira, o nosso modo de compreender as coisas está condicionado (porque não dizer viciado), a achar explicações duais para tudo.
Na política as coisas não são diferentes. Para dar um exemplo próximo, vejamos como funciona o cenário brasileiro. Habitado por diversos partidos eleitorais, ele basicamente se divide entre esquerda e direita. Ideais e coligações são defendidos por ambos os lados, muitas vezes alimentados por paixões extremas.

O pré-sal é um belo exemplo de comportamento pautado por paixões e interesses. De certo, é um trunfo do governo para o futuro. Porém, pode se perder no desenrolar dos interesses. Enquanto a esquerda o usa para fazer propaganda eleitoral, a direita tenta tirar o seu brilho. No final, eles brigam entre si e deixam a população a mercê dos resultados da batalha. O que era pra ser uma ferramenta incontestável de desenvolvimento se torna objeto de um jogo de poder. É nessas horas que tento entender como que a razão instrumental analítica que tanto espaço já ganhou no campo científico, não é mais presente no social. A resposta é simples. EDUCAÇÃO.

Como ignorantes sociais; deixamos-nos levar pelas ondas da mídia e do cotidiano banal. Ao não nos perguntarmos por que as coisas são assim as deixamos ser do jeito que planejam para a gente. Isso não é uma falha existente somente nas classes menos afortunadas e desprovidas de ensino. Está também presente em vários grupos de alto poder aquisitivo que ao invés de pensar em como salvar o mundo, pensam somente em se salvar no mundo.
Enfim, educação moral reflexiva é importante para entendermos o nosso papel na construção de uma nação e mundo melhores.
Na próxima eleição, não pense em dimensões duais de esquerda e direita, pense em formas racionais de como resolver os nossos problemas.
Eduardo Marques
A classe média brasileira
No Brasil todos querem ser de direita. Todos querem ter carro, eletrônicos, viajar, consumir e se divertir.
Para ser bem aceito, mostrar que sabe das coisas, o cidadão classe média padrão brasileiro (aquele que vem pré formatado de fábrica), assina a VEJA, reclama do presidente e acha que privatização é a solução do Brasil, além de apontar que a influência do estado deveria ser minima, pois só o investimento privado pode salvar a nação.
Afinal, existe muita corrupção com o dinheiro público não é mesmo?
Não percebem que não é a atuação do Estado que tem que ser menor e sim o serviço do estado que tem que ser melhor.
Lembre-se, a função do estado é servir o povo e isso não é necessariamente o foco da iniciativa privada, que visa o interesse próprio acima do bem coletivo.
O pessoal tende a confundir a ineficiencia do estado tendo como base o modo como ele está sendo aplicado nesta epoca com a sua real utilidade.
No final nas contas, quem manda no estado é o próprio capital, o interesse privado pois tudo é feito pensando nas empresas.
Um simples exemplo disso:
A matriz de transporte brasileira é baseada em rodovias porque foi preciso agradar as empresas de borracha, as industrias automotivas que iriam se instalar no país e outras empresas americanas e europeias no passado. Se o Estado realmente se importasse com o povo, teria instituido um sistema ferroviario que é muito mais lógico e inteligente para as nossas proporções.
O problema do nosso estado é que ele pensa muito mais no dinheiro do que no desenvolvimento.
A verdade é que é muito mais facil culpar o estado, ir na onda, tirando o foco do articulador-raiz do problema que é o poder desenfreado da iniciativa privada aliada à corrupção criada pelos membros responsáveis pelo estado.



