Espiritualidade, religiosidade e o fim do mundo

abril 12, 2009 por admin  
Arquivado em Destaques, Razao x Fé

Sempre me perguntei o porquê de existir tantas religiões no mundo. O fato de seguir uma crença como verdade incontestável sempre foi algo que nunca consegui fazer, o que já me levou a criticar e discutir muito sobre isso.  Porém, nunca deixei de pensar a respeito e de buscar a resposta para essa questão.

Essa busca de espiritualidade pelo ser humano através das várias religiões me fez compreender a necessidade das mesmas, tal como me fez entender as diversas interpretações sobre a vida e o destino do homem na Terra.

O homem é a espécie dominante do planeta. Um trajeto evolutivo que começou a quatro milhões de anos atrás e que culminou na nossa espécie a apenas 150 mil anos. Bem, em termos de tempo e de história do planeta, isso é um segundo, porém nesse segundo demos um salto enorme de consciência e nos tornamos juntos com a natureza, construtores dos espaços que atuamos.

Assim construímos as nossas vilas, cidades e países. Só que tudo isso aconteceu através de muita dor e sofrimento. Através de guerras que muitas vezes foram motivadas por ambições individuais.

Para que o mundo de hoje se tornasse realidade, fomos repetindo estes padrões de ação em escalas cada vez maiores.  Ok. É exatamente aqui que quero entrar para explicar o meu ponto de vista e iniciar a discussão.

Seguindo essa lógica, me pergunto:

- Para onde estamos caminhando? Existe um destino?

Bem, um destino que conhecemos e que é propagado por diversas religiões e credos é o do Fim do Mundo. Ontem, ao assistir ao filme Presságio com Nicolas Cage, me deparei com mais uma versão cinematográfica sobre o assunto e me propus a pensar sobre o que isso representa para a humanidade.

Afinal, existe algo de real sobre isso? Porque tantas religiões, profetas e pessoas alertam para um fim eminente? Cheguei à seguinte conclusão:

Imagine que você é um profeta do ano 100 DC. Um estudioso do seu povo e do seu tempo e que realmente se importa com as pessoas.

Através da observação e análise você percebe que a humanidade é um grupo heterogêneo composto de diversas individualidades em graus diferenciados de consciência; que por serem seres sociais sentem a necessidade de estarem incluídos em grupos. Percebe também, que para alcançar destaque no grupo, os indivíduos agem egoisticamente e por muitas vezes menosprezam outros componentes.  Pois bem, a partir desse ponto você compreende que o homem sempre estará em guerra enquanto não mudar esse comportamento. Afinal, isto é um resquício da auto preservação. Motor evolucionário que nos trouxe até aqui.

Um sábio dessa época conseguiria ver o futuro, pois perceberia esse comportamento se repetindo em escalas maiores até atingir a destruição total da humanidade. Seja isso influenciado por algo extra material, seja por conclusão própria.  A pergunta é:

- O que ele faz para mudar isso?  Se hoje em dia, com todas as evidências ainda é difícil convencer as pessoas, imagina em um mundo bárbaro?

O profeta usa o medo, pois o oculto trás temor e gera respeito. Só assim, consegue atrair a atenção de um publico indolente que é ignorante em sua essência.  Tenta mudar o homem com as ferramentas que possui. Utiliza de símbolos e rituais para moldar o homem a uma realidade mais fraterna.

Hoje não é diferente. Ainda temos ignorantes e indolentes em nossas sociedades,  daí a necessidade de ainda existirem essas igrejas neo-pentecostais a utilizar de toda a simbologia milenar cristã para incutir, nas mentes que ainda não compreendem por si só, que o amor para com o próximo é a peça fundamental para vivermos em paz.

A religião é apenas um caminho para se chegar à espiritualidade que nasce na nossa alma, na busca do encontro de nós mesmos.

O fim do mundo chegará para aqueles que não quiserem ouvir o chamado que partiu da própria humanidade consciente que quer se tornar adulta e seguir o caminho que lhe compete. O caminho de co-criadora de um mundo melhor.

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